Que nossa fé seja firme, duradoura e amorosa
1217 | Tempo Comum | Semana XXVI | Domingo | Mateus 21,28-32
Jesus
está em Jerusalém, no espaço do templo, e discute enfaticamente com a elite
religiosa e social (chefes dos sacerdotes e anciãos). Esta é a primeira de três parábolas que Jesus dirige à elite religiosa que o
persegue, nas imediações do templo, destino de todas as romarias populares,
em Jerusalém. Ele começa com uma pergunta, convocando os interlocutores a
tomarem posição, e é Jesus mesmo quem propõe uma interpretação da parábola.
A ênfase da parábola está claramente colocada na figura do pai e
na prática concreta da sua vontade. Os dois filhos mencionados
na parábola são personagens que correspondem, por um lado, aos pecadores, que
aceitam a pregação de João Batista e de Jesus e se tornam discípulos, e, por
outro lado, à elite religiosa, que se fecha tanto a João como a Jesus. Ambos
são chamados a trabalhar na vinha. Um se nega, mas depois vai; o outro responde
sim, e depois não faz nada.
A interpretação de Jesus não deixa dúvidas.
Convocados a emitir um juízo sobre a atitude contrastante dos personagens, os
sacerdotes e anciãos se autocondenam. A sentença de Jesus é clara e
provocadora: os cobradores de impostos e as prostitutas (dois grupos sociais
catalogados pelos judeus piedosos entre os piores pecadores) precedem (no
presente!) a elite religiosa no Reino de Deus, porque aceitaram o caminho da
justiça e da conversão pregado por João. A elite, em vez disso, não acreditou
em João, e, nem mesmo vendo o testemunho deles, mudou de atitude.
Nossa adesão à vontade do Pai deve ser firme e
duradoura, e precisa ser demonstrada em ações concretas. Trata-se de um “caminho de justiça”, ou
seja, de ação coerente com a pauta de justiça, solidariedade e transformação do
Reino de Deus. E jamais podemos esquecer que a lógica de Deus não coincide necessariamente com a nossa. Os
pensamentos de Deus costumam não coincidir com os nossos, dizem os profetas.
Como no texto que refletimos no último
domingo, a ação de Deus em relação ao ser humano não se orienta pelo mérito,
mas pela necessidade. Ele não dá a cada pessoa aquilo que ela merece, mas
aquilo que ela necessita. A prática e o anúncio de Jesus questionam de forma
radical a ideologia da meritocracia, que atribui o sucesso econômico unicamente
ao mérito individual e cobre as vítimas e vulneráveis com os andrajos da
incompetência e da culpa.
Sugestões para a meditação
Retome a cena e as orientações de Jesus no
evangelho de hoje, com a avalanche de pregadores e fiéis que tem fome e sede de
prosperidade, e não de justiça
Deixe-se surpreender pelo encontro com Jesus e com
seu ensino e sabedoria, abandonando as expectativas de coisas grandes
Como você acolhe o caminho de despojamento
solidário em favor da humanidade que Jesus viveu e nos propõe?