Nada pode estar
acima da misericórdia
1183 | Tempo Comum | Semana XXI | Terça | Mateus 23,23-26
Estamos acompanhando a
atuação de Jesus em Jerusalém, onde ele se confronta com o templo e é atacado
pelos sacerdotes, pelos mestres da lei e pelos fariseus. Jesus faz uma
série de críticas aos fariseus e escribas, que começa no versículo 1º do
capítulo 23: eles não fazem o que ensinam e, além disso, impõem pesados fardos
ao povo e estão atrás de reconhecimento e notoriedade.
O texto de hoje faz parte de uma série de sete “maldições” ou críticas que Jesus dirige a eles por
excluírem o povo do Reino de Deus, por fazerem dos convertidos cidadãos e
crentes piores que eles mesmos, por serem guias
cegos e por falsificarem a Palavra de Deus em benefício de seus interesses.
No pequeno texto de hoje temos a quarta, a quinta e a sexta maldições ou
críticas de Jesus a eles.
Na quarta maldição, Jesus
acusa os escribas e fariseus de praticar e ensinar uma visão parcial da vontade
de Deus, pois eles fazem e ensinam muitas pequenas coisas, mas ignoram a justiça e a misericórdia, que
estão no centro do coração de Deus. Assim, eles não são como cegos que se
oferecem para guiar outros cegos. Dão
importância aos detalhes e fazem menos caso da compaixão.
A quinta e a sexta maldição acusam esses líderes de incoerência e hipocrisia, pois vivem de aparências e disfarçam a ambição,
o roubo e a violência que se escondem dentro deles que movem tudo o que
fazem. Roubo significa pilhagem violenta, e cobiça é descontrole na posse, no
sexo e nas acusações injustas. Segundo Jesus, o centro da vida dos fariseus e doutores da lei está nas coisas e não
nas pessoas.
A dura crítica de Jesus é originalmente dirigida aos
fariseus e mestres da lei, mas, muitos anos depois, quando Mateus escreve o
evangelho, quem está em questão são os discípulos e discípulas de Jesus. É uma crítica recordada e atualizada “para
o consumo interno” da comunidade, visando a conversão e a coerência de vida
dos discípulos do final do primeiro século e de hoje.
Na condição
de discípulos missionários, precisamos estar atentos ao risco da incoerência e da hipocrisia, pois elas não são privilégio
dos fariseus. Ou será que às vezes, por trás de palavras formais e gentis, não
se esconde um arrogante desprezo? E será que tantas picuinhas e regras que
apregoamos não matam a compaixão?
Sugestões para a meditação
Procure
ler ao contrário: o que Jesus e o Reino de Deus pedem ou esperam daqueles que
seguem este caminho
Seguindo
o que fala Jesus, você seria capaz de identificar as principais incoerências e
contradições dos líderes cristãos e políticos de hoje?
Você
seria capaz de identificar e dar nome às contradições e incoerências que rondam
você, sua família e sua comunidade em relação ao Evangelho de Jesus?