Quem é esse homem tão semelhante a nós?
1034 | Quaresma | Domingo de Ramos | Mateus 21,1-11
O
relato da entrada de Jesus em Jerusalém nos convida a abandonar toda e qualquer
fantasia de poder e de sucesso que alimentamos e projetamos nele. Nesta cena
não há nada de triunfal. Jesus vem da região periférica da Galileia e entra na
capital do seu país politicamente dominado montado numa jumenta. Nada de
cortejos de honra, de generais e cavalos vistosos, de discursos oficiais de
acolhida. Jesus chega a Jerusalém como sempre foi: um servidor, um reformador
inquieto, um profeta destemido e vindo dos grotões, um simples homem da
Galileia.
Jesus chega a
Jerusalém à frente de um numeroso e desorganizado grupo de discípulos. O povo
da capital não o conhece, e mesmo assim o teme. Mas o pessoal do campo que o
acompanha desde a Galileia ou que vive na periferia da capital o aclama
entusiasmo e o acolhe como o Messias esperado. “Bendito o que vem em nome do
Senhor!” Como o velho Simeão, essa gente reconhece naquele homem que tem
ouvidos, palavras e ações libertadoras em favor dos últimos o Enviado de Deus.
E isso contrasta claramente com a fria acolhida do povo de Jerusalém.
O que aquela pequena
multidão de pobres e estropiados faz é aclamar a chegada do líder enviado por
Deus e o despontar do Reino messiânico inspirado em Davi. Mas Jesus não realiza
as ações potentes que esta ideologia apregoava! Ele é o servo paciente e o
ouvinte atento da Palavra de Deus anunciado por Isaías, e é dessa escuta que
brota uma palavra que desperta as pessoas adormecidas e encoraja as multidões
acorrentadas ao medo. A ação poderosa de Jesus será essencialmente o
incondicional e solidário dom de si mesmo na cruz, síntese de todas as suas
ações libertadoras.
O entusiasmo daquela gente que vinha do interior ou vivia na
periferia da capital não se sustentará por muito tempo. Os próprios discípulos,
depois de se unirem às multidões e saudarem Jesus como o Messias esperado,
voltam atrás e o abandonam. Os gritos de ‘hosana’ – Socorro! Deus
salve agora! – darão lugar ao insolente e violento pedido ‘Crucifica-o!’, fruto
da frustração das expectativas e da manipulação interesseira das autoridades de
Jerusalém.
Sugestões para a meditação
Releia o texto com calma, prestando atenção aos personagens,
ao que eles fazem e ao que eles dizem
Você consegue perceber os traços de sátira política que
Mateus dá à sua narração da chegada de Jesus a Jerusalém?
Com que palavras, gestos e símbolos acolheríamos hoje Jesus
em nossas casas, instituições e cidades?
O que esta cena paradigmática diz e ensina sobre a prática da
evangelização e do anúncio do Reino de Deus?
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