A compaixão é a força da transformação
1123 | Tempo Comum |
Semana XII | Sexta-feira | Mateus 8,1-4
Depois de concluir a primeira etapa da
formação dos discípulos e discípulas, feita na montanha e concluída com o
chamado a construir a casa sobre a rocha (ouvindo e praticando a Boa Notícia de
Deus), Jesus desce da montanha para
continuar o processo formativo, agora na ação, mediante o testemunho. Jesus
ensina por aquilo que faz, e age de forma transformadora com aquilo que
anuncia.
Ele havia afirmado que são felizes, entre
outras, as pessoas que choram compartilhando a dor do próximo, assim como as
pessoas misericordiosas. Uma multidão de gente marcada pela dor e pela
esperança o seguia, porque só podiam contar com ele. Na cena de hoje, um leproso, que não poderia estar com a
multidão nem com sua própria família, se aproxima de Jesus, transgredindo os
preceitos, que o obrigavam a tomar distância e anunciar sua maldição.
O leproso
demonstra sua reverência e dependência, se ajoelha diante de Jesus e lhe faz um pedido: “Senhor, se
queres, tu tens o poder de me purificar”. Como a lepra, sendo uma contagiosa
doença de pele, era vista como impureza que excluía a pessoa da convivência
social, o leproso não pede apenas para
ser curado, mas para ser “purificado”. A purificação (ou o perdão) é a ação
interior e espiritual que se expressa na cura exterior ou física.
Jesus realiza o querer e o agir de Deus, por
isso afirma que ele quer sim purificar/curar aquela pessoa sofrida e excluída, quer que ela fique totalmente “limpa”, e
possa frequentar todos os espaços sociais e religiosos antes absolutamente
interditados a ela. “Purificado”, o leproso é reinserido na convivência
social, e tem o direito de ser tratado como ser humano e como cidadão.
Pode parecer estranho
que, fazendo algo que não poderia fazer segundo a lei judaica e denunciando a
incapacidade do templo de fazê-lo em nome de Deus, Jesus tenha enviado o homem “purificado” justamente ao
templo. Mas Jesus o faz por dois motivos: mostrando-se aos sacerdotes e
apresentando sua oferta, o homem adquire
o “passaporte” que lhe permite frequentar o templo e a sociedade; ao mesmo
tempo, demonstra “ao vivo e a cores” a
incompetência do pessoal do templo.
Sugestões para a meditação
Participe
desta cena e interaja com os personagens, descendo com Jesus da montanha,
misturando-se à multidão, observando o leproso
Quem
são hoje as pessoas e grupos sociais cuja presença e circulação na sociedade
não é bem vista, é indesejada ou é até proibida?
Quais
são os critérios que hoje a sociedade elitista e consumista estabelece para
excluir uma pessoa dos seus círculos?
Há
algo em você ou em sua família ou em sua comunidade que você vê como impureza,
que lhe tira a dignidade e a alegria de viver e conviver?