Jesus se alegra por ser acolhido pelos pequenos
1142 | Tempo Comum |
Semana XV | Quarta-feira | Mateus 11,25-27
Ontem, ouvimos a advertência de Jesus às cidades
que se fecham aos sinais que pedem uma mudança profunda, rejeitam a
oportunidade que lhes abre com seu anúncio e suas ações. No breve texto de
hoje, Jesus muda radicalmente seu tom, e se dirige carinhosamente a um novo
interlocutor: aos discípulos e discípulas, como que para consolar e fortalecer
quem se sente ameaçado e inseguro.
Jesus não ignora a divisão e a rejeição que seu Evangelho provoca. Mas, a partir da sua intimidade com o Pai, percebe que há gente generosa que o acolhe, adere a ele, muda o rumo da
própria vida. Ele sabe que essa é a vontade do Pai: que o Reino de Deus,
que pertence aos pequenos, humildes e pobres, seja por eles levado adiante, não
obstante a extrema limitação dos meios ao alcance deles. Nisso, os sábios das
academias e os poderosos entronados contam pouco.
Os sábios e entendidos que se fecham à Boa Notícia do Reino de Deus são
as elites culturais, políticas e religiosas, todos
os grupos que se sentem superiores, sabidos e seguros, e não conseguem admitir
nada além dos próprios interesses de classe. Mas, entre eles, há também outros menos elitizados, que se
deixam influenciar por essa mentalidade, e se fecham à novidade libertadora
de Deus: algumas cidades, gente do povo e até parentes de Jesus. Tanto ontem
como hoje!
Os “pequeninos” dos quais Jesus fala são as pessoas humildes, sem
segurança, receptivas ao Evangelho e à pessoa de Jesus, aquelas que o seguem como discípulas, dispostas e aprender sempre. São
as pessoas mais vulneráveis, às vezes iludidas pelos doutores da lei, e até
vistas como tolas. São as pessoas que
entram para a comunidade dos discípulos, convictas de que mestre não é quem
sabe tudo, mas quem aprende sempre, que vive como eterno aprendiz.
Mas, atenção! Não é pelo fato de
sermos contados entre os batizados ou frequentadores dos sacramentos que somos
automaticamente discípulos e estamos livres da arrogância de quem pensa saber
tudo. A experiência demonstra o contrário! Na relação no interior das
nossas comunidades, e na postura diante das demais confissões cristãs e outras
religiões, é frequente sentirmo-nos melhores, superiores e entendidos. Quando agimos assim, acabamos nos afastando
da compreensão dos mistérios do Reino de Deus e nos portamos como guias cegos.
Sugestões para a meditação
Em
quais circunstâncias você se percebe agindo como sábio e entendido, que tem
tudo a ensinar e nada a aprender?
Como
poderíamos traduzir, com palavras e para as situações de hoje, essa belíssima
alocução de Jesus?
O
que fazer para deixar-se surpreender pelas delicadezas de um Deus que tem
prazer em ser acolhido pelas pessoas humildes e afirmar a dignidade das
vítimas?