Façamos o possível
para manter os vínculos
1170 | Tempo Comum | Semana XIX | Quarta | Mateus 18,15-20
Mateus dedica os capítulos 16 a 18 do seu evangelho
para nos apresentar o empenho de Jesus na formação dos seus discípulos no modo
de vida inspirado no Reino de Deus. Temos
aqui as orientações fundamentais para que a comunidade cristã viva um estilo de
vida liminar: alternativo, inovador, profético e crítico aos estilos de
vida então habituais e predominantes.
Embora seja chamada a ser alternativa, a comunidade dos discípulos de Jesus não é
perfeita. Enquanto caminha no mundo, as tensões e conflitos são inevitáveis
no. Às vezes, as lideranças são intolerantes com os erros dos seus irmãos e
irmãs. Para evitar que fiquemos à mercê do humor das autoridades, Jesus traça um caminho pedagógico, em três
passos. Quer ajudar-nos a tomar consciência dos erros e mudar.
O ponto de partida é a convicção de que a ofensa recíproca é algo sério,
que precisa ser resolvido, e não ser “jogado embaixo
do tapete”. Tudo começa com um diálogo
pessoal e fraterno, para que o pecador reconheça seu deslize. Se isso não
resolve, volta-se a conversar com ele na
presença de testemunhas. Se também isso resultar em fracasso, a questão é
levada à comunidade. Mas nem assim o êxito está garantido! As relações humanas não se resolvem com soluções técnicas!
Se as três tentativas fracassarem, a ruptura pode ser declarada publicamente.
Mas a missão reconciliadora dos cristãos fiéis não termina com esta declaração.
Colocando os ofensores resistentes no grupo dos publicanos e pecadores, Jesus
está dizendo que eles são campo permanente de missão, como ele mesmo o
demonstrou sobejamente, tanto por seu ensino como mediante suas ações. Longe de Jesus tolerar ou ratificar práticas
de exclusão definitiva! Jesus mesmo vai ao encontro dos publicanos e
pecadores e os resgata para uma vida fraterna.
Jesus pede paciência e
lucidez na relação com as pessoas que erram, ou
seja, com todos os membros da comunidade. A comunidade cristã (e não apenas
Pedro!) tem a faculdade de atar e desatar: de discernir quem está dentro e quem
se coloca fora dela. Mas é sempre o
próprio Jesus que manifesta sua inesgotável misericórdia por sua presença e
ação na comunidade dos discípulos e discípulas.
Sugestões para a meditação
Como você, sua
família e sua comunidade enfrentam os conflitos e tensões de relacionamento e
convivência?
Por que é sempre mais
fácil queixar-se das pessoas que nos ofendem ou prejudicam a terceiros,
evitando falar com elas?
Reflita sobre o
que significa, na perspectiva de Jesus, tratar os ofensores como gentios ou
cobradores de impostos?
Você
tem conseguido se exercitar na confiança no cuidado do Pai e na hospitalidade
na sua prática comunitária e pastoral?