Que o pão da vida chegue a todas as mesas!
1160 | Tempo
Comum | Semana XVIII | Domingo | Mateus 14,13-21
Depois de ter provocado escândalo na
sua própria terra e de ter tomado conhecimento da prisão e do martírio de João
Batista, Jesus parte para uma região deserta e afastada, tomando distância dos
lugares onde o poder mostra mais sua ferocidade. Não quer entrar num jogo de
cartas marcadas e assume conscientemente a margem. Sente necessidade de outros
ares e de buscar inspiração junto ao Pai.
As multidões cansadas e abatidas deixam as
cidades e seguem Jesus a pé. Têm a intuição de que é da periferia que pode
nascer uma alternativa. Sabem que os centros de poder são como uma figueira
estéril. Jesus vê a multidão e, movido pela compaixão, cura e reinsere na
sociedade muitas pessoas doentes e marginalizadas. Para ele, socorrer seu povo
não é um apêndice da missão, mas sua razão de ser!
No entardecer das possibilidades de ajuda, os
discípulos percebem a fome do povo, mas não conseguem vislumbrar uma solução fora
da lógica do império. E pedem que Jesus despeça a multidão para que cada se
vire. Querem entregar os famintos às leis do mercado, bem ao estilo do “cada um
para si e Deus por todos”. “Eles não precisam ir embora. Vocês é que têm de
lhes dar de comer”.
Os discípulos tentam disfarçar seu
descompromisso sublinhando os exíguos recursos disponíveis frente a tão grande
necessidade. Mas está longe do pensamento de Jesus uma Igreja feita apenas de
doutrina e de ritos religiosos, uma comunidade que se compraz em lavar as mãos
diante das tragédias que se abatem sobre o povo. Ele não tolera instituições
que entregam seus membros à lógica dos impérios!
“Tragam isso aqui”, diz Jesus. Ele quer deixar
bem claro que a saída não é nem cada um pensar em para si, nem considerar o
povo faminto um simples objeto de caridade. Para Jesus, o povo é soberano, e as
autoridades religiosas e políticas devem estar a seu serviço. Mas não é cristão
um amor que se preocupa apenas com a vida dos membros da sua denominação
eclesial ou dos seus compatriotas!
O alimento
suficiente para saciar a multidão faminta aparece quando Jesus assume o
protagonismo e os discípulos colaboram com ele. Hoje, o cumprimento da ordem
“deem vocês mesmos de comer” começa com a adoção de um estilo de vida sóbrio
pelos setores sociais e povos ricos e com a erradicação da exploração comercial
dos países ricos sobre os pobres. É para isso que a Eucaristia nos remete e
conduz.
Sugestões para a meditação
Acompanhe
Jesus e os discípulos na sua retirada para o deserto, alertado pelo martírio de
João Batista e a “procissão” de pessoas necessitadas que os seguem
O
que significa, para você, sua família e sua comunidade a ordem de Jesus: “Deem-lhes
vocês mesmos de comer”?
Como
poderíamos evitar o desperdício de alimentos em nossa própria casa, e
destiná-los a quem deles necessita?