Os primeiros lugares são dos servos mais humildes
1093 | Tempo Comum |
8ª Semana | Quarta-feira | Marcos 10,32-45
Todas as cenas e palavras do capítulo
10 de Marcos são intensas e densas. Depois da cena do homem rico que desiste de
seguir Jesus, do ensino sobre o obstáculo da riqueza e da catequese sobre os
frutos do despojamento, a reação dos discípulos é confusa e ambivalente:
admiração, medo, ambição, competição e indignação. Neste contexto, Jesus retoma
seu ensino. No centro da cena de hoje está o modelo de liderança ensinado por
Jesus e a luta pelo poder que envolve a maioria dos discípulos.
Enquanto Jesus fala abertamente das
consequências da sua fidelidade ao Reino de Deus e ao Deus do Reino – traição,
julgamento, tortura, execução, exclusão, morte e ressurreição – os discípulos
se envolvem em disputas nada fraternas e até vergonhosas pelos lugares de honra
e pela herança da liderança de Jesus. Parece que Tiago e João imaginam que
Jesus está prestes a dar uma espécie de “golpe messiânico”, e que a previsível
e aparente derrota da cruz será substituída por uma estrondosa vitória. Nesta
onda, ambicionam privilégios.
É outra a lógica do Reino de Deus,
vivida e ensinada por Jesus. Ele não transfere sua liderança a uma espécie de “dinastia”
ou “delegação”. O poder ambicionado e disputado por Tiago e João – e por todos
os outros discípulos, que ficam indignados por eles terem saído à frente deles!
– é exatamente aquele que impõe a Jesus a traição, o julgamento, a tortura e a
execução. A liderança e a honra de Jesus estão no serviço, em ser o último.
Jesus representa a liderança exatamente contrária ao poder exercido pelos
administradores coloniais impostos por Roma.
A
atitude dos dois irmãos denuncia que, na verdade, eles não haviam abandonado “tudo
por Jesus”. Eles continuavam acorrentados aos ideais de poder nos moldes
colonialistas. Eles não se envergonham de dizer que estão preparados para
enfrentar as oposições como Jesus, mas a resposta de Jesus a eles é cheia de
ironia. Eles estão cegos pela ambição e surdos à proposta alternativa de Jesus.
Não sabem ou não têm noção do que estão ambicionando e pedindo. Depois de tudo,
os discípulos continuam se inspirando nos “grandes” e nos “chefes” que oprimem
e tiranizam, e não conseguem entender que Jesus encarna uma liderança
alternativa e não violenta.
Sugestões para a meditação
Observe
bem a reação dos discípulos (o que dizem e o que fazem), especialmente dos dois
filhos de Zebedeu (Tiago e João)
Será
que também nós não “fazemos menos” da traição, condenação, tortura e execução
de Jesus, como se fossem disfarces da sua vitória?
Será
que estamos tirando as consequências da afirmação de que Jesus não veio para
ser servido mas para servir?
Como
as pessoas da Igreja exercem a liderança e os ministérios: inspirados no “Filho
do Homem” ou nos “chefes” e nos “grandes”?