Qual é a imagem de
Deus que apresentamos?
1215 | Tempo Comum | Semana XXV | Sexta | Lucas 9,18-22
Ontem refletimos
sobre o trecho do evangelho no qual Lucas nos apresenta as perguntas e
hipóteses que Herodes levantava sobre a identidade e a missão de Jesus.
Perseguido pelo medo de enfrentar um concorrente, e de represálias por ter
assassinado João Batista, o pequeno e
impotente e violento rei da Galileia desejava ver Jesus por pura curiosidade,
sem nenhuma vontade de levá-lo a sério.
Depois da multiplicação
dos pães para os famintos, o próprio
Jesus dá voz à pergunta sobre quem ele é, pedindo que seus discípulos o
coloquem a par das opiniões que circulam no povo, e isso não porque estivesse
preocupado com uma possível baixa do seu índice de popularidade. As opiniões convergem para sua identidade
profética, de que ele é algum profeta importante que voltou à vida. Mas,
pelo testemunho dos evangelistas, já sabemos que ele é mais que um profeta.
Jesus interroga os
próprios discípulos, esperando deles uma resposta nova, pessoal, envolvente. Tomando
a palavra em nome dos demais, Pedro
embarca na ideia de que a chegada do messias esperado seria precedida pelo
retorno do profeta Elias, e declara que Jesus é o messias/ungido de Deus. Sua resposta é formalmente
correta, mas Jesus proíbe que isso seja anunciado ao povo, pois sente
necessidade de corrigir e esclarecer o que significa reconhecer e proclamar que
ele é o Messias (pois temos outros messias, inclusive um que sentou na cadeira
presidencial!).
Para evitar
mal-entendidos, Jesus evita falar de si
mesmo como “Messias”, e prefere autodenominar-se “Filho do Homem”. Com
isso, sublinha várias coisas: sua
consciência da necessidade de enfrentar a violência e passar pela cruz; que a
fidelidade e a coerência com a vontade do Pai desembocam na perseguição; que
isso tudo faz parte do plano de Deus, mas não é uma espécie de suicídio
premeditado; que o mistério de Deus e da salvação está profundamente imbricado
na condição humana; que Deus mostra sua força na fragilidade, na pobreza e no
despojamento.
Para Jesus, a vontade do
Pai é absolutamente soberana, e não passa necessariamente pela religião e
seus espaços e agentes, tanto que faz questão de ressaltar que é nas mãos deles
que irá sofrer. Isso pede obviamente uma
revisão da nossa ideia de Deus e uma crítica avaliação das práticas das Igrejas
e seus agentes. Será que o querer de Deus é a multiplicação de dízimos,
orações, cultos e novenas?
Sugestões para a meditação
Deixe-se surpreender pelo encontro vivo com Jesus e
com seu Evangelho, seu exercício diário de Leitura Orante
Procure superar a expectativa de que em Jesus
seremos beneficiados por eventos grandiosos e miraculosos
Contemple a compaixão e a presença ativa de Jesus
junto do povo, inclusive na perseguição e na morte na cruz