Ele não tem moradia digna, e o que fizemos?
999 | Quaresma | 1ª Semana | Segunda | Mateus 25,31-46
Esta parábola faz parte dos ‘discursos
escatológicos’ de Jesus. É uma catequese que nos leva a pensar no fim dos
tempos para destacar o que realmente tem valor agora. É claro que, dizendo que
o Filho do Homem virá ‘na sua glória’ e se sentará em seu ‘trono glorioso’,
Mateus está comparando Jesus a um rei. A expressão ‘Senhor’ também tem o mesmo
sentido, pois esse era o apelativo com o qual o povo se dirigia aos chefes,
reis e imperadores. Meditemos o texto em perspectiva quaresmal.
Esta parábola compara Jesus a um juiz. “Todos os
povos serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, como o pastor
separa as ovelhas dos cabritos”. Julgar significa discernir o verdadeiro valor
das ações concretas das pessoas, separadas em dois grupos, a partir daquilo que
fizeram, e não a partir dos títulos ou das intenções. Mas é interessante
perceber que, mesmo no papel de juiz, Jesus age como pastor.
Não podemos esquecer que Jesus decidiu sentar-se
à mesa como conviva dos pecadores, e não como juiz num tribunal. Sua vida
comprova que ele foi ao encontro dos marginalizados e assumiu a causa deles.
Não os esperou sentado para julgar! João Batista o anuncia como ‘cordeiro de
Deus’, como aquele que dá a vida.
No confronto com as autoridades do seu tempo e
com as ambições de poder dos discípulos, o próprio Jesus declara: “Eu estou no
meio de vocês como quem está servindo” (Lc 22,27). A vivência do espírito
quaresmal pede que nos coloquemos na perspectiva de quem serve, de quem dá o
melhor de si mesmo pelos irmãos e irmãs.
O mais importante, porém, está um pouco
escondido nessa instigante parábola. Diante da pergunta sobre quando foi que o
servimos, ele responde: “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores
de meus irmãos, foi a mim que o fizeram...” O que nos julga é a nossa atitude
em relação às pessoas vulneráveis.
Jesus é irmão dos homens e mulheres mais necessitados, irmão daqueles que
não têm moradia ou moram precariamente, dos doentes, dos presidiários. Irmão
universal, de todas as criaturas. Um cristão não pode passar ao largo das
necessidades de ninguém, pois estaria deixando de lado o próprio Cristo.
Sugestões para a meditação
Leia atentamente, palavra por palavra, e contemple gesto por gesto
esta memorável parábola de Jesus
Escute atentamente as perguntas dos dois grupos de personagens, assim
como as palavras do juiz e Senhor
Em qual dos dois grupos você pode se situar, honestamente? Quais atitudes
e ações suas justificam essa identificação?
Como essa parábola pode nos ajudar a construir uma fraternidade sem
fronteiras, especialmente em relação ao drama das pessoas que não têm uma
moradia digna?