Deus não pede sacrifícios, mas Misericórdia
1104 | Tempo Comum |
Semana X | Domingo | Mateus 9,9-13
Depois de curar um paralítico, que contou com o auxílio de pessoas
amigas, Jesus não reivindica para si
mesmo os créditos do perdão e da cura. Ele passa do perdão (ação interior,
cujos frutos não são visíveis) à cura (lado visível da mesma ação). Diante do
que viu, o povo fica com medo e
glorifica a Deus por ter dado tal poder a Jesus e aos seus discípulos. O
medo, uma mistura de surpresa e estupor, é uma reação tipicamente presente nas
experiências da divindade.
No texto de hoje, Jesus se encontra com Levi, que é cobrador
de impostos, colaborador do império romano e, por isso, também considerado
pecador, execrado e banido da
convivência social e religiosa pelos judeus. Mas Jesus não se orienta por
preconceitos que excluem, pelas aparências e exterioridades. Partindo da base e
da periferia social, Jesus chama e
congrega pessoas de boa vontade para, com elas, iniciar uma comunidade
alternativa.
Levi responde prontamente ao chamado de Jesus, e o segue no seu
caminho. Como não exclui ninguém da mesa do Reino, desde que a pessoa
entre no dinamismo do Reino de Deus, Jesus
se confraterniza com Levi, seus colegas cobradores de impostos e muitas outras
pessoas tratadas pelo judaísmo como pecadoras. Pecador é o termo usado para
designar quem não vive de acordo com as normas de um grupo.
Essa prática inclusiva e inovadora de Jesus desestabiliza a ordem
social, e, por isso, é criticada pelos fariseus e mestres da lei. Esta
manifestação da misericórdia de Deus é vista como desconformidade com a vontade
de Deus. A justiça de Deus, assim como é entendida e praticada por Jesus, deslegitima as práticas excludentes do
judaísmo e dos seus representantes, e também dos seus sucessores até os
dias hoje.
Levi
tomará parte desta comunidade vivificadora que compartilha os bens e estabelece
relações estáveis de acolhida e inclusão, e passa a ser visto como
modelo de discípulo e apóstolo. Ele entendeu que Deus quer misericórdia, e não legalismo, que Jesus veio para quem
está necessitado, e não para quem se considera justo e satisfeito. E esse deve
ser o caminho da Igreja e todos os seus organismos e membros, em todos os
tempos e em todos os lugares onde está presente.
Sugestões para a meditação
Retome a cena de Mateus trabalhando,
sendo interpelado por Jesus, deixando tudo para segui-lo, e confraternizando-se
com ele
Participe da cena, da alegria de Mateus
e dos outros pecadores, repudie a postura crítica dos fariseus e demais líderes
do judaísmo
Contemple a vida de Jesus e, com
Mateus, acolha-o em sua vida e aprenda essa lição fundamental: Deus quer
misericórdia e não sacrifícios
Como nós e nossas igrejas acolhemos e
praticamos esse princípio fundamental que orienta toda a vida e a missão de
Jesus?