sábado, 28 de março de 2026

Montado num jumento

Quem é esse homem tão semelhante a nós?

1034 | Quaresma | Domingo de Ramos | Mateus 21,1-11

O relato da entrada de Jesus em Jerusalém nos convida a abandonar toda e qualquer fantasia de poder e de sucesso que alimentamos e projetamos nele. Nesta cena não há nada de triunfal. Jesus vem da região periférica da Galileia e entra na capital do seu país politicamente dominado montado numa jumenta. Nada de cortejos de honra, de generais e cavalos vistosos, de discursos oficiais de acolhida. Jesus chega a Jerusalém como sempre foi: um servidor, um reformador inquieto, um profeta destemido e vindo dos grotões, um simples homem da Galileia.

Jesus chega a Jerusalém à frente de um numeroso e desorganizado grupo de discípulos. O povo da capital não o conhece, e mesmo assim o teme. Mas o pessoal do campo que o acompanha desde a Galileia ou que vive na periferia da capital o aclama entusiasmo e o acolhe como o Messias esperado. “Bendito o que vem em nome do Senhor!” Como o velho Simeão, essa gente reconhece naquele homem que tem ouvidos, palavras e ações libertadoras em favor dos últimos o Enviado de Deus. E isso contrasta claramente com a fria acolhida do povo de Jerusalém.

O que aquela pequena multidão de pobres e estropiados faz é aclamar a chegada do líder enviado por Deus e o despontar do Reino messiânico inspirado em Davi. Mas Jesus não realiza as ações potentes que esta ideologia apregoava! Ele é o servo paciente e o ouvinte atento da Palavra de Deus anunciado por Isaías, e é dessa escuta que brota uma palavra que desperta as pessoas adormecidas e encoraja as multidões acorrentadas ao medo. A ação poderosa de Jesus será essencialmente o incondicional e solidário dom de si mesmo na cruz, síntese de todas as suas ações libertadoras.

O entusiasmo daquela gente que vinha do interior ou vivia na periferia da capital não se sustentará por muito tempo. Os próprios discípulos, depois de se unirem às multidões e saudarem Jesus como o Messias esperado, voltam atrás e o abandonam. Os gritos de ‘hosana’ – Socorro! Deus salve agora! – darão lugar ao insolente e violento pedido ‘Crucifica-o!’, fruto da frustração das expectativas e da manipulação interesseira das autoridades de Jerusalém.

 

Sugestões para a meditação

Releia o texto com calma, prestando atenção aos personagens, ao que eles fazem e ao que eles dizem

Você consegue perceber os traços de sátira política que Mateus dá à sua narração da chegada de Jesus a Jerusalém?

Com que palavras, gestos e símbolos acolheríamos hoje Jesus em nossas casas, instituições e cidades?

O que esta cena paradigmática diz e ensina sobre a prática da evangelização e do anúncio do Reino de Deus?

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