Não há seguimento de
Jesus sem renúncias!
1255 | Tempo Comum |
31ª Semana | Quarta | Lucas 14,25-33
A ligação desta cena com a anterior
parece ser as desculpas da elite religiosa e econômica de Israel para não
aceitar o convite à festa do Reino: “Acabei de casar e, por isso, não posso ir;
comprei um campo, e preciso ir vê-lo; comprei cinco juntas de boi, e vou
experimentá-las”. Os interesses
individuais parecem-lhes álibi suficiente para não se engajar na obra de Deus e
não participar daquilo que é bem comum.
Diante de uma relativa multidão que
manifesta disposição de segui-lo, Jesus
volta a enfatizar a prioridade do Reino de Deus sobre vínculos familiares e
interesses pessoais, pedindo que cada um avalie os riscos e exigências da
opção, a fim de “não fazer feio” e “cair fora” logo depois de ter iniciado com
entusiasmo.
Para deixar isso bem claro, Jesus recorre a duas parábolas: a primeira
fala do planejamento e dos recursos para a construção de uma torre; a segunda
se refere à preparação dos soldados para uma batalha. Em ambos os casos, o sujeito em questão deve analisar bem os
recursos e forças disponíveis para concluir a obra.
Jesus já havia advertido seus
discípulos sobre o risco de sofrer uma morte violenta e ignominiosa, inclusive
em nome da religião. É como se no episódio de hoje ele quisesse dizer aos
candidatos a discípulos que o seguir é
uma decisão muito comprometedora. Usando um ditado popular, não se trata de
entrar na omelete como entra a galinha (dando os ovos) mas como participa o
porco (dando a carne).
É claro que, com essas parábolas, Jesus não pretende desencorajar ninguém.
O que ele quer é advertir-nos que não é
possível aderir ao Reino de Deus pela metade, iludir-se com a possibilidade de
servir a dois senhores. A perseverança pressupõe uma decisão lúcida e
consciente, que precisa sempre contar com as renúncias e riscos. Não dá para
mandar amontoar cadáveres e, em seguida, cantar na missa.
Lucas conhece a inconstância e os
sinais de retrocesso das comunidades diante das dificuldades que enfrentam. O núcleo dos perigos é o apego às riquezas,
das quais a família patriarcal é um dos elos importantes. Mas o questionamento
de Jesus também nos faz refletir sobre um cristianismo vivido no “oba-oba”.
Sugestões para a meditação
A maioria de nós
iniciou a caminhada da fé cristã sem reflexão e consciência sobre as exigências
que ela comportaria
O que tínhamos
presente era apenas um conjunto de obrigações e proibições de ordem moral, que
não tocavam nos bens
Hoje, com a aguda
consciência que temos, precisamos renovar essa opção avaliando bem os custos e
as nossas possibilidades
O que é que está
nos pressionando mais e tornando menor nossa adesão ao Evangelho, dificultando
a nossa perseverança?