Crítica sem autocrítica pode ser hipocrisia
1119 | Tempo Comum |
Semana XII | Segunda-feira | Mateus 17,1-5
Continuamos na primeira
etapa de formação que Jesus oferece a seus discípulos missionários. Ele é
realista, e sabe que somos comunidades
de homens e mulheres imperfeitos, de pessoas que ainda têm muito caminho
pela frente. Quando Jesus nos pede que sejamos perfeitos como o Pai é perfeito,
na verdade está pedindo que nos
empenhemos e perseveremos no caminho de crescimento, e não propriamente uma
perfeição. Hoje ele ilustra o que significa ter coração puro.
Tendo escolhido Jesus como mestre, precisamos desenvolver
relações e práticas coerentes com a novidade do Reino de Deus, tanto no âmbito
social como no interior da comunidade. Partindo da convicção de que todos somos pecadores e limitados,
precisamos conjugar a correção das
faltas dos com uma serena e profunda capacidade de autocrítica. A crítica
sem autocrítica, sem o cultivo de um olhar e um coração puros, pode virar
hipocrisia e descambar para a intolerância e a exclusão.
Jesus não diz que devemos “fechar o olho” diante
das faltas que marcam a vida comunitária, mas pede que nosso olhar sobre os outros seja correto. Precisamos equilibrar nossos juízos, evitando
criminalizar os outros para declarar-nos inocentes. E não podemos cair na tentação de ocupar o lugar de Deus, a quem
compete o julgamento final. Privar os outros de misericórdia é impedir a misericórdia
de Deus para conosco mesmos. A balança
ou a trena com que medimos os outros serão aplicadas também a nós.
Com o exemplo do cisco no
olho do irmão e da trave no nosso próprio olhar, Jesus oferece um critério
fundamental: julgar e condenar os outros
sem autocrítica é ridículo e hipócrita, e isso é inaceitável para um
discípulo missionário. Na revisão de
vida, o “eu” vem antes que o “tu” e o “eles”. Se invertemos a prioridade,
deixaremos de ser comunidades alternativas, capazes de fecundar a história com
a novidade do Reino de Deus, com sementes de justiça, de acolhida e de
fraternidade.
Sugestões para a meditação
Deixe
ressoar em você cada palavra e cada frase dessa lição sobre a correção fraterna
na comunidade familiar e cristã
Detenha-se
na imagem do cisco e da medida (balança ou régua) que Jesus propõe como
metáfora na prática da correção fraterna
Você
também tende às vezes a ceder a um julgamento implacável, a uma crítica sem
autocrítica, a um olhar condenatório sobre os outros?