Não é possível servir
a Deus e às riquezas!
1258 | Tempo Comum |
31ª Semana | Sábado | Lucas 16,9-15
O texto evangélico de hoje é um conjunto de sentenças unidas em torno do
tema do dinheiro. Jesus vai buscá-las na sabedoria popular e as usa para
aplicar e tornar mais concretas as lições da parábola do administrador esperto,
que meditamos ontem. Este conjunto de sentenças precisa ser lido à luz da citada parábola, assim como da parábola do
pai e dos dois filhos, pois exemplificam como ser filhos da luz.
No centro das sentenças está a
questão do correto uso dos bens. Na perspectiva de Jesus e do reino de Deus, a posse e o uso de bens, tanto no âmbito
pessoal como institucional ou empresarial, só se justifica quando eles forem subordinados
à finalidade de socorrer as necessidades e consolidar as relações de
fraternidade e solidariedade. Nosso ‘patrão’ e senhor é Deus, ele é o dono
de tudo, e nós somos administradores que devemos agir sob suas ordens.
Não há como ser amigo de Deus e, ao mesmo tempo, amigo das
riquezas. A experiência da escravidão ensina
que um escravo não pode pertencer a dois proprietários. Da mesma forma, não há como ser discípulo de Jesus e
continuar sendo meio egoísta e meio solidário, meio mentiroso e meio verdadeiro.
Temos que escolher! A solidariedade e a verdade não são divisíveis ou
quantificáveis.
O discípulo de Jesus precisa servir a Deus com inteireza e
integridade, viver na lógica da partilha e da gratuidade, como o pai
misericordioso, que gastou um monte de dinheiro para refazer os laços com o filho
vulnerável e necessitado. Ou como o
pastor que dedicou um tempo enorme para resgatar e proteger uma única ovelha
sob risco. O Reino de Deus não assegura nem direitos nem méritos.
Segundo Jesus, os fariseus são amigos
do dinheiro, e não amigos de Deus e dos amigos de Deus. Por isso, os discípulos
de Jesus devem tomar distância deles, comportar-se diversamente. Quem é correto
no uso dos bens é elevado, enquanto quem só pensa em si mesmo e nos seus
interesses é rebaixado. E quem é correto no pouco que administra, habilita-se
para grandes responsabilidades.
Quem usa os bens em benefício da humanidade necessitada
presta culto a Deus. Quem se submete à lógica do acúmulo de poder e de dinheiro
e não consegue pensar senão em si mesmo, se submete a um ídolo. Não é possível conciliar estas duas lealdades. Não nos
esqueçamos da parábola do camelo e do buraco da agulha!
Sugestões para a meditação
Considere também
o exemplo do pai misericordioso, que empenha todos os bens (que não pertencem
totalmente a ele) para acolher o filho (15,11-32)
Leia e releia as
sentenças e as confronte com seus interesses, e com as atitudes e opções dos
bilionários e trilionários mais conhecidos