O que brilha no rosto de Jesus é sua compaixão
1164 | Festa da
Transfiguração do Senhor | Mateus 17,1-9
Na pessoa de Pedro, os discípulos haviam dito que
reconheciam Jesus como “o Messias, o Filho do Deus Vivo” (cf. Mt 16,11). Mas discordaram e resistiram fortemente quando
Jesus lhes disse que seria perseguido e morto pelas mãos dos anciãos, chefes
dos sacerdotes e doutores da Lei (cf. 16,21-23). E fecharam ainda mais os
ouvidos quando Jesus colocou como condição para segui-lo tomar a cruz dos
excluídos e doar a própria vida (cf. 24-28).
A cena audiovisual que conhecemos como “transfiguração
de Jesus” está ligada a essa situação e tem como objetivo superar a resistência
dos discípulos ao projeto de Jesus e tornar visível a sua esplendorosa
humanidade. O protagonista da cena é o
Pai, e a beleza da humanidade de Jesus deixa os discípulos extasiados, tanto
que desejam congelar essa visão e prolongar a experiência no tempo. Mas
eles não podem esquecer que estão a caminho de Jerusalém, e a experiência é uma
espécie de chave que lhes abre o sentido da pregação e da paixão de Jesus.
A montanha e a nuvem são sinais que apontam para
uma manifestação divina, uma teofania. O que chama a atenção, é que essa revelação não acontece no templo de
Jerusalém nem é dada às elites religiosas, mas num lugar marginal e para três
pessoas pouco relevantes. A presença de Moisés e de Elias também lembram
que os profetas são perseguidos. A voz imperativa manda escutar e entender o
que Jesus disse, diz e dirá na sua vida, morte e ressurreição.
Diante da voz que afirma que Jesus é o filho amando
do Pai e deve ser escutado, os três discípulos caem por terra assustados. Eles reconhecem a presença divina e se
assustam com a confirmação do caminho da cruz que Jesus percorreria. A voz
de Deus faz Pedro calar (como em 16,23), mas o toque de Jesus cura a falta de
fé, encoraja e os coloca de pé. E percebem que estão sozinhos com Jesus, pois é
a ele e somente a ele que devem escutar e seguir.
O risco de recordar somente o esplendor e as ações miraculosas de Jesus
é grande. Por isso, Eles são proibidos de falar do que viram porque sua
compreensão do mistério de Jesus é ainda limitada, e devem esperar a sua
paixão.
Sugestões para a meditação
Procure
participar da cena com sua imaginação: veja o desconforto dos discípulos diante
do caminho proposto por Jesus, os três escolhidos subindo a montanha com Jesus,
seu êxtase frente ao brilho da humanidade de Jesus, o medo que os joga no chão
quando ouvem a voz pedem que eles levem Jesus a sério
Veja
o testemunho de Elias e Moisés, que lembram a incompreensão e a perseguição
sofrida pelos profetas
Ouça
a ordem de escutar o que ele diz, e sintam o toque dele encorajando e curando
suas resistências e sua falta de fé