Quem ama cumpre
integralmente toda a Lei
1060 | Tempo Pascal
| 3ª Semana | Sexta-feira | João 6,52-59
Neste penúltimo
trecho da catequese que Jesus após a multiplicação dos pães e dos peixes, a
reflexão se concentra sobre a condição humana e vulnerável de Jesus (sua
“carne” e seu “sangue”). No centro da polêmica está a questão do caminho que
assegura a vida plena: a Lei ou a pessoa humana concreta e frágil de Jesus?
O judaísmo chamava “Lei” ao
conjunto de valores e práticas (proibições e mandamentos) que garantiam que uma
pessoa fosse boa; em outras palavras, que garantiam a salvação. É o que hoje
chamamos de ideologia: conjunto de fins e meios, valores e práticas que nos
tornam “pessoas de bem”, diferentes e melhores que os outros. Hoje, são leis
como “cada um para si”; “quem pode mais chora menos”; “direitos humanos são
para os humanos direitos...
Os líderes do judaísmo oficial consideraram
inaceitável que Jesus Cristo, na concretude da sua compaixão e da sua humana
fragilidade pudesse ser o caminho para o bem-viver, para uma pessoa ser
agradável a Deus. Para eles, não existia outro caminho senão o poder, a
separação, a supremacia de uns sobre outros, a distância em relação àqueles
“que não rezam pela nossa cartilha”.
Jesus, por sua parte, insiste que
não há caminho para a vida abundante que não passe pela assimilação daquela
compaixão que o faz irmão e servidor da humanidade, especialmente das pessoas
excluídas, a ponto de dar a própria vida. Isso fica claro na expressão “carne e
sangue”, que Jesus repete quatro vezes nestes breves versículos. É na sua
paixão e morte que ele dá seu corpo e sangue e se torna pão para o mundo.
Salva-se quem assimila sua humanidade.
Assim, Jesus de Nazaré, o Enviado do Pai para dar vida
ao mundo entregando livremente sua vida, o Filho do Homem que demonstra em
sinais a compaixão de Deus assume e supera o Antigo Testamento, mostra que a
Lei caducou. O amor de Jesus, assimilado por seus discípulos, é o que dá vida
ao mundo. Quem come deste “pão”, viverá eternamente, e saciará a fome e a sede
da humanidade.
Sugestões para a
meditação
O
que significa a insistência de Jesus, que fala quatro vezes em “comer” sua
carne e “beber” seu sangue?
Será
que não nos enganamos ainda hoje, pensando que o que nos salva é o “poder” de
Jesus, e não sua compaixão e humanidade?
Em
que apostamos “todas as nossas fichas”, porque cremos que somente isso nos dá
vida e salvação?
O
que significa viver “por causa de Jesus”, assim como ele viveu “por causa do
Pai” que vive e o enviou?