domingo, 1 de março de 2026

Nossas medidas

A misericórdia nos faz semelhantes a Deus

1006 | Quaresma | 2ª Semana | Segunda  | Lucas 6,36-38

No evangelho de ontem, a voz que ressoou a partir de dentro da nuvem que envolveu os discípulos amedrontados, dizia: “Este é meu filho amado; escutem o que ele diz!” E hoje, aquele que devemos escutar nos ordena: “Sejam misericordiosos, como o Pai de vocês é misericordioso”. Em outras palavras: ele pede que vivamos como ele mesmo viveu, um amor solidário e sem fronteiras.

O Papa Francisco diz que, na Bíblia, a misericórdia é a palavra-chave para falar do agir de Deus em relação às suas criaturas. E os sinais que Jesus realiza, sobretudo para com os pecadores, as pessoas pobres, marginalizadas, doentes e atribuladas, estão marcados pela misericórdia e dela são expressão. Em Jesus, tudo fala de misericórdia, e nele não há nada que seja desprovido de compaixão.

Recordemos, a título de exemplo, o episódio relatado em João 8,1-11. Jesus estava na praça do templo, e o clima era de tensão com as autoridades. Um grupo de doutores da lei chegou trazendo uma mulher, acusando-a de adultério e pedindo que Jesus tome uma posição. Entre a lei de Moisés e a dignidade daquela pobre mulher, Jesus faz uma escolha surpreendente: chama os acusadores a rever sua própria conduta, e trata a mulher com misericórdia. Ele quer misericórdia, e não legalismo frio!

Para o discípulo de Jesus, a misericórdia não é apenas um princípio entre vários outros, mas o dinamismo fundamental, aquele que dá concretude e sentido a todas as leis e proibições. Nas palavras do Papa Francisco, a misericórdia é a arquitrave (viga-mestra) que sustenta a vida e a atividade da Igreja. “A credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo”.

O que Jesus ensina nos demais versículos são desdobramentos da atitude misericordiosa: não julgar nem condenar ninguém; perdoar e ajudar todos; dar com generosidade a quem tem mais necessidade que nós. Essa ordem não se refere apenas ao campo das relações interpessoais, mas se aplica à dimensão social: acolher, e não julgar ou criminalizar as pessoas e grupos diferentes; afirmar a igual dignidade de homens e mulheres, brancos e negros, cristãos e ateus.

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente, palavra por palavra, o mandamento de Jesus e os exemplos mais concretos e detalhados que ele oferece

O que é que nos move e nos sustenta naquilo que fazemos pelos outros como cristãos e como Igreja?

Que medida nós usamos nas ações solidárias com os mais vulneráveis, e como avaliamos e julgamos as pessoas?

Como seria a nossa Igreja se todas as suas decisões e ações passassem pela estrada do amor misericordioso e compassivo?

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