Todos os mandamentos
convergem no amor
1179 | Tempo Comum | Semana XX | Sexta | Mateus 22,34-40
Já dissemos que os capítulos 21 e 22 de Mateus
apresentam o confronto permanente entre Jesus e o reino de Deus com a elite
dirigente do judaísmo e a lógica excludente do templo. Nos trechos omitidos
entre os textos de ontem e de hoje (v. 15-33), Jesus discute com os saduceus
sobre a ressurreição e a legitimidade do imposto exigido pelo império romano.
Com seus argumentos, Jesus calou a boca dos saduceus.
Mas o silêncio dos saduceus não é vergonha,
capitulação ou inércia. Eles se aliam
aos fariseus e mestres da lei para colocar Jesus novamente à prova. Desta
vez, provocam Jesus a distinguir, entre os muitos mandamentos, aqueles que
seriam grandes e relevantes, e aqueles que poderiam ser vistos como
secundários. Jesus responde sublinhando
a unidade dos mandamentos, e não a hierarquização. As leis da aliança e a
perspectiva profética se entrelaçam na prática do amor.
Jesus responde à provocação acenando para aquilo
que o livro do Deuteronômio apresenta no capítulo 6: o horizonte dos mandamentos é o amor profundo e integral a Deus,
inseparável do amor social e cotidiano ao próximo. Não se trata de atos
ocasionais de amor ou de simples sentimentos, mas de uma visão social e estrutural, que conjuga o amor ao próximo ao amor a
Deus, do qual decorre.
Como Jesus havia anunciado no capítulo 5 de Mateus,
a Lei e os Profetas, ou seja, todas as
escrituras, dependem disso! Em outras palavras: o maior e mais importante dos mandamentos é a fidelidade e a
perseverança integral e diária na prática da compaixão ativa, humanizadora e
libertadora nas relações com os irmãos. E isso não é um entre outros
mandamentos, mas o coração pulsante da inteira experiência e vontade de Deus na
história.
Isso constitui o núcleo ou fio de ouro da pregação de Jesus e do caminho
ético que ele propõe. Sem esse amor, a
fé se torna moralismo e legalismo vazio, e os projetos de promoção social se
esvaziam em políticas de ocasião. É nesse amor, na afirmação prática da
dignidade do outro e no serviço solidário e perseverante às suas necessidades,
que se revela e se sustenta a verdade e a solidez da fé. Nada vem antes nem
está acima disso!
Sugestões para a meditação
Você
leva a sério a centralidade do amor integral e fiel a Deus e ao próximo no qual
está presente como a síntese da lei e da profecia?
Você
percebe em você e na sua comunidade a tentação de acentuar exageradamente a
obediência a Deus e a moral em detrimento do amor ativo e compassivo ao
próximo?
Como
a Igreja poderia ensinar e explicitar melhor esse fio vermelho em seu ensino e
em sua prática pastoral?