O amor fraternos nos
torna morada de Deus
1070 | Tempo Pascal
| 5ª Semana | Domingo | João 14,21-26
Saltando
alguns versículos que prosseguem o trecho meditado ontem, os quais apresentam a
promessa de Jesus de enviar aos seus discípulos um “outro Advogado”, o
“Espírito da Verdade”, o trecho de hoje afirma a presença de Deus nas relações
fraternas e solidárias dos seus discípulos e discípulas. Não somos apenas nós que podemos morar na casa de Deus; ele mesmo pode
estabelecer sua morada em nós.
Esta
é a primeira vez que Jesus fala do amor dos discípulos a ele. Até então ele
falara apenas do amor os irmãos e irmãs, e da disponibilidade às necessidades
do povo. Assim, crer em Jesus significa
aderir amorosamente a ele, comportar-se como ele, compartilhar seus sonhos,
seus pensamentos e suas atitudes. Mas o amor a ele se encarna e se mostra
necessariamente no amor aos irmãos e irmãs, um amor que não é mero sentimento.
Ajudar os outros é a única forma de concretizar o amor.
Este
amor é graça derramada abundantemente na vida de quem crê em Jesus, só é
chamado de mandamento porque é norma de vida, e substitui todos os demais
códigos de leis. No evangelho de João,
Jesus jamais cita ou enumera os dez mandamentos, pois entende que só existe
um. Por isso, o amor fraterno e concreto é a chave que abre a porta para que o
Pai e o Filho façam em nós sua morada.
Sendo
o que “acomuna” o Pai e o Filho, o
Espírito Santo de Amor é também o que une os discípulos entre si, a Jesus e ao
Pai. Enquanto algo a ser proclamado, esse amor recebe o nome de mensagem;
enquanto norma de vida, é chamado de mandamento; enquanto dinamismo de Deus em
nós, é apresentado como Espírito Santo. Mas trata-se de um único e mesmo
dinamismo divino nas criaturas.
Jesus adverte seus discípulos sobre o fato
de que amá-lo significa guardar sua ordem, de amarmo-nos como ele nos amou;
implica em comportar-se como ele em relação a tudo e todos. Sendo a essência do
Espírito de Deus, o amor transforma a
comunidade cristã e os milhões de discípulos anônimos em infinitas vivendas
mediante as quais Deus se faz presente no mundo. Não o adoramos em
santuários ou templos, mas em espírito e verdade, mediante atitudes e ações
muito concretas.
Sugestões para a meditação
Recomponha
na memória as palavras que Jesus dirige aos discípulos, depois da ceia e
prestes a ser preso e crucificado
Situe-se
junto com os discípulos, perturbados com o gesto do lava-pés, com o anúncio da
sua morte e com a previsão de que seria traído
Será
que na voz de Judas se expressa a expectativa de manifestações espetaculares,
jamais a manifestação discreta aos discípulos e na cruz?