O amor ao próximo
demonstra o amor a Deus
1245 | Tempo Comum |
30ª Semana | Domingo | Mateus 22,34-40
Os capítulos 21 e 22 de Mateus apresentam o
confronto permanente entre, por um lado, Jesus e o reino de Deus e, por outro,
a elite dirigente do judaísmo e a lógica excludente do templo. No trecho
anterior (v. 15-33), Jesus discute com os saduceus sobre a ressurreição e a
legitimidade do imposto exigido pelo império romano. Com suas respostas e
argumentos, Jesus calou a boca dos saduceus.
Mas o silêncio dos saduceus não é vergonha nem
inércia. Eles se aliam aos fariseus e mestres da lei para colocar Jesus
novamente à prova. Desta vez, provocam
Jesus a distinguir entre os mandamentos aqueles que seriam grandes e relevantes
e aqueles que poderiam ser tratados como secundários. Jesus responde
sublinhando a unidade dos mandamentos, e não a hierarquização. As leis da
aliança e a perspectiva profética se entrelaçam na prática do amor e na fome de
justiça.
Jesus responde acenando àquilo que o livro do
Deuteronômio apresenta no capítulo 6: o
horizonte dos mandamentos é o amor profundo e integral a Deus, inseparável do
amor social e cotidiano ao próximo, materializado na pessoa vulnerável. Não
se trata de atos ocasionais de amor, e, muito menos, de simples sentimentos, mas
de uma visão social e estrutural, que
conjuga o amor ao próximo ao amor a Deus, do qual decorre. São os dois
trilhos por onde corre o trem da salvação.
Como havia anunciado no capítulo 5 de Mateus, a Lei
e os Profetas, ou seja, todas as escrituras, dependem disso! Em outras
palavras: o maior, o primeiro, e o mais importante dos mandamentos é a
fidelidade e a perseverança integral e diária na prática da compaixão ativa,
humanizadora e libertadora. E isso não é um entre outros mandamentos, mas o
coração pulsante da inteira experiência e vontade de Deus na história. Deus é o
amor, e onde há amor ao próximo, Deus está presente, salvando e libertando.
Em outras palavras, isso
constitui o núcleo ou fio de ouro da pregação de Jesus. Sem esse amor, a fé
se torna moralismo e legalismo vazio. É nesse amor, na afirmação prática da
dignidade do outro e no serviço solidário e perseverante às suas necessidades,
que se revela e sustenta a verdade e a solidez da fé. Nada vem antes nem está
acima disso! Os sacramentos são celebrações que nos inserem nesse oceano de
graça. A catequese e a pregação recolocam isso sempre de novo no centro.
Sugestões para a meditação
Você
leva a sério a centralidade do amor integral e fiel a Deus e ao próximo no qual
está presente como a síntese da lei e da profecia?
Você
percebe em você e na sua comunidade a tentação de acentuar a obediência a Deus
e a moral em detrimento do amor ativo e compassivo ao próximo?
Como
a Igreja poderia ensinar e explicitar melhor esse fio vermelho em seu ensino e
em sua prática pastoral?