Jesus rejeita a submissão dos dominadores
1099 | Tempo Comum |
9ª Semana | Terça-feira | Marcos 12,13-17
Chegando a Jerusalém, depois de uma
longa e exigente viagem, que foi também um percurso formativo dos discípulos,
Jesus vai ao suntuoso templo e toma uma atitude claramente provocativa. Para
ele, o sistema do templo deve ser
mudado, por mais piedoso que pareça, e o mundo podem ser refeitos, por mais
que as elites digam que é o melhor dos mundos possíveis e que a fé nada tem a
ver com a política e a organização social. Então as autoridades decidem matar
Jesus.
Uma das estratégias para fazer isso é
revelada no episódio de hoje. A classe
dirigente do templo manda um grupo de fariseus e de capachos de Herodes para
aprontar a Jesus uma armadilha. Começam elogiando (ou ironizando?) Jesus,
dizendo que ele fala sem medir as consequências. E apresentam-lhe duas
questões: o pagamento do imposto ao imperador romano é legal ou ilegal? Eles (e
Jesus) devem ou não pagar?
Pagar impostos equivale a reconhecer a legitimidade do
invasor, prestar-lhe lealdade.
Essa era a postura defendida pelos herodianos. Jesus percebe a hipocrisia subjacente
às perguntas, rejeita à tentativa de “fabricar provas” contra si mesmo, e responde dizendo que esse não é um problema
seu, mas um problema deles, que aceitam passivamente o invasor. Eles
perguntam se “devemos” (inclui Jesus) pagar o imposto, e Jesus responde “dai”
(vós!).
Jesus não carrega moedas, e pede que
eles as apresentem e digam qual é a figura e a inscrição que contém. A figura é do imperador romano, e a
inscrição afirma que ele é o “Filho Augusto de Deus”. Um judeu fiel jamais
poderia admitir isso! E o próprio soldado romano, no final do Evangelho, dirá,
confirmando a inscrição colocada na cruz (Rei dos Judeus), afirmando:
“Realmente este homem era o Filho de Deus”. Jesus, e não o imperador, é o
“Filho Augusto de Deus”.
Mandando
devolver ao imperador o que é dele (as moedas) e a Deus o que a ele pertence (o
povo e o culto), Jesus não estabelece uma
equivalência entre os dois. Também não afirma a separação entre fé e
política, entre Igreja e o mundo. No mundo, os cristãos devem ser sal, luz e
fermento! O que Jesus rejeita é a
submissão aos invasores. Não há lugar nem para a acomodação, nem para a
deserção.
Sugestões para a meditação
Perceba
como, ao longo de sua vida e neste caso, Jesus não reconhece nenhuma submissão
ou lealdade ao imperador e dominador romano
Observe
atentamente, e veja como Jesus também não opõe política e fé, nem separa a
Igreja do Mundo
Você
concorda que os donos do poder, seja ele “Augusto” ou “Capitão”, não têm
direitos sobre a vida do povo, não são donos das pessoas?
Como
evitar interpretações que manipulam este texto, ensinando que Jesus separa fé e
política e reconhece o poder dos dominadores?