Importa semear sempre, e ser terra boa e fértil
1139 | Tempo Comum |
Semana XV | Domingo | Mateus 13,1-23
Como sabemos, a compreensão das parábolas engaja os
ouvintes, provoca uma tomada de posição. Jesus apresentou à multidão a parábola
do semeador, ao que parece, originalmente focalizada
no personagem que faz a semeadura. Era uma ilustração da própria missão de
Jesus. Jesus é quem espalha a semente do
Reino de Deus, de mão aberta, e sem excluir nenhum tipo de terreno.
Posteriormente, a interpretação da parábola passa a depender tanto do contexto
literário original como do contexto existencial, social e eclesial do leitor.
No texto de hoje, o evangelho de Mateus nos
apresenta, na sequência da parábola, também uma das suas possíveis interpretações. Essa releitura é feita no contexto da rejeição do Evangelho do Reino
de Deus experimentada pela Igreja nascente. Por isso, o foco se desloca do semeador para o destino das sementes, para a
qualidade do terreno que recebe a semeadura, vale dizer, do evangelizador
para a atitude dos ouvintes do Evangelho do Reino.
Um primeiro
grupo de ouvintes é aquele dos que ouvem o anúncio do Reino sem se envolver e
entender, e a novidade desaparece sem sequer ter germinado. Um segundo grupo de interlocutores recebe o
anúncio do Reino com alegria, intuiu seu valor, mas não o aprofunda, não
reflete, fica na superficialidade, e, diante da perseguição, tropeça, definha e
abandona o seguimento de Jesus. Há um terceiro
grupo que acolhe e compreende o Reino de Deus, mas é a ambição e não Deus quem
comanda suas decisões, de modo que o reino de Deus acaba asfixiado.
Na explicação que oferece sobre o dinamismo do
Reino expresso na parábola, Jesus é muito realista, e constata que três quartos (ou 75%!) dos seus
interlocutores não compreendem adequadamente e, consequentemente, não aderem à
novidade do reino de Deus. Mas ele não deixa de se alegrar com a adesão dos
25%, os pequenos e humildes que compreendem, se comprometem, e se fazem discípulos.
Estes últimos são os discípulos missionários que dão uma resposta generosa e fecunda de
100, 60 e 30 por 1! É verdade que três sobre quatro ouvintes desistem e fracassam
no caminho, mas, por causa de apenas um, a semeadura do Reino não fracassará!
Por isso, importa tanto semear sempre
como ser terreno bom, que acolhe a semente e dá o melhor para que os frutos
sejam abundantes e bons.
Sugestões para a meditação
Como
você tem escutado e acolhido a Boa Nova do Reino de Deus nestes tempos de
mudanças profundas, de transição e de crise?
A
Palavra de Deus ressoa mais vivamente em você, provoca eco, germina, produz
frutos? Quais?
O
que ainda impede que você seja terreno bom, no qual a semente da Palavra produz
cem, sessenta ou trinta por um?