A paz de Jesus
Cristo é mais forte que o medo!
1071 | Tempo Pascal
| 5ª Semana | Terça-feira | João 14,27-31
Estes
breves versículos são densos. Eles são a conclusão da primeira parte do diálogo
de Jesus com os discípulos, após a ceia. Jesus vê nos olhos deles o medo e,
mesmo assim, não os poupa da verdade: ele deve ir, deve partir, ausentar-se
brevemente. Mas o faz para voltar mais tarde, e voltar plenamente. Por isso,
deixa-lhes a paz, e quer que vivam alegres e confiantes, como discípulos
maduros.
“Paz”
é a palavra de despedida da comunidade judaica. Utilizando esta saudação, Jesus
sublinha que não o faz como todo mundo costuma fazer. É sua saudação pessoal,
que não é um adeus, mas um “até breve”, com reforço no advérbio de tempo. Ele
não se despede, porque ele vai para voltar, ele vai e fica, ele vai ficando.
Esta sua ida é indispensável, porque nela tornará concreto o amor de Deus pela
humanidade.
Jesus
diz que não poderá falar muito porque sua partida é iminente e o tempo é breve.
Na verdade, será preso naquela mesma noite. Por isso, fala da aproximação do
“chefe deste mundo”, que personifica as forças e estruturas que oprimem,
inclusive em nome da religião. Mas Jesus deixa claro que este chefe não tem
força de mando ou poder de intimidação sobre ele: quem tem a Palavra é o Pai.
Jesus decide
trilhar o caminho da paixão e morte não porque “o chefe deste mundo” tem poder
sobre ele, mas porque assim cumprirá a vontade do Pai, que o quer radicalmente solidário
com as vítimas de todos os tempos, sinal concreto do imenso, generoso e eterno
amor do Pai. Isso não deixará dúvidas sobre a autenticidade da sua mensagem e
da sua identificação com o querer e o agir do Pai.
Jesus prefere entregar sua vida ao invés de ceder à
lógica do mundo, e, assim, o vence. Por isso, é bom que ele vá ao Pai, passando
pela cruz. Sua acolhida nos braços daquele que “é maior” é a confirmação de que
ele, humano que é, vem do Pai, fala o que ouviu do Pai e faz aquilo que vê o
Pai fazer. E convida os discípulos a levantar e seguir com ele. Quem o vê, vê o
Pai. E isso é mais que suficiente.
Sugestões para a
meditação
Coloque-se
mentalmente junto aos discípulos, perturbados com o anúncio da sua morte e com
a previsão de que seria traído
Acolha
as palavras de despedida de Jesus, a afirmação de que vai para voltar, que vai
ficando, o seu “até breve!”
Tome
consciência dos medos, fragilidades e carências que perturbam você, sua família
e sua comunidade
Procure
experimentar a alegria que nos vem da certeza de que é bom para nós que Jesus
volte ao Pai, que o enviou e sempre o envia