Venceu a astúcia
interesseira do machado
O Brasil se define como uma república
democrática. República (“coisa
pública”) é uma concepção de Estado baseado na igualdade de todos perante a
lei, na alternância do exercício de governo, na independência dos poderes, na
soberania do povo e na busca do bem comum. Democracia
(“poder do povo”) é um sistema de governo no qual o poder político pertence ao
povo, que o exerce diretamente ou mediante representantes que elege livremente.
No último domingo, o Brasil foi às urnas para
escolher os cidadãos e cidadãs aos quais vai delegar seu direito de elaborar e
aprovar leis e executar políticas que atendam seus interesses e assegurem a
plena cidadania política e social a todos os cidadãos. Tanto os meios de
comunicação social como os próprios agentes políticos e as autoridades
constituídas gostam de proclamar em alto e bom tom que esta foi uma grande celebração
da democracia.
Longe de mim negar o valor do voto universal e
das eleições periódicas, transparentes e livres. O voto do empresário tem o
mesmo peso que a escolha do operário. A vontade do militante vale tanto quando
o voto de protesto do indiferente. Em tese, estamos livres dos sistemas
autocráticos e monocráticos, pois a independência e a harmonia entre os poderes
estão asseguradas. Sim, as eleições são uma grande e bela festa da democracia!
Mas, para que seja real e não uma mera
formalidade, a democracia tem alguns pressupostos. E o primeiro elemento que o
efetivo exercício da democracia supõe é a correta compreensão daquilo que
chamamos povo e da sua vontade objetiva. Povo não é um conceito fluido e indiferenciado, mas uma maioria
qualificada que se diferencia e opõe àquilo que chamamos elites (econômica, cultural, financeira, política). O poder emana
dele, e está a serviço dele.
Quanto à vontade
objetiva e legítima do povo, não
podemos presumir ingenuamente que seja aquilo que se revela no resultado das
urnas. Uma coisa é a vontade objetiva,
que coincide com suas necessidades e direitos fundamentais (à vida, à
liberdade, ao trabalho, à saúde, à educação, à segurança, ao bem-estar, etc.);
outra é a vontade subjetiva, que
sofre influência dos medos (reais ou produzidos), das ambições e das
manipulações da cultura e da mídia.
O resultado das urnas reflete esta vontade manipulada
pela grande mídia e pelas big techs.
Mais de 90% dos brasileiros deploram a corrupção, mas os envolvidos no caso Master foram eleitos! 80% querem o fim
das bets e 70% querem o fim da escala
6x1, mas os candidatos que as defendem foram os eleitos! Os trabalhadores e
aposentados lutam por aumento de salários e pensões, mas elegeram políticos que
são contra. As árvores da floresta tombam uma a uma, mas o machado as convenceu
que é uma delas por ter o cabo de madeira...