Jesus revela o
rosto e o coração de Deus em suas ações | 672 | 04.04.2025 | João 7,1-30
A proposta litúrgica do tempo
quaresmal não obedece à sequência literária nem ao progresso temporal dos
textos dos evangelhos, mas a uma lógica temática, enfatizando o progresso na
conversão pessoal, comunitária e social. O texto de hoje está localizado em
plena ação apostólica de Jesus, num momento especialmente crítico.
Estando na Galileia, Jesus é abordado pelos
seus próprios familiares, que fazem pressão para que ele suba a Jerusalém com o
objetivo de ampliar sua influência sobre o povo e aumentar sua fama. Isso
revela que seus parentes esperam usufruir das vantagens de ter um familiar
famoso. Este não é o projeto de Jesus, e nem seus familiares acreditam nele.
Diante da recusa de Jesus, seus parentes sobem
sozinhos a Jerusalém para a festa das tendas, que celebra a memória da travessia
do deserto. Jesus vai a Jerusalém mais tarde, discreto e, ao mesmo tempo,
absolutamente convicto de que o templo e suas instituições não tinham nada a
dizer sobre os novos tempos do Reino de Deus que ele inaugurava com suas ações,
anunciava com sua pregação e explicava com sua catequese.
Mas a discrição de Jesus não impede que sua
presença seja percebida. E as pessoas se questionam sobre ele, já que ele não
tem nada de especial que o identifique com o profeta esperado, a não ser suas
ações de emancipação e libertação, aliás, radicalmente questionadas pelas
lideranças religiosas. E os peregrinos se perguntam por que as autoridades não
o prendem.
Os cidadãos de Jerusalém, mergulhados na
ideologia veiculada pelo templo e seus ministros, refutam a identidade
messiânica de Jesus e afirmam que sabem de onde ele vem: seu sotaque indica que
é galileu. Quanto ao Messias, ensinava a tradição, ninguém saberia de onde
viria. Mas Jesus responde a eles com ironia e coragem: eles não sabem de onde
virá o Messias, e também não conhecem Aquele que o envia.
Na verdade, Jesus
questiona o saber usado como muro protetivo contra as surpresas de Deus e como
álibi para evitar a necessária conversão. Não podemos falar de Deus ou
imaginá-lo passando ao largo de Jesus, seu filho amado e seu enviado
autorizado. Ninguém chega ao Pai sem passar por Jesus Crucificado, presencializado
no rosto dos pobres e das vítimas.
Meditação:
§ Situe-se no coração do debate de Jesus com
seus familiares e com os cidadãos da capital, lendo o texto inteiro
§ Você conhece pessoas, grupos ou igrejas que
“usam” o nome de Jesus para levar algum tipo de vantagem?
§ Você é capaz de perceber o alcance político e
social da pregação e da prática de Jesus, ou vê nele apenas um líder
espiritualista?
§ Você tem levado a sério Jesus (seu ensino e
sua prática) para fazer uma ideia de Deus e falar dele?