A prioridade são as
pessoas vulneráveis
1256 | Tempo Comum |
31ª Semana | Quinta | Lucas 15,1-10
Não esqueçamos a porta de entrada
dessas duas lindas e exigentes parábolas. Enquanto
os pecadores e excluídos se aproximam e escutam Jesus, os fariseus e mestres da
lei se afastam e criticam. Jesus se aproxima e se mistura com o povo para
as quais o judaísmo fecha as portas, e os líderes religiosos se afastam e
separam das pessoas que estão fora de um sistema religioso baseado na Lei. São caminhos divergentes, que se afastam
cada vez mais.
Enquanto Jesus se abaixa, os fariseus
se elevam. Enquanto Jesus se esvazia e
se faz próximo, os fariseus incham e se afastam. Eles têm experiências de
Deus diametralmente opostas daquelas que Jesus vive e propõe. Fariseus e
mestres da lei se comportam como quem presume ser justo que não precisa de
conversão. Eles se julgam as únicas pessoas que realmente dão alegria a Deus,
porque realizam sua vontade cumprindo as leis até nos seus minúsculos detalhes.
Precisamos evitar a tentação de “torcer” estas parábolas,
pensando que elas estejam tematizando a questão da conversão dos pecadores (os outros, não nós). O foco não é a conversão de quem
está em situação de risco, mas o cuidado primoroso e o apreço de Deus por eles.
Se a ovelha pode ser considerada “culpada” por perder-se, o mesmo não pode ser
dito da moeda. Se alguém é responsável pela perda da moeda, esse alguém não é
ela mesma! Portanto, o foco é o modo como Deus trata os excluídos.
Com estas duas parábolas Jesus justifica e defende sua missão e sua
prática acolhedora e solidária. Seu modo de agir corresponde ao querer e ao
agir do próprio Deus. Deus cuida,
procura, resgata. Quem se escandaliza com ele, mesmo que ensine e cumpra as
leis, não o conhece. Não passa de um ignorante ou traidor da vontade de Deus.
Quer “ensinar o pai-nosso ao vigário”. Jesus
não vem para cobrar débitos atrasados, mas promulgar o Ano da Graça, do perdão,
da indulgência de Deus.
Os discípulos de Jesus são convidados a compartilhar a
alegria do Pai, que, como o pastor e a dona de casa, chamam os amigos para
festejar o êxito da missão. Para ele, ninguém
é justo ou pode se dispensar da conversão. E, além de compartilhar a
alegria de Deus, somos todos e sempre chamados participar da sua “saída” ao
encontro dos “últimos” e excluídos dos bens e alegrias da vida. Diante de uma
pessoa vulnerável protegida, mesmo que seja uma só, participemos da alegria de
Deus.
Sugestões para a meditação
Não é verdade que
a liberdade e a generosidade humana de Jesus e seu Evangelho às vezes
escandalizam também a nós?
Será que
entendemos realmente que Jesus se aproxima, busca e acolhe, e não se afasta,
não julga e não se separa?
Perceba-se como a
ovelha amada e procurada, como a moeda buscada e encontrada, motivo da alegria
de Deus