O perdão é sempre
incondicional e ilimitado
1171 | Tempo Comum | Semana XIX | Quinta | Mateus 18,21-19,1
Nos capítulos 16 a 18 do seu evangelho, Mateus nos
apresenta as orientações fundamentais de Jesus para que a comunidade de
discípulos e discípulas assuma um estilo de vida alternativo, inovador,
profético e crítico em relação aos estilos então predominantes. Nos textos de
ontem e de hoje Jesus aborda a questão
do enfrentamento das tensões e ofensas nas relações comunitárias.
Para ser fiel a Jesus, a comunidade cristã deve praticar o perdão como uma ação contínua e
reiterada. O pedido de desculpas e o perdão não têm limites de tempo, nem
restrições de pessoas ou de grupos. Sem isso, a vida em comunidade é inviável,
e a liderança e a autoridade podem decair em opressão. O perdão concedido aos irmãos e irmãs é expressão viva do perdão
recebido do Pai e decorrente dele.
Jesus ilustra isso com uma parábola, focalizada no
sujeito do perdão. Jesus não costuma apresentar os reis como imagem de Deus, e
sim os pais de família. Mas a parábola
de hoje sublinha que, como o rei dessa história, Deus exige que seus filhos e
filhas perdoem, porque foram antes perdoados. O perdão do rei tem pouco a
ver com o perdão recebido e praticado pelos cristãos. Diferentemente do perdão
do rei, o perdão de Deus não é condicionado e revogável, mas definitivo e
incondicional.
Os 10 mil talentos devidos ao rei por um dos seus servos correspondem a
um ano dos tributos cobrados de Israel pelo imperador romano (uma fortuna que mal podemos imaginar!), enquanto que a dívida do empregado inferior corresponde
a apenas 100 dias de trabalho. A diferença é descomunal. Isso ressalta a
imensa diferença entre as dívidas, entre o perdão que recebemos de Deus por
Jesus e o perdão que devemos dar aos irmãos e irmãs que incorreram em débitos
conosco.
Note-se que o rei não aceita dar mais prazo ao devedor, como ele mesmo
pedira, mas perdoa a dívida de forma
incondicional e plena. Nisso, ele simboliza a compaixão ilimitada de Deus.
Mas o outro empregado não dá prazo, nem perdoa, e se mostra mais cruel que o
próprio rei. Para Jesus, gentileza gera
gentileza, perdão gera capacidade de perdoar. Para o cristão, o perdão é
norma e obrigação, não uma opção!
Sugestões para a meditação
Todos
já vivemos a experiência de ofender uma pessoa próxima e querida, ou de ser
ofendido por outros
Mesmo
que o perdão que recebemos dessas pessoas possa não ter sido pleno e total,
Deus não nos tratou assim
Recorde
suas experiências de ser perdoado pelas pessoas próximas, e, principalmente,
por Deus
Você
já se percebeu tentado a colocar condições e limites ao perdão que os outros
lhe pedem?