Quem faz a vontade do Pai é da família de Jesus
1143 | Tempo Comum |
Festa de Nossa S. do Carmo | Mateus 12,46-50
Jesus acabara de acusar as autoridades religiosas
de serem incapazes de discernir sua identidade de Messias, enviado pelo Pai
para anunciar e inaugurar seu Reino. Depois, Jesus deixa a sinagoga. Na cena de
hoje, ele está em uma casa com seus discípulos. Essa casa é um lugar de encontro e convivência de uma nova família, uma
família alternativa, que relativiza os tradicionais laços de raça e de
sangue.
Mateus diz que alguém
avisa Jesus que sua mãe e seus irmãos estão lá fora, e desejam falar com ele.
Eles se aproximam respeitosamente, sem interromper a ação missionária de Jesus.
Estariam movidos pela saudade? Pelo desejo de que ele volte para casa? Pela
vontade de segui-lo? Estar dentro ou
fora dessa casa delimita claramente a pertença ao “círculo” de Jesus e do Reino
ou a auto exclusão dele.
A novidade do Reino de Deus, esperada há séculos e
trazida por Jesus, implica em uma mudança nas relações sociais, econômicas,
religiosas, políticas, mas também das relações familiares. É no horizonte do Reino de Deus que Jesus questiona e supera o modelo
de família patriarcal, baseada nos laços de sangue e na submissão ao homem
e senhor, sempre funcional aos sistemas estruturados sobre a dominação.
Jesus responde ao aviso da chegada dos familiares com uma pergunta, uma
declaração e um gesto. Ele pergunta quem são seus irmãos, suas irmãs e
sua mãe. Dirigindo-se aos discípulos e discípulas que o circundam, afirma, como
que indicando com a mão: “Eis minha mãe e meus irmãos! Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, este é meu irmão, minha
irmã e minha mãe!” Os discípulos são a sua família: nova, aberta, não
sujeita aos vínculos de sangue, de raça, de gênero, de religião. Nela, só Deus é Pai, e todos são iguais em dignidade!
Nós cremos que Maria também
está neste círculo, nessa nova família, pois ninguém mais que ela
viveu para realizar prontamente a vontade do Pai. Nisso ela é modelo de mãe,
irmã e discípula. Mas é importante também que nos sintamos incluídos por Jesus
no âmbito da sua família. Somos seus
irmãos, irmãs e sua mãe, se fazemos a vontade do Pai. Mais que poderosa
intercessora por nossos pedidos nem sempre evangélicos, Nossa Senhora do Carmo
nos guia na busca de Deus e na escuta de Jesus. A verdadeira homenagem que podemos prestar a Maria é alargar a tenda da
nossa família, acolher todos como irmãos e entrar no círculo de Jesus.
Sugestões para a meditação
Procure
inserir-se na cena relatada pelo evangelista e interagir com os diversos
personagens que aparecem
Como
ressoa em você o questionamento de Jesus aos que falam em nome de sua família e
sua resposta a eles?
Você
se sente efetivamente e com alegria irmão ou irmã de Jesus e de todos aqueles
que vivem seu Evangelho?