A missão de Jesus atualiza a ação do Pai
1022 | Quaresma | 4ª Semana | Quarta-feira | João 5,17-30
A cena do evangelho de ontem terminava
com um paralítico curado e caminhando livre, carregando sua cama em pleno dia
de sábado, e com as autoridades decidindo prender e condenar Jesus à morte.
Eles estavam interessados apenas em defender o aparato legal e religioso, sem a
mínima empatia com o povo cansado e abatido.
No texto de hoje, que segue a cena de ontem,
Jesus enfrenta as acusações levantadas pelas autoridades do templo. Para Jesus,
o sexto dia da criação ainda não terminou, e Deus não descansa enquanto suas
criaturas não chegam à vida plena. Jesus ousa chamar Deus de pai, sublinhando
que é ele a origem e o fundamento da sua ação, que tem com ele uma relação que
os escribas nem imaginam.
A reação do templo e suas lideranças se torna
cada vez mais violenta. Jesus não deixa por menos, e repete, de diversas
formas, que o Pai é a base, o fundamento e a origem do seu ser e das suas
ações. Apelando à experiência comum, Jesus diz que o filho só faz o que aprende
do pai; que quem honra o filho honra, na verdade, seu pai; que ele dá realismo
à profecia de Ezequiel, que faz os ossos secos recobrarem vida.
Jesus se apresenta como o único mediador da
vontade e da ação de Deus. Assim, desmascara a pretensão dos doutores da lei e
dos sacerdotes, e solapa a autoridade deles junto ao povo. O que eles fazem e
impõem não tem nada a ver com a vontade de Deus. O que Jesus faz, na
emancipação do mendigo à beira da piscina e em diversas outras ações
libertadoras, pode ser comparada à ressurreição dos mortos.
Por fim, Jesus
acusa as autoridades de julgar os outros a partir dos interesses deles mesmos e
do templo. Enquanto isso, o julgamento de Jesus (intervenção libertadora em
favor das pessoas vulneráveis) não é expressão da sua vontade e dos seus
interesses, mas da vontade de Deus, seu e nosso pai. Amanhã, voltaremos à lição
que Jesus passa às autoridades do templo. Por hoje, fiquemos com o alerta de
que a conversão ao Evangelho é mais difícil que a simples mudança dos costumes.
Sugestões para a meditação
Situe-se
no interior da cena, observe a atitude de Jesus e a raiva que ele suscita nas
autoridades religiosas
Deixe-se
levar, envolver e iluminar pela metáfora da relação entre pai/mãe e
filho/filha, que Jesus usa para justificar suas ações
Você
percebe na Igreja e na sociedade de hoje pessoas que estão mais interessadas na
defesa das leis que na defesa das pessoas?
Como
podemos pôr hoje em prática a empatia, a compaixão e o compromisso de Jesus com
a defesa das pessoas vulneráveis?
Porque
muitos de nós ainda acham que agrada mais a Deus a defesa das leis e dos
costumes que a defesa dos direitos humanos?
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