Converter-se e lutar por moradia digna
994 | Quaresma | Cinzas| Mateus 6,1-6.16-18
É desconfortável constatar que a
fraternidade precisa de uma campanha. Mas esta iniciativa da Igreja do Brasil, que
remonta a 1962, tem ajudado as comunidades a viver o espírito quaresmal numa
perspectiva comunitária e social. Neste ano, somos interpelados mais uma vez a
abrir os olhos para urgência de uma fraternidade que não se restrinja àqueles
que são do nosso círculo familiar ou de trabalho. Somos chamados à solidariedade
na luta por moradia digna para todos.
O profeta Joel grita: “Voltai para mim com
todo o vosso coração! Rasgai o coração e não as vestes! Voltai para o Senhor,
vosso Deus! Ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia!” E
Jesus, recomenda: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça diante dos
homens, só para serdes vistos por eles! Não façais como os hipócritas...” Até a
oração, a esmola e o jejum, podem ser corrompidos pelo desejo de causar boa
impressão e se deteriorar em perigosas tentações.
Jesus começa sua catequese com uma advertência
contundente: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente das
pessoas, só para serdes vistos por elas!” Jesus não é ingênuo, e percebe que a
busca de evidência e relevância pode contaminar até aquilo que parece mais
piedoso, como a esmola, a oração e o jejum. Estas práticas precisam ser
expressão de algo mais profundo: a conversão ao Evangelho, a solidariedade com
os necessitados e o cuidado da criação.
Jesus propõe uma
atitude fundamental para não correr este risco: evitar a busca do aplausos
deslocando o foco de nós mesmos e nossas instituições para Deus e o Outro. É
isso que nos justifica! O resto é teatro e espetáculo para impressionar as
pessoas incautas. O que vale todas as penas é a aprovação de Deus, que vê o que
é discreto e secreto, aquilo que ninguém vê, aqueles que ninguém quer ver e
reconhecer.
Quando Jesus fala
de “hipócritas”, está se referindo aos fariseus, pois eles se consideram
melhores, puros e superiores a todos os outros. Sob a aparência de piedade e de
fidelidade à lei de Deus, escondem e praticam a exterioridade, a arrogância, a
violência. Falando assim, Jesus não se cansa de prevenir também seus discípulos
contra esta permanente tentação que nos ronda quando nossa consideramos
melhores e mais piedosos que os outros.
Sugestões para a meditação
Como viver a fé de
forma dialogante, testemunhal e respeitosa numa situação tão minada e
polarizada como essa que o mundo vive hoje?
Como viver o
sentido cristão do jejum e da esmola numa sociedade regida pelo mercado e em
meio a tanta gente que passa fome?
Que atitudes e
compromissos podemos assumir para expressar nossa conversão externa e social em
torno da questão da moradia digna para todos?