Betânia é a casa dos pobres e dos amigos
1156 | Memória de
Marta, Maria e Lázaro | João 11,19-27
Marta, discípula e amiga de Jesus, é mais conhecida
pela passagem de Lucas, onde ela aparece atazanada com os afazeres domésticos e
reclamando da passividade de Maria, sua irmã, empenhada na escuta de Jesus. Ambas moram em Betânia e são irmãs de
Lázaro. Este núcleo de amizade
fraterna é frequentado com gosto por Jesus. O texto ilumina a memória dos
três santos, que o Papa Francisco propôs à Igreja.
A cena de hoje faz parte de um conjunto literário
maior, que relata a enfermidade, a morte e o reerguimento de Lázaro. O pequeno fragmento oferecido à meditação de
hoje começa com um clima de desolação e lamentação. A desolação é ainda
maior porque todos sabem que Jesus fora avisado da enfermidade do amigo, e não
quis mudar sua agenda a tempo de chegar para curá-lo. Os judeus se mostram
amigos de Marta e Maria, e chegam para consolar as duas irmãs pela morte de
Lázaro.
Marta sai ao encontro de Jesus ainda na estrada, e
começa o diálogo manifestando sua dor e censurando-o: “Se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido...” Ela espera
de Jesus um benefício, pois o considera um potente curador. Não sabe o que significa o seu amor, e
vê Jesus como apenas um mediador poderoso da ação de Deus. Sua crença na ressurreição é para o final dos tempos. Sua adesão a
Jesus é imatura, parcial e insuficiente, como a dos demais discípulos.
A passagem da morte para a vida se dá no encontro
pessoal e profundo com Jesus e na adesão de fé a ele. Porque Jesus é Vida, a morte não tem poder sobre ele e sobre quem
acredita nele. O “último dia” é antecipado na cruz, do alto da qual ele
abraça a humanidade sem excluir ninguém, e derrama seu Espírito de vida. Quem recebe o Espírito de Deus e se deixa
mover por ele não conhecerá a morte nem o medo.
Marta percebe que a crença
tradicional não é suficiente e pronuncia uma bela profissão de fé: Jesus é vida e ressurreição, o Ungido e
Filho de Deus, enviado para que todos tenham vida. Assim, ela chega à maturidade da fé, e não lamenta
mais a morte, porque conhece a Vida. E, como discípula missionária que
chegou à maioridade, ela nos ensina o valor da acolhida fraterna no seguimento
de Jesus.
Sugestões para a meditação
Você
se reconhece no lamento de Marta, que se interroga porque Jesus não evita ou
remedia certas situações dolorosas?
Você
crê firmemente que aderir a Jesus é passar da morte para vida já agora? Como
você expressa essa fé e essa adesão a ele?
Como
acolher a fé na ressurreição como dinamismo de esperança e compromisso
histórico, e não como desprezo da história concreta?
O
que você está disposto a colocar hoje nas mãos de Jesus para que ele ajude a
diminuir o sofrimento do seu povo?