Estamos entendendo
os sinais do Reino de Deus?
992 | Tempo Comum | 6ª Semana | Marcos 8,11-13
Os
três versículos deste trecho do Evangelho relatam a reação dos fariseus diante da
segunda distribuição de alimento à multidão necessitada, provocada, motivada,
organizada por Jesus, com a colaboração dos seus discípulos. Eles não se
alegram com a multidão satisfeita, nem estão dispostos a reconhecer nas ações
de Jesus a irrupção do Reino de Deus. Muito pelo contrário!
Marcos
nos diz que os fariseus saíram e começaram a discutir com Jesus e pedir a ele
um sinal que comprovasse claramente que ele era enviado de Deus e agia em nome
dele. Na verdade, eles querem testar ou tentar Jesus, como Satanás o havia
feito no deserto (cf. Mc 1,13). Seria Satanás um nome fictício para os fariseus
e outras lideranças de Jerusalém, todos aqueles que se opõem a Jesus e ao Reino
de Deus? Em todos os casos, a reação de Jesus aos questionamentos deles é dura
e cortante.
O
suspiro de Jesus enquanto reage é significativo, e manifesta irritação e
indignação. Será que o que faltava eram sinais da parte de Jesus ou fé da parte
dos fariseus e doutores da lei? Em seu fechamento e incredulidade, a elite
religiosa de Jerusalém exigia de Jesus sinais espetaculares e miraculosos, pois
assim eles imaginavam Deus. Acontece que, para Jesus, é preciso desconfiar
diante de quem promete mundos e fundos e age para impressionar: eles não buscam
nem a Deus nem o bem do povo.
O
sinal já estava dado e repetido: a coleta de alimento entre seus seguidores e a
distribuição gratuita para saciar a fome do povo. Se, como afirma o Papa
Francisco, “a fome é criminosa e a alimentação é um direito inalienável”
assegurar que isso aconteça é coisa inspirada por Deus. Mas os fariseus se negam
a ver nestes sinais o atestado de que Jesus age em nome de Deus. E os próprios
discípulos, como vimos na semana passada e será confirmado amanhã, não conseguem
aceitar.
Também nós, discípulos e discípulas de Jesus em terras brasileiras
num tempo marcado pela intolerância e pelas notícias falsas espalhadas de rodo,
precisamos deixar de provocar Jesus pedindo sinais extravagantes. Ele mesmo, em
sua humana e solidária encarnação, amando e dando a vida pelos pequenos, é o
sinal mais luminoso de Deus. Estaremos nós à sua altura?
Sugestões para a meditação
Por
que será que ainda hoje tanta gente, inclusive entre nós, procura e pedem
sinais grandiosos para acreditar?
Por
que ainda resistimos a ver na compaixão de Jesus e na solidariedade de tanta
gente os sinais da mão divina?
O
que podemos dizer das igrejas, santuários e pregadores que reduzem a fé à
promessa de milagres mirabolantes?
Será
que o que provoca o enfraquecimento da fé é a falta de sinais do amor de Deus
ou a nossa incapacidade de reconhece-los?