A vida missionária é
complicada e cheia de graça
983 | Tempo Comum | 4ª Semana | Marcos 6,30-34
No episódio do envio dos apóstolos ao “estágio
missionário” (cf. Mc 6,7-13), a ênfase recaía sobre as instruções de Jesus para
a missão. Na crônica sobre a trama e morte de João Batista (cf. Mc 6,14-29), o
evangelista sublinhava o recorrente confronto entre reis arrogantes e
enfraquecidos com os profetas que não calam a verdade. Este é o caminho e o
destino de Jesus, s os discípulos que ele envia também devem preparar-se para
isso.
No
episódio de hoje, Marcos descreve o que acontece quando os discípulos voltam do
breve “estágio missionário”. Eles foram enviados como missionários itinerantes,
dedicados integralmente ao anúncio e realização do Reino de Deus, absolutamente
dependentes da hospitalidade alheia. Voltando, eles se reúnem com Jesus e
compartilham o que haviam feito e ensinado.
Atento
ao cansaço e aos limites do apostolado deles, Jesus os convida para um retiro
de descanso e de aprofundamento do seu ensino. Este descanso ou retiro se faz
necessário, pois é muita gente chegando para pedir socorro, e isso pode limitar
até as condições para se alimentar adequadamente. Mas a proposta de descanso se
torna uma lição de dedicação incansável ao Reino de Deus, concretizada na
compaixão pelo povo necessitado.
De
fato, enquanto os discípulos que apenas estreavam como apóstolos ainda tinham
dificuldades de reconhecer a identidade de Jesus, as multidões cansadas e
abatidas, abandonadas pelos seus líderes e pastores políticos e religiosos,
intuem quem é Jesus, depositam nele suas derradeiras esperanças e chegam antes
deles no desejado “retiro”. É isso que relatam os versículos subsequentes.
A dedicação incansável de Jesus ao povo, e sua ação
curadora e emancipadora, é a lição que faltava aos apóstolos. A missão não é
uma etapa, um momento, uma entre outras atividades que nos ocupam. A divina e
humana compaixão não conhece agenda. E as pessoas descartadas pelos “pastores”
de plantão são a prioridade dos discípulos missionários. Mesmo quando se
retiram para a oração e a formação, o povo está presente por todos os lados.
Sugestões para a meditação
Releia o texto com atenção, acompanhando o retorno dos
apóstolos, o convite ao descanso, a multidão que os rodeia
A formação, a oração, as celebrações e outras demandas da
vida cristã não podem ser obstáculos ao “ministério da compaixão”
A verdadeira evangelização (anúncio da Boa Notícia de
Deus) se concretiza e culmina na compaixão demonstrada nas ações
Em que medida é a humana e divina compaixão de Jesus que
dinamiza nossa formação, nossa oração e nossa missão?