A lei é superada
pelo amor e pela misericórdia
991 | Tempo Comum | 6ª Semana | Mateus 5,17-37
Mateus nos
mostra que, na sua primeira “catequese” mais extensa, Jesus nos propõe uma
justiça mais ampla, profunda e humana que aquela ensinada e praticada pelos
escribas e fariseus. Sua advertência é clara e inequívoca: “Se vossa justiça
não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos
Céus”. Já diante de João Batista, Jesus já antecipara: “Devemos cumprir toda a
justiça”! (3,16)
Jesus oferece alguns exemplos de cumprimento radical
da Lei. O primeiro é no campo das
tensões nas relações interpessoais, contemplada pelo mandamento “Não matarás”! Na
ótica da nova ética do Reino de Deus, o conteúdo desta lei não se resume em
evitar o homicídio, mas passa pela pacificação das relações e pela superação
das posturas raivosas e da linguagem eivada de desprezo, preconceito e
violência, como aquela tão comumente usada hoje nas redes sociais.
O segundo exemplo
está situado no campo da espiritualidade e da liturgia. Jesus critica o culto
que ignora as tensões e não leva à reconciliação. A vida concreta é mais
importante que os ritos religiosos, e a percepção dos conflitos tem primazia
sobre a ortodoxia. “Deixa a tua oferenda diante do altar e vai primeiro
reconciliar-te com teu irmão”. Devemos nos reconciliar antes da chegada ao
tribunal do incerto fim da vida.
Os dois exemplos
seguintes estão no âmbito das relações homem-mulher. O primeiro focaliza a
questão do adultério, e afirma que a lei tem a função de educar para uma
relação que não seja possessiva. Sabemos que o dinamismo que sustenta
comportamentos sexuais descontrolados é sutil: passa do olhar viciado e
interesseiro, que não reconhece a dignidade da pessoa, à palavra que humilha e
despreza e, enfim, à violência fatal que elimina a vida da parceira.
Jesus também reprova a dominação do homem sobre a mulher, mesmo quando
sancionada pela cultura e pela lei. Dizer que a lei permite ou que é costume
não desculpa nem justifica ninguém. Este é o horizonte da proposta de Jesus no
caso do divórcio. A permissão legal do divórcio legitimava o descompromisso do
marido com a mulher, e garantia ele o direito de maltratá-la e execrá-la
publicamente, mas a ética do Reino de Deus restringe o poder ilimitado e
violento dos homens.
Sugestões para a meditação
Releia
o relato, dando atenção às palavras e exemplos que Jesus oferece de uma justiça
superior àquela dos doutores da lei
Qual
é o procedimento que a sociedade de hoje considera justo em relação à
violência, ao culto, às relações conjugais e ao sexo?
Concordamos
verdadeiramente com a radicalização de Jesus nesses campos, e tiramos as
consequências disso?
Procure
dar sequência aos exemplos de Jesus em outras áreas da vida, como a economia, a
política, as relações internacionais...