Amar os inimigos é testemunho e profecia.
1113 | Tempo Comum |
Semana XI | Segunda | Mateus 5,43-48
A parte do evangelho de Mateus que
conhecemos como “sermão da montanha” é uma espécie de iniciação dos discípulos à novidade do Reino de Deus inaugurada e
vivida por Jesus de Nazaré, o Enviado do Pai. Se é verdade que Jesus não
quer simplesmente descartar a Lei e os costumes do judaísmo, também não há
dúvidas de que ele opera uma mudança
substancial nas tradições sagradas, e se apresenta como seu intérprete e
consumador.
Hoje temos o sexto exemplo de releitura da Lei: o mandamento de
amar o próximo. Para a tradição judaica, originalmente faziam parte do conceito de “próximo” os familiares de sangue e de casa
e os membros do judaísmo, mas o conceito se estendia também, ao menos em
parte, aos doentes, aos pobres e aos estrangeiros. Na prática, no tempo de Jesus, este círculo era bem
mais estreito e se restringia a poucas pessoas. Por outro lado, faziam parte do grupo dos “inimigos” os
oponentes pessoais, os adversários nacionais, os estrangeiros e infiéis,
mas também gente da própria casa, quando se comportava de modo considerado
imoral ou inaceitável.
Para Jesus está muito claro que Deus não orienta sua relação conosco pelos parâmetros do gênero, da
aparência, da riqueza, da condição social ou religiosa, do sangue ou da nação.
Deus, porque ele é bom, não olha apenas para as “pessoas de bem”. Todos somos pecadores necessitados da
misericórdia do Pai. Por isso, Jesus de seus discípulos a disposição de
amar até os inimigos e de rezar pelos que os perseguem. É assim que manifestam
que são filhos de Deus.
Mas é também claro que amar o próximo não é a mesma
coisa que ser gentil ou ter bons sentimentos. Amar é reconhecer e afirmar, por decisão e por ação, a dignidade de
cada pessoa, para além da sua condição humana, social ou moral. E o amor,
por sua própria natureza, não é da parte
dos sentimentos, mas da ordem da vontade, das decisões. Ninguém ama por
instinto, por sentimento ou por natureza, mas por decisão e compromisso. A medida do amor é amar sem medida,
pois o amor calculado e mensurável não passa de egoísmo e de acordo de
cavalheiros. Atenção, pois, no uso desse verbo!
Sugestões para a meditação
Deixe
ressoar em você este ensino inovador que Jesus viveu: não pagar com a mesma
moeda, não ser uma pessoa reativa, mas inovadora, revolucionária
Recorde
cenas e acontecimentos da vida de Jesus que demonstram que ele viveu isso que
ensina aos seus discípulos
O
que significa hoje oferecer a outra face, dar o manto a quem quer se apropriar
da túnica, andar o dobro daquilo que nos impõem?
Como
poderíamos praticar este ensinamento de Jesus nas relações violentas que
infestam as redes sociais, especialmente quando o assunto é política?