É justo quem trata a
todos com igualdade
1177 | Tempo Comum | Semana XX | Quarta | Mateus 20,1-16
Quem quiser ser discípulo de Jesus precisa ter
sabedoria e decisão para encarnar o reino de Deus em todas as suas relações. No horizonte da
utopia de Jesus, justiça e a bondade não estão no mérito e na aplicação da lei
do “cada um recebe o que merece”. A
lógica do Reino de Deus inverte os valores, e estabelece a prioridade dos
últimos e desprezados sobre os ricos e privilegiados.
Na parábola de hoje, o personagem central é um
chefe de família patriarcal. A primeira cena trata da contratação de diaristas
para trabalhar no seu campo. Mas tudo
está focado na segunda cena, ou seja, no acerto de contas pelo trabalho
realizado pelos trabalhadores contratados em diferentes horas do dia. A todos o chefe da família prometera pagar
o que seria justo, e não um valor estabelecido.
As pessoas contratadas na primeira hora assistem ao
pagamento das que foram contratadas no fim do dia, que recebem, por poucas horas de trabalho, um valor que permite a
subsistência diária, e isso alimenta a expectativa de que receberiam bem
mais, pois haviam feito por merecer. Mas o
contratante não se orienta pela meritocracia, e sim pela justiça e pela bondade,
e retribui a todas igualmente.
O grupo que se julga merecedor de uma retribuição
maior se irrita por ter sido igualado
aos demais. De fato, o pai de família não age conforme o costume, não
reforça a competição e a distinção de classes. A irritação brota da inconformidade por terem sido igualados aos mais
necessitados. Eles protestam contra a igualdade fundamental de todos os
trabalhadores!
Com esta parábola, Jesus nos convoca a tomar uma
posição radical, como ele mesmo o fez: assumir
um estilo de vida alternativo também na economia, agindo na perspectiva do
Reino de Deus, guiando-nos pela necessidade das pessoas e pela gratuidade,
ou pela economia do dom, como a chama o Papa Francisco.
Será
que também nós, depois de dois mil anos de cristianismo, caímos na armadilha de
nos sentir melhores que os outros? Em
que medida ainda tratamos as pessoas, grupos, religiões e classes sociais a
partir daquilo que achamos que ‘merecem”? Será que ainda defendemos a velha
moral econômica que recomenda dar a cada um o que merece? Chegamos a perceber
que a lógica de Deus é outra, é diferente?
Sugestões para a meditação
Com
esta parábola, Jesus provoca fortemente as pessoas, tanto os judeus como seus
discípulos, a superar a lógica do mérito
Deixe
ressoar em você a afirmação clara e provocativa de Jesus mediante a parábola do
patriarca generoso e solidário
Peça
a Jesus a graça de se comprometer e se alegrar com os pequenos e grandes sinais
de emancipação dos pobres