É o amor incondicional que dá vida ao mundo
1101 | Tempo Comum |
Solenidade de Corpus Christi | João 6,51-58
Nos versículos da
catequese de Jesus sobre o Pão da Vida propostos para a Solenidade de Corpus
Christi, o diálogo de Jesus se desloca das multidões (interlocutores dos versos
anteriores) para os líderes do judaísmo. No
centro, está a questão do caminho que leva para a vida plena e abundante:
esse caminho seria a Lei (o ditado
de Deus) ou seria a adesão à pessoa ou a
humanidade de Jesus (o enviado do Pai) e o prosseguimento da sua prática?
Para o judaísmo, Lei era conjunto de valores e práticas
(atitudes, mandamentos, proibições) que
garantiam que uma pessoa chegasse a ser e fosse considerada boa, ou seja, os
meios que asseguravam a salvação. É o
que hoje chamamos de ideologia: o conjunto de fins e meios, valores e
práticas que nos tornam “pessoas de bem”, pessoas pacíficas: viver “cada um para
si”; ensinar que “quem pode mais chora menos”; afirmar que “direitos humanos
são para os humanos direitos”; etc.
Os líderes do judaísmo consideraram
incompreensível e inaceitável que Jesus, em sua concretude e fragilidade humana
(carne e sangue) pudesse ser esse caminho. Para
eles, não existia outro caminho senão o poder, a separação, a supremacia de uns
sobre outros, a distância em relação àqueles “que não rezam pela sua
cartilha”, enfim, não poderia haver outro caminho que não fosse a Lei. O que Jesus fizera alimentando uma multidão
faminta carecia de importância.
Jesus insiste que não há outro caminho para a vida abundante
que não seja a assimilação da compaixão que nos faz irmãos e servidores da
humanidade, a ponto de dar a própria vida. Isso fica claro na expressão “carne
e sangue”, que Jesus repete cinco vezes nesse breve texto. Na sua paixão, antecipada
simbolicamente na ceia e no lava-pés, ele
dá seu corpo e sangue e se torna pão para a vida do mundo. Ele é o pão que
desce do céu e dá vida ao mundo.
Jesus de Nazaré, o Enviado do Pai para dar vida ao mundo,
o Filho do Homem que encarna a compaixão de Deus, supera a Lei. O amor
incondicional vivido por ele e assimilado pelos discípulos é o que dá vida ao
mundo. Quem come deste pão, viverá eternamente. É disso que a Eucaristia,
corpo e sangue de Jesus, é sacramento! É
diante desse mistério que nossos joelhos se dobram e nossos lábios cantam.
Sugestões para a meditação
Acolha
e deixe ressoar em você o ensino de Jesus em relação à Lei e aos costumes
judaicos e o caminho para a vida plena
Que
luzes esta catequese de Jesus nos oferece para uma correta compreensão do
mistério da presença de Jesus na Eucaristia?
O
que fazer para não separar a Eucaristia da ação concreta de Jesus e da missão
de reconciliar e fraternizar o mundo?
Como
passar da ideia de uma “hóstia branca”, presa no sacrário ou exposta no
ostensório, a um Jesus caminhando com o povo nas estradas e lutas da vida?