Um bom discípulo
amadurece como apóstolo
981 | Tempo Comum | 4ª Semana | Marcos 6,7-13
No episódio anterior (v. 1-6), o esperado encontro de
Jesus com sua família e seus conterrâneos de Nazaré terminou em desencontro.
Jesus percebeu que, como ocorreu com muitos profetas, ele não era reconhecido pelas
pessoas mais próximas, tanto do povoado como da própria família. Familiares e
conterrâneos também são vítimas da ideologia que não consegue acreditar na
força dos fracos.
Mas
Jesus não se rende às objeções, vindas da elite religiosa e muito disseminadas,
a um Deus que assume a condição humana. Os sinais mais eloquentes e
transformadores do Reino de Deus vêm exatamente da ação dos pequenos e
marginalizados. Que eles atuem de forma pública e transformadora é um sinal da
libertação já conquistada. O Reino de Deus não depende da eficácia dessas
ações, pois o fato de os amordaçados falarem já é a libertação em curso.
Indiferente
a este desprezo, Jesus põe sua confiança naquela gente pequena e desprezada que
ele acolhe e escolhe para ser o início simbólico da sua comunidade-semente, da
nova família que ele reúne em torno do Evangelho. E, mais tarde, os envia para
multiplicar sua ação emancipadora por doze, sem o apoio de meios potentes, que
só fazem impressionar e intimidar. Seria como negar com os fatos a Boa Notícia
que anunciavam com as palavras.
É
este o significado das recomendações que Jesus faz àqueles e aquelas que envia:
não levar reserva de alimentação, nem reserva técnica de dinheiro; dispensar
também as roupas desnecessárias; levar apenas o cajado e calçar sandálias, para
facilitar e agilizar a caminhada. Mas Jesus pede que eles não deixem de fazer o
que é indispensável: não atuem sozinhos, mas em companhia de outros; larguem
mão dos pensamentos elitistas, que menosprezam os pobres; curem os doentes e
libertem as pessoas dominadas, para que possam viver plenamente; evitem
retaliações violentas contra aqueles que não os ouvem nem acolhem.
Eis o essencial da missão, em
qualquer tempo e lugar: sair ao encontro como amigos e hóspedes; confiar na
força libertadora da fragilidade; manter a abertura e o diálogo; fazer o bem
sem olhar a quem. Um bom discípulo torna-se bom mestre e apóstolo.
Sugestões para a meditação
Em que
medida nós e nossas comunidades ainda não conseguimos aceitar a importância das
ações frágeis e pequenas?
Você
acredita mesmo que este mundo será melhor quando o menor que padece acreditar
no menor?
Como superar
a tentação de confiar apenas nos meios potentes e nos agentes mais poderosos
para desenvolver nossa missão?
Deixe-se
seduzir por Jesus Cristo, o Deus na carpintaria e na cruz, assumindo uma vida
simples e priorizando os meios frágeis