A misericórdia nos faz semelhantes a Deus
1006 | Quaresma | 2ª Semana | Segunda | Lucas 6,36-38
No evangelho de
ontem, a voz que ressoou a partir de dentro da nuvem que envolveu os discípulos
amedrontados, dizia: “Este é meu filho amado; escutem o que ele diz!” E hoje,
aquele que devemos escutar nos ordena: “Sejam misericordiosos, como o Pai de
vocês é misericordioso”. Em outras palavras: ele pede que vivamos como ele
mesmo viveu, um amor solidário e sem fronteiras.
O Papa Francisco diz que, na
Bíblia, a misericórdia é a palavra-chave para falar do agir de Deus em relação
às suas criaturas. E os sinais que Jesus realiza, sobretudo para com os
pecadores, as pessoas pobres, marginalizadas, doentes e atribuladas, estão
marcados pela misericórdia e dela são expressão. Em Jesus, tudo fala de
misericórdia, e nele não há nada que seja desprovido de compaixão.
Recordemos, a título de exemplo, o
episódio relatado em João 8,1-11. Jesus estava na praça do templo, e o clima era
de tensão com as autoridades. Um grupo de doutores da lei chegou trazendo uma
mulher, acusando-a de adultério e pedindo que Jesus tome uma posição. Entre a
lei de Moisés e a dignidade daquela pobre mulher, Jesus faz uma escolha
surpreendente: chama os acusadores a rever sua própria conduta, e trata a
mulher com misericórdia. Ele quer misericórdia, e não legalismo frio!
Para o discípulo de Jesus, a
misericórdia não é apenas um princípio entre vários outros, mas o dinamismo
fundamental, aquele que dá concretude e sentido a todas as leis e proibições.
Nas palavras do Papa Francisco, a misericórdia é a arquitrave (viga-mestra) que
sustenta a vida e a atividade da Igreja. “A credibilidade da Igreja passa
pela estrada do amor misericordioso e compassivo”.
O
que Jesus ensina nos demais versículos são desdobramentos da atitude
misericordiosa: não julgar nem condenar ninguém; perdoar e ajudar todos; dar
com generosidade a quem tem mais necessidade que nós. Essa ordem não se refere
apenas ao campo das relações interpessoais, mas se aplica à dimensão social:
acolher, e não julgar ou criminalizar as pessoas e grupos diferentes; afirmar a
igual dignidade de homens e mulheres, brancos e negros, cristãos e ateus.
Sugestões para a meditação
Leia
atentamente, palavra por palavra, o mandamento de Jesus e os exemplos mais
concretos e detalhados que ele oferece
O que é que nos move e nos sustenta naquilo que fazemos pelos outros
como cristãos e como Igreja?
Que medida nós usamos nas ações solidárias com os mais vulneráveis, e
como avaliamos e julgamos as pessoas?
Como seria a nossa Igreja se todas as suas decisões e ações passassem pela
estrada do amor misericordioso e compassivo?