Senhor, que a morte não nos seja indiferente!
1026 | Quaresma | 5ª Semana | Domingo | João 11,1-45
A experiência de fracasso pode nos
levar a repetir o refrão acusatório contra Deus e contra o destino, como o
fazem Marta e de Maria: “Senhor, se tivesses vindo, meu irmão não teria morrido...”
Muitas vezes temos esta mesma sensação diante de doenças incuráveis, de
acidentes trágicos, ou de pandemias arrasadoras como esta que a humanidade vive
hoje. Na revolta, gerada no ventre dor, chegamos a acusar Deus, pois, nessas
circunstâncias, ele nos parece ausente, desinteressado ou sem coração. “Onde
está Deus em meio a tanto sofrimento?”
“Jesus
amava Marta, a irmã dela e Lázaro”, assim como ama cada um de nós. Somos sua
família, seus amigos e amigas, ainda que ele não se deixe prender aos nossos
desejos, nem se submeta às urgências do nosso calendário. Jesus sempre chega,
no tempo oportuno, para nos ajudar a mudar as coisas, para chorar as dores que
nos afligem, e não passa adiante sem se desdobrar em iniciativas de cuidado.
Compassivo e terno, seu coração também sofre! “E Jesus estremeceu interiormente,
ficou muito comovido e chorou”, testemunha João.
Jesus não é indiferente aos sofrimentos de ninguém, e
participa da dor de Marta e Maria, como o faz também hoje com todos aqueles que
choram, impotentes e inconsoláveis. É mediante sua compaixão que ele nos faz
experimentar seu amor. Eis aqui a porta que abre a possibilidade de mudança: o
amor e a compaixão, tão divinos e tão humanos, essenciais no enfrentamento das
tragédias que nos arrasam.
Acreditar em Jesus Cristo implica em confiar
na força do seu amor. Da parte de Jesus, o amor que se compadece; da nossa
parte, a confiança que abre horizontes e possibilidades. Da fé e da abertura ao
amor compassivo e solidário de Jesus brotam as novas possibilidades de vida e a
força da ressurreição. “Se você acreditar, verá a glória de Deus”. Esta é a
glória de Deus: seu amor pela humanidade. A fé ilumina nossa inteligência na
busca de soluções humanas para os problemas humanos.
Jesus convida
Maria a ultrapassar a dor e o medo que obscurecem o olhar da sua fé. E Lázaro,
no escuro da morte e no fundo da sepultura, também é interpelado: “Vem para
fora!” Este grito de Jesus, pronunciado como oração, chama-nos todos à vida, a
um novo olhar e um novo agir. É apelo a sair dos nossos interesses e projetos,
geralmente nascidos e nutridos no ventre do medo e da indiferença.
Sugestões para a meditação
Situe-se
espiritualmente na cena descrita por João, identifique-se com os personagens, preste
atenção àquilo que dizem e fazem
Perceba
o limite da fé de Marta e de Maria, o teor e o conteúdo existencial da promessa
de Jesus e o salto de qualidade que ela pede de nós
Como
você vive a morte inesperada de um familiar ou amigo? Você se sente injustiçado
e incompreendido por Deus?