Jesus supera o modelo tradicional de família
1148 | Tempo Comum |
Semana XVI | Terça | Mateus 12,46-50
Jesus acabara de acusar as autoridades religiosas
de serem incapazes de discernir sua identidade de Messias, enviado do Pai para
anunciar e inaugurar seu Reino. Depois disso, Jesus deixa a sinagoga, e, nesta
cena, está em uma casa, não necessariamente a sua, com seus discípulos e
discípulas. Esta casa é como se fosse o
lugar de encontro e convivência de uma nova família, uma família alternativa,
que relativiza os tradicionais laços de raça e de sangue.
Mateus diz que alguém (não diz se é um discípulo ou
não) avisa Jesus que sua mãe e seus
irmãos estão lá fora, e desejam falar com ele. Seus familiares aproximam-se
respeitosamente, e não querem interromper a ação missionária de Jesus. Seriam
movidos pela saudade? Pelo desejo de que ele voltasse para casa? Pela vontade
de segui-lo na aventura do Reino de Deus? Estar
dentro ou fora dessa casa delimita a clara pertença ao “círculo” de Jesus e do
Reino.
A novidade do Reino de Deus, muito
esperada por todos e trazida por Jesus, implica
claramente em uma mudança nas relações sociais, econômicas, religiosas,
culturais, políticas, mas também das relações familiares. É no horizonte do
Reino de Deus que Jesus questiona e supera o modelo de família patriarcal,
baseada nos laços de sangue e na submissão ao homem e senhor, reprodutora das
relações de dominação.
Jesus responde de diversos modos. Dirigindo-se aos
discípulos e discípulas que o circundam, pergunta
quem é sua família, e ele mesmo responde, afirmando e indicando com a mão:
“Eis minha mãe e meus irmãos! Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai,
este é meu irmão, minha irmã e minha mãe!” A
comunidade de discípulos é a nova família, aberta, não sujeita aos vínculos de
sangue, de raça, de gênero, de religião. Nela, só Deus é Pai, e todos são
iguais!
Nós cremos que Maria também está neste círculo, pois, ninguém mais que
ela, viveu para realizar prontamente a vontade do Pai. Nisso ela é nossa mãe,
irmã e discípula. Mas é importante
também que nos sintamos incluídos por Jesus no âmbito da sua família. Somos
seus irmãos, irmãs e sua mãe, se fazemos a vontade do Pai.
Sugestões para a meditação
Procure
inserir-se na cena relatada pelo evangelista e interagir com os diversos
personagens que aparecem
Como
ressoa em você o questionamento de Jesus aos que falam em nome de sua família e
sua resposta a eles?
Você
se sente efetivamente e com alegria irmão ou irmã de Jesus e de todos aqueles
que vivem seu Evangelho?
O
que nossas comunidades e Igrejas precisam mudar ou melhorar para serem
verdadeiras famílias humanas?