Estamos atentos aos
sinais do fascismo?
1243 | Tempo Comum |
29ª Semana | Sexta | Lucas 12,54-59
No
episódio do evangelho de ontem, Jesus nos dizia que veio atiçar o Fogo do Espírito para que incendeie,
revele e purifique nossas intenções e projetos. Falando desse Dom Dinâmico, Jesus fala do dom de si
mesmo, feito de uma vez por todas no alto do Calvário, dom que inunda o mundo
qual enxurrada, que espalha o fogo que acende mil outros focos, como gostava de
dizer Santo Alberto Hurtado. Jesus dizia também que é urgente que isso
aconteça, e que nossa lealdade com a justiça do Reino de Deus está acima dos
laços familiares.
No trecho que lemos e
meditamos hoje, Jesus continua enfatizando
a transcendência de cada momento que vivemos e a urgência de entendê-lo bem, de não adiar nem fazer de menos da
nossa missão de reconciliar, de recriar a fraternidade entre pessoas e povos,
como nos ensinou o Papa Francisco. Para ilustrar a importância do tempo que se
chama hoje, Jesus lança mão de duas
pequenas parábolas e de uma experiência acessível às pessoas do seu tempo.
Precisamos adquirir um faro afinado para
discernir o que é justo e bom, o que é urgente, o que é necessário; e para
discernir entre aquilo que, à luz do Evangelho, é essencial e aquilo que é
secundário.
Jesus está
dirigindo-se à multidão, em meio à qual estão seus discípulos. As parábolas se
referem às nuvens e ao vento, que, para as pessoas
experientes, prenunciam chuva ou calor. A sabedoria dos bons observadores do
tempo interpela e estimula os discípulos de Jesus na capacidade e na urgência
de compreender os pequenos sinais do
Reino presentes na história, e de acolhê-los como chamado à
responsabilidade. Não podemos apenas recordar e repetir o passado! Precisamos perceber os sinais do fascismo
que rondam nossas casas e as urnas...
Quem segue Jesus precisa aprender a identificar o querer de Deus inscrito nos acontecimentos e colocá-lo em
prática. Se a repetição de costumes do passado não é suficiente, é irresponsabilidade deixar tudo para
amanhã, imaginando que Deus fará aquilo que compete a nós. O tempo urge, e o aqui e agora representa a
última possibilidade para refazer as relações de fraternidade, e não
podemos arriscar o futuro das novas gerações. A experiência da reconciliação
dos adversários ainda a caminho do tribunal não é sintoma de medo ou de
fraqueza, mas sinal de sabedoria e esperteza aprendidas no caminho com Jesus.
Sugestões para a meditação
Retome e reconstrua o fato, a parábola e a
conclusão de Jesus, prestando atenção à força das palavras e comparações
Acolha este ensino que Jesus dirige ao povo em
geral, e deixe-se iluminar pelas metáforas da nuvem e do vento
O que você, sua família e sua comunidade podem
fazer para não perder “o trem da história” a viver já aqui, e em todas as relações,
a novidade do Reino de Deus.