A Palavra de Deus deve brilhar e iluminar
974 | Tempo Comum | 3ª Semana | Marcos 4,21-25
No trecho do evangelho de ontem, meditamos e rezamos a partir da parábola da semente da Boa Notícia do Reino de Deus que é jogada em diferentes terrenos: três deles frustram a intenção do semeador, mas um deles produz com abundância, e compensa o fracasso dos outros. Estes são os discípulos que entendem, acolhem, praticam e perseveram no dinamismo do Reino de Deus.
Mas precisamos falar com prudência. Quem pensa que já entendeu o mistério do Reino de Deus pode não ter entendido nada! O próprio Jesus nos adverte: “Prestai atenção no que ouvis!” O Evangelho de Deus não nos é dado para ser parte de um rito religioso, para ser guardado meticulosamente por exegeses e interpretações eruditas e cuidadosas, nem para ser lido apenas em ocasiões especiais ou encontros protocolares.
O Evangelho, tal como foi ensinado e vivido por Jesus, deve brilhar como luz que nos ajuda a ver as pessoas com o olhar de Deus e apreciar os acontecimentos com lucidez e responsabilidade. É ele que revela a maldade escondida em pacotes cuidadosamente embrulhados e a mentira solenemente escondida em discursos tão falaciosos quanto piedosos. É à luz do Evangelho que se revela a relação intrínseca entre fé e vida, entre salvação e libertação.
A Palavra de Deus que, no evangelho de ontem, era comparado à semente, é hoje é comparado com a luz. Da mesma forma que a semente pode ser esterilizada pela inadequação da terra que a recebe, a luz pode perder seu brilho ou desaparecer por falta de compreensão ou falta de coragem. A Boa Notícia do reino de Deus precisa brilhar de modo inequívoco na vida cotidiana dos discípulos e discípulas, ou a fé que proclamam com a boca é uma falácia.
Na exortação Verbum Domini, o Papa Bento XVI escreve que, em Jesus Cristo, a Palavra de Deus, pela qual tudo é criado, se encolhe e abrevia, faz-se tão simples e pequena que, sem perder sua força e eloquência, cabe uma manjedoura. Mas, na cruz, a Palavra se faz silêncio, não porque Deus tenha decidido se calar definitivamente, mas porque, em Jesus crucificado por amor, Deus disse tudo o que tinha para comunicar à humanidade sobre sua natureza e seu amor por suas criaturas. Esta é a generosa medida de Deus! Até onde podemos chegar nós?
Sugestões para a meditação
Releia o texto com atenção, relacionando-o com a parábola da semente e com o anúncio do Reino e as ações libertadoras de Jesus
O que temos feito com a Boa Notícia do Reino de Deus? A escondemos na liturgia? Deixamo-la na superfície da mente?
Ou caímos na tentação de apossar-nos dela, pervertendo-a em lei pesada ou em doutrina abstrata e sem ressonância na vida?