A fé em Jesus Cristo
pede que tomemos posição
1238 | Tempo Comum |
29ª Semana | Domingo | Mateus 22,15-21
Com ironia, hipocrisia e
cinismo, os doutores da lei, escribas e herodianos preparam uma armadilha para surpreender Jesus e, assim, obter as
provas que necessitam para a condenação que já está decidida. A ironia e o cinismo ficam evidentes nos
elogios dirigidos a Jesus pelos seus emissários. Mesmo sem querer, seus
adversários apresentam o perfil verdadeiro e inatacável de Jesus.
Jesus
é um profeta que não se sente inibido na sua opção pelos pobres, nem frente à
pressão dos poderosos; não abandona os caminhos de Deus, mesmo diante das
alternativas que oferecem sucesso e êxito; não foge das questões espinhosas,
nem apela à neutralidade política, a uma indefinida vida interior ou às coisas
da alma; ele sabe distinguir o reconhecimento e a adesão humilde à sua proposta
dos elogios falsos, interesseiros e enganadores.
O
que está em discussão na cena de hoje não é a simplória questão de pagar ou não
pagar impostos. O que as elites querem saber é se, diante do poder opressivo
do império romano, Jesus e seus discípulos são colaboradores ou subversivos; se
mantêm sua profecia ou abaixam a cabeça e calam a boca, deixando os fracos à
sua própria sorte; se o projeto de Deus entra na história e provoca mudanças
corajosas ou se dirige apenas ao coração e a uma fé privatizada e intimista.
O imposto
cobrado dos povos colonizados pelo império romano era um meio de subjugá-los, e
a própria moeda servia como estratégia de propaganda do imperador e de afirmação
do status divino que ele
reivindicava. Diante da prova da moeda, Jesus não se submete à fácil solução de
separar fé e política, poder temporal e crítica profética. Sua resposta sábia e corajosa é mais um caminho que uma evasiva:
“Devolvam a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Em
outras palavras, Jesus pede que se
devolva ao imperador a moeda, instrumento de propaganda e de exploração, e que
se reserve a Deus a vida, a dignidade e a soberania do seu povo. Assim,
Jesus contextualiza e relativiza o poder
colonialista e a lealdade às autoridades. Sem recorrer à violência, e
falando em nome de Deus, Jesus exercita a profecia e subverte a ordem
estabelecida. E isso não tem nada a ver com a separação da fé da política. Precisamos desenvolver a atitude de
discípulos missionários que não se furtam a tomar posições coerentes próximas nas
eleições.
Sugestões para a meditação
Retome e reconstrua o texto,
percebendo a bajulação interesseira e a armadilha maliciosa que os fariseus e
herodianos preparam para Jesus
Procure entender o sentido profundo e
atual da ordem de “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”
Evite a tentação da ideologia
burguesa, que pretende separar a fé e a política, como se a fé não fosse sal e
fermento,
pois Jesus demonstra exatamente o contrário