Onde está o seu
tesouro e a sua segurança
1239 | Tempo Comum |
29ª Semana | Segunda | Lucas 12,13-21
Chamando Jesus de
mestre, o personagem sem nome da cena do evangelho de hoje não está expressando
sua adesão a ele. Jesus percebe a ironia
da saudação e as contradições do demandante, tanto que, respondendo, dá a
entender que, se não for aceito como mestre, também não pode ser buscado como
juiz. No fundo, Jesus percebe que este
indivíduo não é uma pessoa em necessidade e nem candidato a discípulo.
Trata-se de alguém queimado pela ganância. Mas essa situação proporciona a
Jesus a oportunidade de falar sobre a relação do discípulo com os bens.
“Atenção! Guardai-vos contra todo
tipo de ganância, pois mesmo que se tenha muitas coisas, a vida não consiste na
abundância de bens”. Esta é a reação de Jesus ao perceber que, por trás de
muitos pedidos de “justiça”, não está uma necessidade, nem uma sede de justiça,
mas o desejo de possuir bens. E, para sublinhar a seriedade da sua exortação,
propõe uma parábola na qual o protagonista é uma pessoa radicalmente voltada
para si mesma, extremamente ambiciosa, que fala e decide tudo sozinha e não se
interessa por mais ninguém.
No final de uma safra bem-sucedida,
o personagem diz a si mesmo: “Meu caro, tens uma boa reserva para muitos anos.
Descansa, come, bebe e goza da vida”. Como não lembrar aqui a parábola do rico
que festeja indiferente à miséria de Lázaro que jaz à sua porta (Lc 16,19-31)?
Segundo Jesus, as pessoas que agem assim
são desprovidas de qualquer resquício de razão, vazias de qualquer valor humano,
e passam longe da piedade cristã. São o tipo de indivíduos que, com suas
decisões, cavam abismos que os separam dos demais “simples humanos”.
Mas, se o acúmulo desmedido de bens
é tolice e pobreza humana, o que significa ‘ser rico diante de Deus’? Está
claro que, para Jesus, o problema não
está nos bens em si mesmos. O mal dos bens está no obstáculo que podem
interpor à liberdade radical e ao engajamento no movimento do Reino de Deus,
que passa pela partilha solidária.
O Reino de Deus é
a pérola preciosa e o tesouro que vale mais que tudo, o terreno no qual brota o
trigo que vai para a mesa dos pobres, o ventre no qual é gerada a nova
humanidade.
Aos ricos, o que falta não são armazéns novos, mas uma visão mais solidária e
um coração mais generoso. A pessoa rica diante de Deus aumenta o tamanho da
mesa, para acolher, e não as dimensões do celeiro!
Sugestões para a meditação
Preste
atenção nas palavras do protagonista da parábola: o “eu” está no centro de
tudo, ocupa todo o seu pensamento
Quais
as luzes que a parábola e o ensino de Jesus trazem para quem só pensa em
acumular, e para quem não tem nem o necessário?
O
que significar hoje ser “rico diante de Deus” e “não ajuntar tesouros para si
mesmo”?