segunda-feira, 11 de maio de 2026

À espera do Defensor

O Espírito é luz que esclarece todas as coisas

1078 | Tempo Pascal | 6ª Semana | Terça-feira | João 16,5-11

Na semana que antecede a solenidade da Ascensão, meditaremos trechos do diálogo de Jesus com seus discípulos depois da última ceia com eles, e antes da traição e prisão. Pressentindo a iminência da sua condenação à morte, Jesus faz questão de sublinhar que sua “saída” para o Pai, por quem foi enviado e em cujo nome fala e age, fará bem para os discípulos. Ele vai para voltar como inspiração, força e defesa.

Os discípulos não entendem como a paixão e morte de Jesus pode ser sua volta ao Pai e a plena presença do Pai nas dores da humanidade e nas encruzilhadas da história. Toda explicação parece-lhes vazia. A separação continua a ser vista como escandalosa e definitiva, e, por isso, são acossados pelo medo e pela tristeza. Eles não conseguem entender o mistério da semente.

Precisamos entender que o envio do Espírito de Deus e a sua assimilação na caminhada de discípulos missionários depende da paixão e morte de Jesus. Sem a cruz, o Espírito Santo seria entendido apenas em parte, pois estaria privado do seu núcleo vivo que é o amor extremo, que desce aos infernos para regenerar o Humano em nós. O Espírito é, em si mesmo, entrega generosa de si, sem “se” e sem “mas”.

Recebendo o Espírito Santo e deixando-nos guiar por ele, passamos de uma visão de Jesus como simples “modelo de vida” a ser admirado, e o assumimos como fonte dinâmica da vida que se manifesta nele e nos vem dele. Nele, por ele e com ele somos capazes de reconhecer no mistério da cruz tanto a manifestação da violência destruidora como do amor infinito e apaixonado de Deus Pai e do “Filho do Homem”. Esse entendimento não é conceitual e essa força vem de dentro.

O Espírito/Defensor que recebemos do Pai por Jesus move um processo contrário àquele que vitimou Jesus e condena seus discípulos: os condenados são declarados inocentes, e os juízes que os condenam são denunciados como os verdadeiros criminosos. O chefe deste mundo – personificado no grupo que dirige o judaísmo, condena Jesus e excomunga seus discípulos – não tem nenhum poder sobre os seguidores de Jesus. Eles são livres para amar e servir.

 

Sugestões para a meditação

Coloque-se em meio aos discípulos, perturbados com o gesto de amor extremo de Jesus, com o anúncio da sua morte e a previsão da oposição que sofreriam

Você percebe sinais de oposição e resistência à missão dos seguidores de Jesus? Como e onde estes sinais aparecem?

Tome consciência das incompreensões, resistências e oposições que os cristãos coerentes enfrentam na atual conjuntura política nacional

domingo, 10 de maio de 2026

Matar em nome de Deus?

Alguns matam pensando prestar culto a Deus

1077 | Tempo Pascal | 6ª Semana | Segunda-feira | João 15,26-16,4

Neste afetuoso e tenso diálogo profético com seus discípulos na noite em que seria preso, com a colaboração traiçoeira de um deles, Jesus faz questão de sublinhar o caráter exigente e conflituoso da vida e da missão de quem o segue. O discípulo que participa da mesa do Pão e da Palavra, que toma a toalha e lava os pés da humanidade, não pode imaginar que tudo acontecerá pacificamente, que o Reino não encontrará oposição, que o caminho será pavimentado de flores e de aplausos.

Jesus garante aos seus discípulos que enviará um Defensor permanente, um “Outro Advogado” (o primeiro foi ele mesmo!), que prosseguirá sua missão, e que sempre atestará a inocência de quem se mantém no caminho do seu Evangelho. No tribunal da história, os cristãos jamais ficarão desassistidos tanto na defesa como na acusação dos “podres poderes”. O Espírito da verdade e da fidelidade testemunhará a autenticidade messiânica de Jesus e será o fundamento seguro do testemunho público dos discípulos, especialmente quando sofrerem oposição.

Trata-se do Supro de Deus, que sustenta a criação, que dá dinamismo, direção e meta à caminhada da humanidade, e suscita o testemunho profético dos cristãos, chamados a criticar e orientar os movimentos históricos conforme a vontade de Deus, a serviço da libertação da humanidade. Nisso, é preciso estar com Jesus desde o começo, passando pela sua paixão e morte, e não apenas na fase da ressurreição. É nesta comunhão com o Filho enviado pelo Pai que os discípulos encontrarão força e consolo para ir até onde Jesus foi e estar com ele onde quer que ele estiver.

Para um judeu era impensável e terrível ser excluído da sinagoga ou barrado no templo. Mas Jesus previne seus discípulos e discípulas de que isso acontecerá, pois a instituição religiosa do templo está pervertida, participa de uma fraude e faz parte das hostilidades impostas a Jesus e seus seguidores pelo “príncipe deste mundo”. O templo fora transformado numa instituição que cultua um “deus” que aceita e até patrocina a morte violenta do ser humano. Seus chefes não conhecem o Pai e não estão ao lado ser humano. Que isso soe advertência a todas as instituições!

 

Sugestões para a meditação

Perceba a perplexidade dos discípulos diante do anúncio da morte de Jesus e da previsão da oposição que sofreriam para continuar a missão

Você percebe manifestações de oposição e resistência à missão dos seguidores de Jesus?  Como e onde estes sinais aparecem mais?

Qual seria a atitude mais adequada de quem pede, clama e espera o ajuda do “Advogado” para defende-lo das ameaças da missão?


sábado, 9 de maio de 2026

Não estamos órfãos!

Prontos a dar as razões da nossa Esperança

1076 | Tempo Pascal | 6ª Semana | Domingo | João 14,15-21

Naquela misteriosa noite de despedida de Jesus, os apóstolos começaram a sentir-se órfãos. Eles haviam recebido o pão e o vinho partilhados e visto Jesus se inclinar e lavar seus pés. Haviam ouvido da sua própria boca que um deles o trairia, outro o negaria e todos o abandonariam. É neste contexto que Jesus promete-lhes um outro Advogado ou Defensor: alguém que falará por eles e em lugar deles nas acusações apresentadas contra eles nos tribunais.

Segundo as palavras de Jesus, este Defensor agirá como os pais, que, além de serem o fio que liga as novas gerações ao passado e os indivíduos a uma família, assumem a defesa e a tutela dos filhos menores e em situação de vulnerabilidade. Este Advogado de Defesa – o Espírito prometido! – agirá como Jesus, que assumiu esta dupla missão junto aos discípulos: ser o advogado de defesa e o irmão primogênito que revela e torna presente o Pai.

Daí a promessa consoladora e encorajadora de Jesus aos discípulos: “O pai dará a vocês outro Defensor. Eu não vos deixarei órfãos!” O Espírito da Verdade-Fidelidade nos ajuda a superar a orfandade e nos faz filhos e filhas de Deus, herdeiros do Reino anunciado e iniciado por Jesus Cristo. Ele também nos faz perseverantes no dinamismo do Amor a Jesus Cristo e ao próximo, especialmente àqueles que padecem as maiores necessidades e, por isso, tem mais necessidade da nossa proximidade amiga e solidária.

Mediante o amor solidário não é apenas o ser humano que está em Deus, mas o próprio Deus vem habitar nesta sua amante criatura e suas comunidades para fazer delas sua morada definitiva. O amor é uma atitude, uma relação, uma ação que reconhece e afirma o outro em sua dignidade. Se tivermos dúvida sobre o que significa amar, olhemos para o que fez Jesus no seu louco amor pela humanidade.

Estamos nos aproximando do fim do tempo litúrgico da Páscoa. Os Atos dos Apóstolos testemunham a “caminhada da Palavra”, a expansão da Boa Notícia de Deus. E Pedro nos pede prontidão para darmos testemunho da nossa esperança, mas com mansidão a respeito. Afinal, não podemos calar sobre aquilo que ouvimos e vemos desde que brilhou a luz do círio em meio à escuridão da noite da vigília pascal. E abrimos as portas da vida para receber o Espírito, que fará novas todas as coisas.

 

Sugestões para a meditação

Situe-se junto aos discípulos, perturbados com o gesto extremo de Jesus, com o anúncio da sua morte e com a previsão de que seria traído

Tome consciência das incompreensões, resistência e até oposições que os cristãos coerentes vem enfrentando nesse grave momento da conjuntura política nacional

Renove seu compromisso de permanecer em Jesus, de crescer como seu amigo, de amar os irmãos e irmãs como ele amou você

A promessa

NÃO ESTAMOS ÓRFÃOS!

Uma Igreja formada por cristãos que se relacionam com um Jesus mal conhecido, pouco amado e apenas recordado de forma rotineira é uma Igreja que corre o risco de desaparecer. Uma comunidade cristã reunida em torno de um Jesus apagado, que não seduz nem toca os corações, é uma comunidade morta, sem futuro.

Na Igreja de Jesus precisamos urgentemente de uma nova qualidade na nossa relação com Ele. Precisamos de comunidades cristãs marcadas pela experiência viva de Jesus. Todos podemos contribuir para que na Igreja se sinta e se viva Jesus de forma nova. Podemos fazer com que seja mais de Jesus, que viva mais unida a Ele. Como?

João recria no seu evangelho a despedida de Jesus na última ceia. Os discípulos intuem que dentro de muito pouco tempo Ele lhes será tirado. O que será deles sem Jesus? A quem seguirão? Onde alimentarão a sua esperança? Jesus fala-lhes com uma ternura especial. Antes de os deixar, quer mostrar-lhes como poderão viver unidos a Ele, mesmo depois da sua morte.

Antes de mais, deve ficar gravado no seu coração algo que nunca devem esquecer: «Não vos deixarei órfãos. Voltarei». Nunca devem sentir-se sós. Jesus fala-lhes de uma nova presença que os envolverá e os fará viver, pois os alcançará no mais íntimo do seu ser. Não os esquecerá. Virá e estará com eles.

Jesus já não poderá ser visto com a luz deste mundo, mas poderá ser captado pelos seus seguidores com os olhos da fé. Não devemos cuidar e reavivar muito mais esta presença de Jesus ressuscitado no meio de nós? Como poderemos trabalhar por um mundo mais humano e uma Igreja mais evangélica se não o sentimos junto de nós?

Jesus fala-lhes de uma experiência nova que os seus discípulos ainda não conheciam, enquanto o seguiam pelos caminhos da Galileia: «Sabereis que eu estou com o Pai e vós comigo». Esta é a experiência básica que sustenta a nossa fé. No fundo do nosso coração cristão sabemos que Jesus está com o Pai e nós estamos com Ele. Isto muda tudo.

Esta experiência é alimentada pelo amor: «A quem me ama... eu também o amarei e me revelarei a ele». É possível seguir Jesus tomando a cruz cada dia sem o amar e sem nos sentirmos profundamente amados por Ele? É possível evitar a decadência do cristianismo sem reavivar este amor? Que força poderá mover a Igreja se o deixarmos apagar? Quem poderá preencher o vazio de Jesus? Quem poderá substituir a sua presença viva no meio de nós?

 José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

sexta-feira, 8 de maio de 2026

O discípulo não está mais seguro que o Mestre!

Jesus promete companhia e não facilidades!

1075 | Tempo Pascal | 5ª Semana | Sábado | João 15,18-21

Na sequência da alegoria da videira verdadeira e dos ramos, Jesus conclui a seção de catequese advertindo os discípulos sobre as consequências da adesão a ele e ao Reino de Deus: ao lado dos frutos e da alegria por fazer o bem a todos, ódio e perseguição. E não é a primeira vez que Jesus alerta seus discípulos sobre isso. Ele não quer enganar ninguém, e o que ele mesmo enfrenta não deixa dúvidas. Olhando para o Mestre e Senhor, todos devem avaliar muito bem os riscos.

Aquilo que Jesus faz e ensina, mesmo sendo objetivamente bom para todos, mas especialmente para as pessoas mais penalizadas, é visto com suspeita e ódio pelo “mundo”, porque se opõe à sua lógica de dominação e exclusão, denunciando-a e enfrentando-a. A perseguição implacável dirigida contra ele não o afeta, e ele vive sereno e destemido, e jamais recua na sua missão de resgatar a vida das garras de um sistema social e religioso opressor e excludente.

No evangelho segundo João, “mundo” é a palavra usada para designar o sistema de dominação que odeia e maltrata o ser humano, especialmente os mais vulneráveis. Este sistema/mundo é radicalmente injusto e falso, e persegue quem o desmascara e enfrenta, mesmo que o faça de modo pacífico. Porque tanto Jesus como seus discípulos romperam com ele e suas imposições, são vigiados e tratados como suspeitos. Não romper com o “mundo” significa ser refém do pecado.

O alerta de Jesus aos que, em todos os tempos, se propõem a segui-lo é claro: “Se perseguiram a mim, perseguirão também a vós”. E os escravos do “príncipe deste mundo” perseguem os cristãos porque não conhecem Deus, a quem, mentindo, dizem servir. Eles têm uma ideia falsa de Deus, servem a outro senhor.

O realismo de Jesus não é cínico, nem pessimista. Ele sabe que a semente que cai na terra e morre, não fica só. Há um “pequeno rebanho” que conhece sua voz, um broto que nasce de um toco seco, que guarda sua palavra e segue seus passos. Este punhado de gente também reconhecerá seus discípulos, acolherá a Palavra de Deus que se fez carne e tornará o fértil o deserto do mundo.

 

Sugestões para a meditação

Recorde no coração e deixe ressoar cada expressão ou palavra deste alerta de Jesus aos discípulos que ele ama e cuida

Procure recordar algumas entre as inúmeras cenas de ódio e violência contra Jesus, e busque a origem e a lógica desta reação

Será que há cristãos que pensam crer em Jesus e anunciar seu Evangelho sem romper com o sistema que oprime e domina?

Você acha que as pessoas que fazem isso conhecem de fato o Deus em quem dizem acreditar, ou falsificaram a imagem de Deus?

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Uma relação de amizade

Quem ama dá a sua vida pelos amigos

1074 | Tempo Pascal | 5ª Semana | Sexta-feira | João 15,12-17

Depois de propor a alegoria da videira e dos ramos, Jesus continua seu diálogo formativo com os discípulos, extraindo as consequências da metáfora da videira: como a circulação da seiva mantém a união vital entre a videira e os ramos, o amor generoso assegura a permanência do discípulo em Jesus e de Jesus nele.

Se, para o judeu daquele tempo, os mandamentos eram muitos e pesados (os escribas e doutores da lei haviam colecionado mais de 600 mandamentos!), Jesus não fica nem nos dez, e reduz tudo a um único mandamento: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Este é o mandamento que resume toda a lei, a herança deixada por Jesus em testamento e o distintivo da comunidade cristã.

O verbo amar é mais que mera expressão de um vago sentimento de bem-querer ou uma inofensiva filantropia: é uma relação interativa baseada na confiança e focalizada na afirmação da dignidade e no atendimento das necessidades do outro. O amor também não tem como movente o cumprimento de uma ordem, mas um desejo profundo e intrínseco de dar-se, de ser generoso, de buscar a felicidade sendo fiel e fazendo feliz o outro.

Jesus propõe a si mesmo como medida do amor: ele começa nos escolhendo e nos chamando pelo nome, passa a dedicar-se à nossa formação, prepara-nos para as dificuldades, alerta-nos em relação aos riscos, e acompanha-nos “primeireando” no caminho que conduz à felicidade verdadeira e duradoura. Em síntese: é nosso amigo, e vive conosco a comunhão no amor.

Na ceia e no lava-pés, Jesus deixou claro que não aceita uma relação senhor-servo, e estabeleceu a igualdade ética de todas as pessoas, para além das funções e diferenças. Por isso, ele volta a declarar que nos trata como a amigos, e o vértice da relação de amizade é o dom de si mesmo sem nenhuma garantia ou obrigação. Mas o faz “de olho” na continuidade da sua missão, com o desejo de que, vivendo uma relação de amizade, seus discípulos deem frutos que permaneçam.

 

Sugestões para a meditação

Recorde no coração e deixe ressoar cada expressão ou palavra deste “discurso catequético” de Jesus

Medite as diversas passagens da vida de Jesus e procure identificar as expressões mais concretas e fortes do seu amor pelos discípulos

Em relação a Jesus, você sente-se mais como servo (que obedece por medo) ou como amigo, que se relaciona com base na confiança e na estima recíproca?

Quais são os frutos mais duradouros da prática do amor na sua família, na sua comunidade e no lugar onde você vive?

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Como ele nos amou

O ensino de Jesus nos conduz à plena alegria

1073 | Tempo Pascal | 5ª Semana | Quinta-feira | João 15,9-11

Depois da alegoria da videira e dos ramos, Jesus continua desenvolvendo sua catequese, extraindo as consequências da imagem que usou: como o Pai me amou, eu também amei vocês; eu permaneci no amor do Pai levando a sério seus mandamentos; vocês permanecerão no meu amor se guardarem meu mandamento.

Eis como Jesus concretizou o amor: acolheu pecadores e resgatou a dignidade deles; compadeceu-se dos famintos e multiplicou pães para eles; comoveu-se com o sofrimento dos doentes e deu-lhes condições de plena cidadania; aproximou-se das pessoas excluídas e sentou-se com elas à mesa; tomou a defesa de mulheres condenadas pelos homens que as usavam; perdoou e acolheu os pecadores...

Jesus diz que nos ama na mesma dinâmica e com a mesma intensidade com que é amado pelo seu e nosso Pai. E é nessa força que somos chamados e capacitados para amar. O amor de Deus, que se tornou visível em Jesus Cristo, se torna, em nós, dom e mandamento. “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros assim como eu amei vocês”. Ele não pede que nosso amor se dirija a ele, mas aos semelhantes.

Mas o amor não se confunde com um simples sentimento, sempre involuntário, e se impõe sobre a vontade. O amor é uma decisão, e está no horizonte da vontade e da ação que nos faz próximos e solidários de quem é diferente e precisa de nós. Amar implica em bem-querer, bem-dizer e bem-fazer, tudo ao mesmo tempo.

Jesus apresenta a si mesmo como medida e referência do amor: “Amem-se uns aos outros assim como eu amei vocês”. Com isso, ele quer nos libertar da tentação de colocar nossos desejos, caprichos e interesses como referência para todas as relações. O amor se concretiza no relacionamento de igual para igual, na abolição das hierarquias, senhorios e servidões, no serviço gratuito e irrestrito. O próprio Jesus não nos trata como servos, mas como iguais.

 

Sugestões para a meditação

Recorde tranquilamente no coração e deixe ressoar cada expressão ou palavra deste breve discurso de Jesus

Medite as diversas passagens da vida de Jesus e procure identificar quando e como Deus manifesta seu amor por Jesus

O que fazemos para vencer a instabilidade e permanecer no amor de Jesus, e para que ele permaneça em nós?

Quando e como experimentamos aquela alegria que não se opõe ao cansaço e à dor, mas realiza aquilo que somos chamados a ser?

terça-feira, 5 de maio de 2026

Ramos da videira

A glória do Pai é que frutifiquemos no amor

1072 | Tempo Pascal | 5ª Semana | Quarta-feira | João 15,1-8

Jesus se compara a uma verdadeira videira. Esta videira se contrapõe e toma o lugar de uma outra videira potencialmente falsa. E a videira não-verdadeira é Israel, no seu significado de unidade política e religiosa, fechada em si mesma, exploradora dos pobres e a serviço dos privilegiados.

A relação de Jesus com os discípulos é de recíproca dependência: a cepa só pode frutificar através dos ramos, e os ramos só produzem frutos se permanecem ligados à cepa. “Fiquem unidos a mim e eu ficarei unido a vocês... Porque sem mim vocês não podem fazer nada”. Jesus conta com as nossas ações para amar e servir.

Assim como os ramos nada produzem sem a seiva que lhes vem gratuitamente da cepa, também os discípulos pouco conseguem fazer se não permanecerem ligados a ele. É uma união de atitudes fundamentais, uma identificação com seu dinamismo de amor. É na força dessa união que serão promotores da Justiça e da paz.

Para que produza frutos bons e abundantes, o vínculo dos discípulos com Jesus, como a inserção do ramo na cepa, precisa ser um processo ativo e vivo que conhece exigências e requer decisões, um dinamismo de permanente limpeza e poda. “Os ramos que dão fruto, o Pai os poda, para que deem mais frutos ainda”, diz Jesus.

Na videira, a prática da poda tem como objetivo eliminar os fatores de debilitação e de morte e, ao mesmo tempo, direcionar as energias para que resultem em bons e abundantes frutos. Para o discípulo, o seguimento de Jesus leva à cruz e ressurreição, e é um caminho de inserção numa comunidade e de conversão do ‘eu’ para o ‘nós’.

Permanecer unido Jesus Cristo não significa apenas frequentar o culto ou a missa. É muito mais que isso, e se mostra num modo de viver e se relacionar. Por isso, Jesus insiste que precisamos manter e aprofundar nossa adesão ao seu projeto, ao seu caminho: fazer-se próximo, não perder a vida correndo atrás de ambições vazias, entregá-la a serviço dos outros.

 

Sugestões para a meditação

Recomponha na memória a bela e sugestiva alegoria, dando asas à imaginação para entender seu alcance

Qual é o significado e as implicações de permanecer unido a Jesus como o ramo não pode separar-se da cepa?

Qual é o sentido e as implicações da “poda” na videira e na vida dos discípulos e discípulas de Jesus que já produzem bons frutos?

E quais são as implicações do fato de que a cepa (Jesus) produz frutos unicamente nos ramos (os cristãos)?

segunda-feira, 4 de maio de 2026

A paz que ele nos dá

A paz de Jesus Cristo é mais forte que o medo!

1071 | Tempo Pascal | 5ª Semana | Terça-feira | João 14,27-31

Estes breves versículos são densos. Eles são a conclusão da primeira parte do diálogo de Jesus com os discípulos, após a ceia. Jesus vê nos olhos deles o medo e, mesmo assim, não os poupa da verdade: ele deve ir, deve partir, ausentar-se brevemente. Mas o faz para voltar mais tarde, e voltar plenamente. Por isso, deixa-lhes a paz, e quer que vivam alegres e confiantes, como discípulos maduros.

“Paz” é a palavra de despedida da comunidade judaica. Utilizando esta saudação, Jesus sublinha que não o faz como todo mundo costuma fazer. É sua saudação pessoal, que não é um adeus, mas um “até breve”, com reforço no advérbio de tempo. Ele não se despede, porque ele vai para voltar, ele vai e fica, ele vai ficando. Esta sua ida é indispensável, porque nela tornará concreto o amor de Deus pela humanidade.

Jesus diz que não poderá falar muito porque sua partida é iminente e o tempo é breve. Na verdade, será preso naquela mesma noite. Por isso, fala da aproximação do “chefe deste mundo”, que personifica as forças e estruturas que oprimem, inclusive em nome da religião. Mas Jesus deixa claro que este chefe não tem força de mando ou poder de intimidação sobre ele: quem tem a Palavra é o Pai.

Jesus decide trilhar o caminho da paixão e morte não porque “o chefe deste mundo” tem poder sobre ele, mas porque assim cumprirá a vontade do Pai, que o quer radicalmente solidário com as vítimas de todos os tempos, sinal concreto do imenso, generoso e eterno amor do Pai. Isso não deixará dúvidas sobre a autenticidade da sua mensagem e da sua identificação com o querer e o agir do Pai.

Jesus prefere entregar sua vida ao invés de ceder à lógica do mundo, e, assim, o vence. Por isso, é bom que ele vá ao Pai, passando pela cruz. Sua acolhida nos braços daquele que “é maior” é a confirmação de que ele, humano que é, vem do Pai, fala o que ouviu do Pai e faz aquilo que vê o Pai fazer. E convida os discípulos a levantar e seguir com ele. Quem o vê, vê o Pai. E isso é mais que suficiente.

 

Sugestões para a meditação

Coloque-se mentalmente junto aos discípulos, perturbados com o anúncio da sua morte e com a previsão de que seria traído

Acolha as palavras de despedida de Jesus, a afirmação de que vai para voltar, que vai ficando, o seu “até breve!”

Tome consciência dos medos, fragilidades e carências que perturbam você, sua família e sua comunidade

Procure experimentar a alegria que nos vem da certeza de que é bom para nós que Jesus volte ao Pai, que o enviou e sempre o envia

domingo, 3 de maio de 2026

Moradas de Deus

O amor fraternos nos torna morada de Deus

1070 | Tempo Pascal | 5ª Semana | Domingo | João 14,21-26

Saltando alguns versículos que prosseguem o trecho meditado ontem, os quais apresentam a promessa de Jesus de enviar aos seus discípulos um “outro Advogado”, o “Espírito da Verdade”, o trecho de hoje afirma a presença de Deus nas relações fraternas e solidárias dos seus discípulos e discípulas. Não somos apenas nós que podemos morar na casa de Deus; ele mesmo pode estabelecer sua morada em nós.

Esta é a primeira vez que Jesus fala do amor dos discípulos a ele. Até então ele falara apenas do amor os irmãos e irmãs, e da disponibilidade às necessidades do povo. Assim, crer em Jesus significa aderir amorosamente a ele, comportar-se como ele, compartilhar seus sonhos, seus pensamentos e suas atitudes. Mas o amor a ele se encarna e se mostra necessariamente no amor aos irmãos e irmãs, um amor que não é mero sentimento. Ajudar os outros é a única forma de concretizar o amor.

Este amor é graça derramada abundantemente na vida de quem crê em Jesus, só é chamado de mandamento porque é norma de vida, e substitui todos os demais códigos de leis. No evangelho de João, Jesus jamais cita ou enumera os dez mandamentos, pois entende que só existe um. Por isso, o amor fraterno e concreto é a chave que abre a porta para que o Pai e o Filho façam em nós sua morada.

Sendo o que “acomuna” o Pai e o Filho, o Espírito Santo de Amor é também o que une os discípulos entre si, a Jesus e ao Pai. Enquanto algo a ser proclamado, esse amor recebe o nome de mensagem; enquanto norma de vida, é chamado de mandamento; enquanto dinamismo de Deus em nós, é apresentado como Espírito Santo. Mas trata-se de um único e mesmo dinamismo divino nas criaturas.

Jesus adverte seus discípulos sobre o fato de que amá-lo significa guardar sua ordem, de amarmo-nos como ele nos amou; implica em comportar-se como ele em relação a tudo e todos. Sendo a essência do Espírito de Deus, o amor transforma a comunidade cristã e os milhões de discípulos anônimos em infinitas vivendas mediante as quais Deus se faz presente no mundo. Não o adoramos em santuários ou templos, mas em espírito e verdade, mediante atitudes e ações muito concretas.

 

Sugestões para a meditação

Recomponha na memória as palavras que Jesus dirige aos discípulos, depois da ceia e prestes a ser preso e crucificado

Situe-se junto com os discípulos, perturbados com o gesto do lava-pés, com o anúncio da sua morte e com a previsão de que seria traído

Será que na voz de Judas se expressa a expectativa de manifestações espetaculares, jamais a manifestação discreta aos discípulos e na cruz?