Jesus critica e
condena as posturas farisaicas
1207 | Tempo Comum | Semana XXIV | Quinta | Lucas 7,36-50
No
final da parábola que antecede o texto de hoje Jesus sentenciava: “A sabedoria
foi justificada por todos os seus filhos”. Os filhos e filhas da sabedoria são
as pessoas que entendem e seguem Jesus, os pobres e pecadores, e não os mestres
da lei ou os fariseus. Isso é reforçado no episódio de hoje.
Estamos diante de uma obra-prima da arte narrativa que usa de forma
exuberante tons de simpatia e delicadeza. O fariseu Simão recebe Jesus
em sua própria casa, e está cercado de gente do seu círculo de amizade, num
clima de cumplicidade e confraternização. Mas eis que aparece do nada uma
visita embaraçante, que se dirige a Jesus com um gesto profundamente
desconcertante.
Uma mulher conhecida
como pecadora (não quer dizer que o seja de fato!) entra na sala, se coloca
atrás de Jesus chorando, lava os pés dele com suas lágrimas, enxuga-os com seus
próprios cabelos, beija-os e unge-os com perfume. Jesus aparentemente não faz caso disso, e até aprova o gesto da mulher.
Ele entende o sentido do gesto, mas Simão abre a boca contra Jesus, mesmo sem
pronunciar palavras. Ele se pergunta que tipo de profeta é Jesus se aceita
coisas desse tipo.
O mais surpreendente e
eloquente da cena é que Jesus não se
preocupa com a situação da mulher, mas com a atitude preconceituosa e
excludente de Simão e seus colegas. Enquanto os fariseus e doutores da lei
consideram o gesto da mulher inoportuno e ambíguo, para não dizer condenável,
Jesus o vê positivamente, como reconhecimento da misericórdia que Deus vem
manifestando nas suas ações. Este da mulher é um gesto de amor agradecido. Ela diz tudo sem palavras.
O pensamento crítico de Simão é próprio de quem esquece ou esconde
que é pecador, e revela que seu conceito de profecia não é correto. Para Jesus,
o gesto da mulher não tem nada de ambíguo, e, mediante a parábola dos dois
devedores perdoados, afirma que quem
está em pecado e não foi perdoado é o próprio fariseu e aqueles que pensam e
agem como ele: são mais preconceituosos que religiosos.
Simão não reconhece sua condição de pecador e, com isso, se fecha
ao perdão e à gratidão. E a mulher, porque perdoada, expressa sua confiança e
gratidão a Jesus. O modelo a ser imitado
não é o fariseu, mas a mulher pecadora. É ela que vive uma fé que tem força
libertadora e regeneradora. E nós, com quem nos parecemos?
Sugestões para a meditação
Retome, em todos os delicados detalhes e nuances, a
cena que se desenvolve na casa do fariseu Simão
Visualize as reações dos diferentes sujeitos, entre
na parábola de Jesus, e deixe-se ensinar por seu gesto e sua palavra
Você se reconhece como pecador perdoado, como
profundamente amado por Deus, se relaciona com as pessoas sem preconceitos, e é
capaz de mostrar gratidão?