O caminho do bem-viver não é fardo que pesa
1132 | Tempo Comum |
Semana XIV | Domingo | Mateus 11,25-30
Num contexto de rejeição de sua pessoa
e sua mensagem, Jesus eleva seu louvor ao Pai pelos discípulos humildes, que
entendem e acolhem o caminho do Reino de Deus. E sublinha que é vontade de Deus que a elite do judaísmo
nada entenda. Que o povo de Corazin e Betsaida não tenham acolhido sua
mensagem e seus enviados não é um fracasso missionário, mas a realização plena
de sua missão libertadora.
Esta cena é, juntamente com a
transfiguração, um dos momentos
culminantes do Evangelho segundo Mateus. É um gozo exultante que brota da
experiência de Deus como Pai. Aqui Jesus como que se transfigura e irradia a luz de Deus, abrindo seu coração e revelando
sua espiritualidade mais profunda: a predileção do Pai, seu vínculo filial
e a missão que dele recebeu. Sua alegria
e seu consolo é ver que a missão dos seus enviados tenha atingido seu objetivo:
o povo simples, cansado e abatido entendeu e acolheu a Boa Notícia do Reino de
Deus.
Em uma sociedade na qual o prestígio
era uma forma de poder e de segurança econômica, a ignorância era considerada não apenas um sinal de ausência de cultura e
conhecimento, mas um fator de diminuição e desconsideração. As pessoas que
desconheciam as leis eram consideradas malditas em alguns círculos judaicos.
Mas, para Jesus, a dignidade e a
salvação não dependem de um elevado grau de conhecimento e cumprimento do aparato
legal e moral, mas da capacidade de identificar e acolher a passagem de
Deus na história.
Para
encontrar alívio dos fardos, os seguidores de Jesus precisam acolher com
alegria sua proposta. Sua palavra e
suas ações abrem as portas da liberdade e da humanização, e todos precisamos aprender dele e com ele a
reconhecer e promover, em palavras e ações, o Reino de Deus, que suscita e
inaugura práticas, estruturas, relações, prioridades e perspectivas
alternativas. Jesus nos convida a livrarmo-nos das cargas da lei e carregar um
fardo mais leve: a humildade e a mansidão.
O
jugo de Jesus não é canga que se impõe, amarra e domina, mas leveza que nos
torna mais humanos. E ele nos
convida a aprender do seu coração a mansidão e a bondade, a tolerância e a
reconciliação, pois nele não há espaço para a indiferença, a vingança e a
violência. O Reino que ele encarna e
antecipa é suave, bom e amável, é misericórdia e compaixão que afirma,
reabilita e liberta os oprimidos.
Sugestões para a
meditação
Deixe
ressoar em você o louvor orante de Jesus e seu convite intenso e caloroso para
que nos aproximemos dele e aprendamos dele
O
que a ênfase no coração, na concretude humana e na compaixão de Jesus nos
ensinam?
Assuma
a atitude contemplativa e orante de Jesus, e reze com as palavras e frases que
ele nos propõe no evangelho de hoje