Deus prioriza sempre os mais necessitados
1013 | Quaresma | 3ª Semana | Segunda | Lucas 4,24-30
Depois de termos refletido ontem sobre
a cena na qual Jesus se apresenta como fonte de água viva que sacia nossa sede
de infinito, hoje somos levados à estreia da sua vida pública em Nazaré. E ele
começara “demarcando o campo”, lendo um trecho do profeta Isaías e terminando
com uma breve e explosiva “homilia”: “Hoje se cumpriu essa passagem da
escritura que vocês acabaram de ouvir”.
A reação dos seus conterrâneos e coetâneos é
contraditória: por um lado, admiração e aplausos; por outro, escândalo,
críticas e até ameaças. Enquanto uns se impressionam pela coragem e sabedoria
das suas palavras, outros tropeçam na sua origem humilde e pobre. Ademais, sua
postura não supremacista e pouco nacionalista por alargar as fronteiras da sua
missão para todos os pobres começa a causar estranheza e incômodo inclusive aos
mais próximos.
Jesus conhece a história da profecia. Deus não
considera a primazia dos vínculos étnicos, tribais e nacionais na sua ação
libertadora. E os profetas, quando autênticos, se movem na mesma direção e com
a mesma liberdade. Por isso, sofrem rejeição por parte daqueles que se
consideram melhores, superiores, mais merecedores, começando pelos que lhes são
mais próximos ou parecem mais piedosos.
Jesus não realiza nenhum milagre em benefício
exclusivo dos seus conterrâneos e, com isso, frustra suas expectativas. Ele não
se submete aos interesses de pequenos grupos. Os caminhos de Deus seguem outra
lógica: Deus prioriza as pessoas e grupos sociais mais necessitados, aqueles que
não contam e não valem aos olhos dos grupos que controlam o poder, aqueles que
são “diferentes” ou “estão longe” e, por isso, são tornados invisíveis e são
menosprezados.
Jesus busca como prova
dessa lógica de Deus dois fatos antigos. Mesmo que existissem muitas viúvas
pobres em Israel, o profeta Elias socorreu apenas uma viúva estrangeira. Mesmo
diante de muitos leprosos hebreus, Eliseu priorizou a cura de um leproso
estrangeiro. Cabe-nos assimilar e viver o amor sem fronteiras de Deus. É este o
caminho da conversão nesta quaresma.
Sugestões para a meditação
Leia atentamente a narração desta primeira
manifestação e rejeição pública de Jesus na cidade de onde se criara
Dá para entender que, recordando Elias e
Eliseu, Jesus está pedindo que a Igreja abra suas portas às pessoas discriminadas?
Em que medida também nós estaríamos
alimentando a ideia de que Deus deve beneficiar primeiro os “nossos”?
No horizonte da Campanha da Fraternidade,
quem faria parte desses grupos considerados desprezíveis e “estrangeiros”?