Jesus aceita
mulheres como suas discípulas
1208 | Tempo Comum | Semana XXIV | Sexta | Lucas 8,1-3
Os três versos do trecho do
evangelho de hoje nos apresentam Jesus anunciando a boa notícia do Reino de
Deus, missão na qual é acompanhado e
auxiliado pelo “grupo dos doze” e por um bom número de mulheres. A maioria
delas fora libertada de um passado de dominação, medo e exclusão e beneficiada
pela misericórdia de Jesus Cristo. Não
se trata de pecadoras no sentido moral, mas de pessoas que, por motivos
diversos, eram tratadas como pouco importantes, de segunda categoria.
Que Jesus tenha admitido
mulheres como discípulas é algo bastante claro nos evangelhos, mas também muito
inusitado. Os pais escolhiam mestres e educadores para seus filhos, mas não
para suas filhas. Por mais importantes que fossem na dimensão afetiva e na
educação dos filhos, as mulheres eram confinadas ao mundo doméstico. Nesse
aspecto, Jesus representa uma novidade e
uma ruptura. A novidade do Reino de Deus gera relações de partilha, serviço e
autonomia.
As mulheres que acompanham
Jesus, nomeadas pelas escrituras ou não, não são explicitamente chamadas de
discípulas, mas o são de fato. Elas “caminham atrás de Jesus”, seguem seu caminho, e aparecem em nível de
igualdade com o grupo dos doze. As mulheres aparecem nos evangelhos como
servidoras eficazes – como diaconisas! – e
são modelos daquilo que se espera de todo discípulo missionário de Jesus e do
Reino de Deus. O que poderíamos esperar mais que isso?
O que congrega e caracteriza
este grupo amplo e diversificado de pessoas que seguem Jesus é a plena dedicação a ele, a disposição de deixar-se educar e formar na
sua “escola”, a dedicação ao anúncio da boa notícia do Reino de Deus e o
testemunho de abertura, acolhida, partilha e fraternidade. A novidade de
Jesus se mostra na comunidade que o segue, e esta é uma comunidade sem fronteiras,
que acolhe mulheres e outras tantas categorias de excluídos!
Que belo exemplo, e que provocação contundente, Jesus faz às
nossas igrejas, ainda tão masculinas e resistentes ao pleno reconhecimento do
jeito feminino de viver a missão! E isso deve ser dito mais incisivamente a
respeito da nossa velha e amada Igreja Católica Apostólica Romana. As diferenças entre homem e mulher não podem
implicar em hierarquização e exclusão. Não podemos mudar aquilo que Jesus nos
deixou como herança e mandamento.
Sugestões para a meditação
Você tem se esforçado para reconhecer a plena
dignidade das mulheres e não tem impedido que tenham lugar e importância como
os homens?
Por que a igreja católica ainda não consegue
incluir plenamente as mulheres nos seus ministérios e postos de direção e
decisão?
O que fazer para que a Igreja seja coerente com
Jesus no tratamento inclusivo das mulheres e outras categorias de pessoas
menosprezadas ou excluídas?