A compaixão move o coração dos discípulos
1134 | Tempo Comum | Semana XIV | Terça-feira | Mateus 9,32-38
Ontem contemplamos a bela cena da cura de uma
mulher que sofria de hemorragia, e de uma menina que foi “levantada” depois de
ser prostrada pela morte precoce. O evangelho de Mateus registra que a notícia foi se espalhando, e assim chegou
até nós. Na meditação, perguntávamos também se cremos, como a mulher e o
pai da menina, que o toque de Jesus pode nos curar e levantar. No evangelho de
hoje, Jesus continua curando, e continua
sua peregrinação pelo santuário das dores humanas, anunciando o Reino de Deus,
ensinando e curando enfermos.
Jesus sempre é tocado pelo sofrimento humano, mas não fica no simples
sentimento. Diante de um povo abandonado à própria sorte pelas autoridades, de
um povo que é descrito como cansado e abatido, espoliado e abandonado, uma profunda compaixão toma conta de Jesus
e o move a tomar iniciativas para mudar a situação e devolver a cidadania e a
vida plena às pessoas e grupos. A compaixão, essa capacidade de se importar
profundamente com a dor dos outros, é o segredo e o motor da sua missão.
O surdo-mudo da cena de hoje é mais um símbolo vivo e eloquente desse
povo marginalizado e dependente. Sob a pressão do exército romano e das
múltiplas carências que o encarceravam, o
povo não consegue nem levantar seu próprio lamento nem gritar seu protesto.
A ação de Jesus livra as pessoas desse tormento, a multidão se admira, mas os fariseus investem contra Jesus,
acusando-o de agir em nome do demônio. Nada, porém, impede que Jesus
continue sua missão de compaixão, anunciando a Boa Notícia de Deus, ensinando e
curando. A força da compaixão é mais
potente que a ameaça dos “podres poderes”.
O que ocorre é que Jesus percebe claramente que sua missão ultrapassa suas possibilidades.
Ele sabe que não dará conta de fazer tudo sozinho. Ele precisa contar com muito
mais gente nesse ministério da compaixão, que vence a indiferença e reconstrói
a vida de um povo dilacerado. Diante da exiguidade de recursos e da pequenez da
comunidade frente à extensão da missão, Jesus
não desiste nem se desespera: chama-nos, envia-nos, e pede que rezemos, e
busquemos mais colaboradores. Trata-se de ter um coração ardente e pôr os
pés a caminho.
Sugestões para a meditação
Acompanhe
cada palavra e cada gesto ou ação desta cena, observando bem a atitude dos
diversos personagens
O
segredo da vida e o motor da missão de Jesus é a compaixão, seu envolvimento
visceral com as pessoas que sofrem
O
que esta cena e estas palavras de Jesus nos ensinam sobre a missão da Igreja e
nossa nos dias de hoje?
Como
você, e as lideranças da sua comunidade, reagem às críticas ou acusações frente
às iniciativas de evangelização e solidariedade?