Somos pecadores
perdoados e agentes do perdão
1203 | Tempo Comum | Semana XXIV | Domingo | Mateus 18,21-35
No domingo passado, acolhíamos o
ensinamento de Jesus que nos oferecia uma verdadeira pedagogia da correção
fraterna. Hoje, nesta parte da quarta “cartilha de formação dos discípulos”,
Jesus sublinha a necessidade do perdão recíproco. Depois de ter falado sobre a
“pedagogia evangélica” para corrigir quem vive fora dos parâmetros e da ética do
Reino de Deus, Jesus é interrogado por Pedro, em nome dos discípulos, e
responde com uma parábola e uma declaração muito incisiva.
A atitude do rei é sempre problemática, e ele
não representa propriamente a ação de Deus, a não ser em um único aspecto. De
resto, o rei da parábola é igualzinho a todos os demais: ele age oprimindo os
mais fracos. Imagina como conseguiu a fortuna que lhe possibilitou emprestar ao
seu empregado aquela fortuna. A compaixão e o perdão concedidos ao empregado
endividado “até o pescoço” não é incondicional nem definitivo, tanto que foi
logo revogado, e o escravo foi torturado impiedosamente.
Nossa atenção deve focar a atitude deste
empregado. Tendo sido perdoado e reestabelecido em sua dignidade, mostra-se
incapaz de fazer o mesmo com seu companheiro, cuja dívida é infinitamente
menor, age com crueldade inesperada e acaba provocando a violência do rei, que
estava momentaneamente esquecida. Esta atitude do empregado perdoado, que
mostra mais crueldade que o próprio rei, acaba desvelando a “fraqueza” do rei,
e é isso que o irrita e faz voltar atrás.
É apenas nisso – na intolerância com a falta
de perdão e reconciliação entre os iguais – que Deus se assemelha ao rei. Deus
é pai, sua compaixão é eterna e seu perdão é irrevogável, mas “perde a
estribeira” quando seus filhos e filhas se mostram incapazes de compaixão e
perdão, deixando de ser semelhantes a ele. Seu amor incondicional por nós tem
consequências! Numa situação de relações frágeis, o perdão é absolutamente
indispensável.
A cultura na qual
nos movemos nos convenceu de que o outro é um estranho que precisa ser temido,
um inimigo que precisa ser combatido, um incapaz que só pode ser desprezado, um
incômodo que deve ser afastado, um devedor que deve ser sempre cobrado, que
deve fazer por merecer. Perdoar é conceder ao outro a chance de ser alguém, de
ter dignidade, de recomeçar e amadurecer.
Sugestões para a meditação
Em que exatamente a atitude permanente e
fundamental de Deus Pai se assemelha ao comportamento do rei?
Por que nos custa tanto perdoar os outros?
Será que falta-nos consciência da enormidade dos débitos que nos são perdoados?
Quem são as pessoas a quem você deve pedir
perdão, e quem são aquelas a quem você deve perdoar hoje?