Jesus propõe uma
família baseada na igualdade
1172 | Tempo Comum | Semana XIX | Sexta | Mateus 19,3-12
Há alguns dias estamos lendo e meditando as
orientações de Jesus para a encarnação da novidade do Reino de Deus nas relações
comunitárias e sociais. Hoje, a atenção
se volta para as relações no interior da família, especialmente para as
relações conjugais. A reflexão de Jesus é oportunizada por mais uma
pergunta provocadora vinda da boca dos fariseus, que se posicionam como adversários
de Jesus.
O ensino de Jesus é uma contundente defesa da dignidade das mulheres, no
contexto de uma cultura patriarcal, na qual o
marido tem direito de vida e de morte sobre a mulher. A família nascida da cruz de Jesus e reconfigurada pelo Reino de Deus
rejeita de forma inequívoca as relações patriarcais, que eram aceitas como
normais e normativas no mundo cultural romano e judaico. Mas essa aceitação e
defesa volta de modo inesperado nos albores do século XXI.
Para Jesus, o
matrimônio deve ser entendido em outra perspectiva, sem o domínio da figura
masculina. Os fariseus tinham dificuldades de entender e aceitar isso. Para
eles, a mulher fazia parte das propriedades do homem e a ele deveria ser
submissa. Mas, para Jesus, as relações
matrimoniais devem ser pautadas pela igualdade, pela reciprocidade, pela
solidariedade e pela unidade. Este é o querer de Deus sobre o casal humano.
Esta é a família verdadeiramente cristã e tradicional!
Os fariseus e doutores da lei fazem uma leitura distorcida da Lei, e dizem que é ordem para todos aquilo que Moisés permitiu apenas como
exceção. Mesmo fazendo essa concessão à dureza dos homens, Moisés pediu garantias à mulher divorciada, limitando o “direito ao
despejo”. Jesus, por sua vez, propõe uma releitura da vida conjugal a
partir da vontade original de Deus, sublinhando que homem e mulher se tornam uma unidade profunda, e nada deve desfazê-la.
Isso escandaliza os discípulos, contaminados também eles pela ideologia
patriarcal. Jesus não se incomoda, e radicaliza ainda mais: além de tomarem
como modelo as crianças, seus discípulos podem também se espelhar nos eunucos,
outro grupo de pessoas desprezadas e marginalizadas pela excludente cultura
patriarcal.
Sugestões para a meditação
Como
você vive a vocação de ser uma só carne (comunhão, reciprocidade e
solidariedade) na vida conjugal?
Em
que medida vocês conseguem superar as relações ditadas pelo patriarcalismo e
pelo individualismo?
Você
tem conseguido superar uma compreensão machista e excludente da Palavra de
Deus?
Como
são tratadas as mulheres, as crianças e as pessoas homo afetivas na sua família
e na sua Igreja?