Jesus é o pão que
sacia nossa fome de justiça
1057 | Tempo Pascal
| 3ª Semana | Terça-feira | João 6,30-35
Na
segunda parte da catequese sobre o pão, que tem as marcas do debate e da
controvérsia, a multidão exige de Jesus um
sinal de sua divindade, como o sinal do maná. Jesus diz que ele mesmo é
este sinal, e que maná seria apenas um símbolo que remete a ele, que é o dom
superior e definitivo de Deus. Nele, o Deus poderoso se apresenta vulnerável e
frágil, acessível e próximo.
Este
ensino de Jesus resolve pouco, e a multidão murmura. “Que sinal fazes para que
possamos crer em ti? Que obra fazes?”, questiona a multidão. Aquela gente não
entende o sinal do pão, e acrescenta, quase como uma acusação a Jesus: “Nossos
pais comeram o maná no deserto”. Esperam de Jesus obras mais espetaculares, que
impressionem e resolvam suas necessidades sem deles exigir compromisso.
Jesus
responde destacando que a crença e a expectativa deles estão baseadas numa
falsa compreensão do passado. Eles precisam olhar para o presente e reconhecer
os sinais que Deus está realizando agora, e em favor do seu povo hoje. “Não foi
Moisés quem vos deu o pão que veio
do céu. É meu Pai que vos dá o
verdadeiro pão do céu”! Jesus põe a ênfase no presente, e nos interlocutores
que o questionam.
Jesus
passa, então, a falar claramente de si mesmo como sendo o pão verdadeiro. “Pois
o pão de Deus é aquele que desce do
céu e dá vida ao mundo”. Descendo
sempre, fazendo-se carne, colocando-se no lugar do ser humano necessitado,
superando a indiferença e respondendo com compaixão às suas necessidades, Jesus
abre caminho à abundância, à vida plena.
Diante dessa afirmação, a multidão parece entender,
mas sua compreensão ainda é superficial. O pedido “Senhor, dá-nos sempre desse
pão” denota, de novo, a busca de uma solução sem compromisso. E Jesus avança,
de modo mais claro ainda: “Eu sou o pão
da vida! Quem vem a mim não terá mais fome”. Que ninguém espere coisas, mas
acolha e sua proposta, e a vida deixará de ser carência e se fará farta.
Sugestões para a
meditação
Jesus questiona o que move as multidões ao
seu encontro: o que motiva você a procurar e escutar Jesus Cristo hoje?
Qual é o sinal que você espera para poder
crer nele? Um milagre retumbante, uma cura, a solução das aflições da
humanidade?
Sua fé se baseia mais nos sinais que Deus
realizou no passado, ou naquilo que ele manifesta no tempo presente?
Em que medida Jesus Cristo e seu Evangelho
alimentam suas utopias e iluminam suas buscas?