Por que não seguimos as tradições antigas?
1162 | Tempo
Comum | Semana XVIII | Terça | Mateus 15,1-14
No capítulo 15, Mateus apresenta vários episódios
focalizados no reconhecimento ou confirmação de Jesus como enviado pelo Pai
para realizar seu reinado no mundo O texto de hoje omite os v. 3 a 9, nos quais
Jesus acusa os fariseus e doutores da lei de substituir e esterilizar a Lei de
Deus por tradições humanas que eles inventaram e ensinam, e de crer e louvar a
Deus apenas da boca para fora.
O episódio começa com a aproximação dos fariseus e
escribas para acusar os discípulos de
Jesus de desrespeitar as tradições do judaísmo. Por trás dessa acusação,
está a crítica ao próprio Jesus, que subordina as tradições e o legalismo frio
à misericórdia. Jesus responde aos
doutores da lei priorizando a pureza ética (purificação do coração) à pureza
cultual, e insiste que seus discípulos devem compreender e assimilar essa
novidade e essa mudança.
Os representantes do judaísmo oficial se escandalizam com a liberdade
ensinada e praticada por Jesus e desaparecem. Eles
não reconhecem a autoridade de Jesus diante das tradições que lhes conferem
segurança e poder. Na continuidade e na ausência deles, Jesus volta sua
“catequese” aos discípulos, mas não deixa de criticar dura a abertamente as
práticas dos fariseus e doutores da lei.
Além de citar o profeta Isaías para acusá-los de
falsidade e engano, Jesus diz que as
tradições que eles defendem não são inspiradas por Deus, não são plantas de
Deus e, por isso, serão arrancadas e não ficará nada. E conclui pedindo que
ninguém os leve em consideração: os
doutores da lei são cegos que se propõe a guiar outros cegos, e essa
pretensão acabará seguramente em desastre para ambos.
Este episódio ressoa como ensino e advertência aos discípulos e à Igreja
como um todo. Todos precisamos escutar e compreender o ensino de Jesus. Nada
deve ser colocado acima ou em lugar desse ensino. E devemos estar muito atentos
para não colocarmos os nossos planos, costumes e tradições acima do Evangelho
da compaixão e do serviço a vida. A vida
de uma pessoa vulnerável vale mais que noventa e nove missas e mil ave-marias...
Sugestões para a meditação
Procure
participar mentalmente das cenas: o questionamento feito a Jesus pelos escribas
e fariseus, a resposta de Jesus, a retirada desiludida deles, o ensino incisivo
às multidões e aos discípulos
Como
ressoa em você, e consequências tem para a vida eclesial, a afirmação de Jesus
de que “é o que sai da boca das pessoas que as torna impuras” e que aqueles que
substituem a Palavra de Deus pelas suas tradições “são cegos guiando cegos”?
Em
que medida alguns costumes e tradições da sua família e da sua comunidade
correm o risco de anular a vontade de Deus colocando-se acima da Palavra de
Deus? Quais?