Quem conhece os mistérios do Reino de Deus?
1150 | Tempo Comum | Semana XVI | Quinta| Mateus 13,10-17
Uma leitura atenta dos capítulos 4 a 12 do
evangelho de Mateus deixa bastante claro que o anúncio do Reino de Deus e as ações que Jesus faz para demonstrá-lo
presente na história encontra muita incredulidade, rejeição e hostilidade.
Daí a insistência de Jesus na escuta, na compreensão e na conversão ao seu
Evangelho, que ele anuncia recorrendo a diversas linguagens (catequese,
parábolas, apocalipse).
Ao povo em geral e, às vezes, às elites dirigentes
do judaísmo, Jesus prefere anunciar o
mistério do Reino de Deus através de parábolas. É um recurso de comunicação
sapiencial e popular que fala do Reino de Deus a partir de imagens e
comparações tiradas da experiência comum e cotidiana, o que acaba atraindo e exigindo o engajamento do
ouvinte na interpretação. Aos discípulos, mais sintonizados com ele e
inseridos no processo de formação, Jesus fala de forma mais objetiva e
incisiva.
A parábola do semeador ilustra as diversas reações
frente ao anúncio do Reino de Deus. Jesus é realista, e parte da constatação de
que 3/4 (ou 75%) dos seus interlocutores não compreendem adequadamente e não
aderem de verdade à novidade do reino de Deus. Ver e ouvir significa discernir, compreender e aderir. E isso
implica em converter-se, mudar o modo de pensar e de agir. A responsabilidade
recai sempre sobre a decisão do ouvinte, e não sobre a qualidade da semente.
Jesus não analisa as causas que concorrem para isso, mas acena para
algumas delas. Em geral, elas convergem na insensibilidade e na má vontade para assumir um processo de
mudança que pode ser exigente. Por isso, muitos grupos e pessoas,
especialmente as elites religiosas, olham sem ver (os sinais de Jesus e a
opressão que recai sobre o povo) e ouvem (a pregação de Jesus) sem realmente
escutar. Assim, percebem a necessidade de mudar e são curados de sua cegueira e
dureza de coração.
Entretanto, Jesus não fica refém das lamentações e acusações. Ele se alegra com a adesão dos pequenos e
humildes que acolhem sua mensagem se fazem seus discípulos. Não são muitos,
mas são semente, sal e luz. Tornando-se discípulos e entrando na escola
itinerante de Jesus, eles são a
confirmação da vontade de Deus, e se juntam à grande caravana dos profetas e
justos do Antigo Testamento. Por isso, podem e devem participar da alegria
de Jesus!
Sugestões para a meditação
Usando
de imaginação, procure inserir-se na cena relatada pelo evangelista e interagir
com os discípulos e com Jesus
Deixe
ressoar em sua mente e em seu coração o elogio de Jesus aos discípulo: “Eu lhes
garanto: muitos justos e profetas desejaram ver o que vocês estão vendo, mas
não viram; desejaram ouvir o que vocês estão ouvindo, e não ouviram!”
Não
corremos, como fiéis e como Igreja, o risco de olhar sem ver, de ouvir sem
escutar, ou seja: de adaptar o Evangelho de Jesus aos nossos interesses e
medos?