Nós estamos à espera
daquele que nos ama
1254 | Comemoração
dos Fiéis Defuntos | Lucas 12,35-40
O texto do Evangelho escolhido para
iluminar a comemoração dos fiéis defuntos enfatiza a espera vigilante.
Jesus se dirige aos discípulos e discípulas, e sua fala está marcada pelo contexto de crise da espera e do
esmorecimento da confiança que os discípulos da comunidade de Lucas
enfrentavam com a demora do “retorno” de Jesus. A esperança é essencial para quem segue Jesus. Ninguém pode perder o
gosto de viver, mesmo quando a partida das pessoas queridas deixa um vazio
imenso.
Jesus ilustra esta
expectativa confiante recorrendo a duas
imagens (o cinto amarado na cintura e as lâmpadas acesas durante a noite) e
três parábolas. Para esperar
adequadamente o retorno do patrão da festa de casamento, o pessoal da casa deve
estar devidamente preparado:
acordado, com as lâmpadas da casa acesas e com o cinto apertado; sem nenhum
obstáculo que possa dificultar ações rápidas. E isso mesmo se o chefe da casa
demorar. Assim, podem abrir a porta, sem demora nem obstáculos. Nenhuma coisa ou causa pode nos desviar
desse foco. São Paulo repete que somos filhos do dia, que nossa vocação é
viver acordados.
Se Jesus partiu, ele
voltará, pois não foi embora. Disso os discípulos não podemos duvidar. Mas
também não podemos esperar passivamente,
“jogando-se nas cordas”. Precisamos ser como o pessoal da casa da parábola.
Jesus foi celebrar a aliança, e crer
nele significa ser uma Igreja em saída, mover-nos numa fé vigilante a ativa no
serviço aos irmãos e irmãs, com prioridade a quem mais precisa. É ela que
acende luzes na escuridão e aperta nossos cintos para que possamos caminhar com
segurança, uma vez que somos chamados a ser peregrinos de esperança.
Há
um encontro desejado e previsto também com nossos entes
queridos, mesmo que não saibamos quando, como e onde. Não parece razoável ficar à espera de possíveis sinais e manifestações
de “almas” que perambulariam por aí. A saudade que acende em nós o ardente desejo desse encontro não pode
nos induzir a viver despreocupados ou apenas resignados, esperando o tempo
passar. Assim, viveremos vigilantes na medida em que damos em tudo o melhor de
nós mesmos, e não abandonamos o que de melhor nos deixaram as pessoas que
partiram.
Sugestões para a meditação
Acolha deste texto as luzes e estímulos que você
necessita para viver responsavelmente e esperar realisticamente
Recorde agradecido o nome, o rosto, a história e a
melhor herança deixada pelas pessoas queridas que partiram
Tendo presente esta herança e o testemunho de
tantos cristãos, como você honrar a vida e não apenas sobreviver, honrar seus
falecidos e não apenas lamentar?
Como
não reduzir o “dia dos finados” a um dia de tristeza, lamento e revolta contra
Deus ou o destino?