Todos os que fazem o bem estão com Deus
1218 | Tempo Comum | Semana XXVI | Segunda | Lucas 9,46-50
Os discípulos enfrentam uma terrível dificuldade de entender e aceitar o
caminho de despojamento e compaixão pelo qual Jesus vai realizando sua
missão, e que serve de critério e paradigma para a missão futura deles mesmos.
Enquanto Jesus sublinha essa “opção não opcional” e se empenha em corrigir as
posturas equivocadas dos discípulos, eles gastam
preciosas energias discutindo quem deles é o maior.
Isso está estampado no rosto
deles, e Jesus não precisa que ninguém o informe o que está acontecendo. Para
Jesus, o bom, o melhor entre os humanos
é o que se faz igual a todos. Para ele, todas as pessoas têm dignidade e
são acolhidas por Deus, inclusive prostitutas e outras pessoas tratadas
publicamente como pecadoras. Sendo assim, não
há motivo para competições e ciúmes destruidores.
Jesus oferece esta
importante lição a seus discípulos recorrendo a duas linguagens: um gesto e uma afirmação fundamental. Primeiro, chama uma criança (sujeito social
insignificante e desprezado) para junto de si (lugar cobiçado por aqueles que
se consideravam mais importantes). Depois, declara
que ele mesmo é igual a esta criança desprezada, e afirma que aquele que
faz algo de bom a ela, o faz a Jesus, pois o menor é que deve vir primeiro
lugar. Para Jesus, grandes são os pequenos, e aqueles que os acolhem, defendem
e se colocam a serviço deles.
Até aqui, Jesus está
tratando das relações internas da comunidade, pedindo que seus discípulos e discípulas se relacionem como Jesus se
relaciona com cada um deles. Mas, em seguida, Jesus passa à relação entre aqueles que o seguem e fazem parte do grupo
definido de discípulos e outras pessoas que o seguem de modo diferente, mas
prolongam no mundo a compaixão que ele praticou e pediu.
Como vimos em vários outros textos que
já refletimos, os discípulos querem
proibir que pessoas que não estão com eles façam o bem em nome de Jesus.
Pensam que somente eles podem agir em nome de Jesus. Mas Jesus não pensa assim,
e diz um “Não!” claro e contundente à tentação do elitismo e da competição. Quem não está contra os discípulos
missionários de Jesus, está a favor do reino de Deus. Todas as pessoas que
agem com justiça e equidade pertencem ao Povo de Deus.
Sugestões para a meditação
Como você se sente e que desejos movem você na atuação como liderança
da comunidade eclesial?
Como você vê, trata e fala dos cristãos que pertencem a outras igrejas
e pregam e agem em nome de Jesus e seu Evangelho?
Qual o sentido atual das afirmações “aquele que entre vocês é o menor,
este é o maior” e “quem não está contra vocês, está a favor”?
Que iniciativas
poderíamos tomar para “preparar espaços para Jesus”, mas sem afastá-lo do
caminho que o leva à Cruz?