Jesus é o enviado para levantar os oprimidos
1145 | Tempo Comum |
Semana XV | Sábado | Mateus 12,14-21
Jesus havia questionado fortemente o ensino e a prática dos fariseus,
orgulhosos da sua piedade ostensiva, afirmando a
prioridade da vida sobre a lei. Isso ficou muito claro nos episódios dos
discípulos que colhem trigo para comer em dia de sábado e na cura do homem com
mão seca (cf. 12,1-8 e 12,9-13), o primeiro dos quais lemos e comentamos ontem.
Os fariseus sentem o golpe, mas não desistem. Na verdade, por causa disso decidem tramar a morte de Jesus.
Sabendo disso, Jesus
se retira do ambiente da sinagoga. Uma multidão de gente necessitada, mesmo
sem conhecer bem Jesus, vai atrás dele em busca de alívio para seus fardos. E Mateus
diz que ninguém volta sem ser
beneficiado. O que a religião oficial do judaísmo e seus agentes não
conseguem ou não querem fazer, Jesus faz, sem descanso e sem impor condições.
Mas ele rejeita toda forma de
publicidade pelo bem que faz, e isso é bem diferente de alguns pregadores
que conhecemos.
Nesse momento, o
evangelista busca na profecia de Isaías a chave para bem entender a identidade
e o modo de agir de Jesus. Jesus é o Servo anunciado pelo profeta, uma
realização plena e superior do resto humilde e fecundo do povo deportado. Sendo Servo, Jesus não assusta nem oprime,
mas traz vida e bem-viver. O Servo (a palavra hebraica é a mesma para dizer
“servo” e “criança”) é aquele que faz em tudo a vontade de Deus, e não a sua
vontade ou a vontade das instituições.
Jesus é também o filho Amado do Pai, aquele que realmente o agrada, pois o amor compassivo e misericordioso é a base e a motivação de tudo
o que ele diz e faz. Jesus é o ‘escolhido a dedo’ por Deus Pai para realizar sua
missão libertadora da humanidade e, para isso, foi ungido e recebeu o dinamismo do Espírito de Deus. Ele recupera
a sociedade e o mundo decaídos e diminuídos pelas mais diversas forças de
opressão, e os faz como Deus os sonhou.
Sendo o Servo, o Amado e o Escolhido, Jesus evita gastar tempo em discussões teóricas e não se ocupa com a
própria defesa. Ele não grita nas praças, como faziam os mensageiros dos
imperadores. Ele não é peso ou ameaça para quem está atribulado e fragilizado,
como pavio que vai se apagando. Ele não quebra quem já está ‘moído’ e arrasado
pela dominação, como a cana. Ele é a
esperança de todos povos, a visita de Deus que estabelece sua morada definitiva
na humanidade.
Sugestões para a meditação
Acolha
e deixe ressoar em você as imagens eloquentes do profeta Isaías: Servo, Amado,
Escolhido, Enviado.
Como
poderemos testemunhar um Jesus Cristo que não grita para se impor, não quebra
quem já está machucado, que não esmaga quem já está arrasado?
Você
não acha que gastamos muito tempo e energia defendendo-nos e em discussões
estéreis com quem se opõe ao Evangelho?