domingo, 22 de março de 2026

A miséria humana e a misericórdia divina

Com Jesus, todos os pecadores têm futuro

1027 | Quaresma | 5ª Semana | Segunda | João 8,1-11

No dia mais solene da festa, de madrugada, vai ao templo. Era a Festa das Tendas, que recordava o tempo em que viveram em tendas e o início do Yom Kippur, o tempo especial de perdão e remissão todas as dívidas. E eis que chegam à praça do templo alguns fariseus arrastando uma mulher e acusando-a de adultério.

Os mestres da lei e os fariseus transgredem o espírito dessas festas, tramam a prisão e morte de Jesus e condenam tacitamente uma mulher ao apedrejamento, sem o mínimo sinal de misericórdia. Eles pretendem apresentar uma armadilha a Jesus: colocam ele entre a lei judaica, a lei romana e seu próprio ensino.

Jesus começa respondendo com um gesto corporal: inclina-se, e coloca-se no nível de mulher; abaixa-se diante do um bando de homens que esperam seu sinal para liberar sua violência machista. Jesus se aproxima da humanidade ferida e busca uma avaliação e uma palavra justa. Para desmobilizar a violência dos acusadores, Jesus evita o olhar dos agressores. Abandonando o combate, ele o acaba vencendo.

Os fariseus insistem. Então, a resposta de Jesus é extremamente simples, uma única frase, que chama ao discernimento: quem nunca pecou, que comece o apedrejamento! Os fariseus conhecem a Lei, e sabem que ela chama à conversão, à atenção a Deus e ao seu povo. Eles se dão conta da ilusão de serem superiores. Jesus e a mulher acabam ficando sozinhos na praça, miséria diante da misericórdia.

A mulher permanece ali, cercada e algemada pela própria culpa. Então Jesus se dirige a ela, com uma pergunta que a ajuda a tomar consciência de que todos os seus acusadores são pecadores, como ela, que todos são membros da mesma e única humanidade que ele veio libertar. Por fim, declara que ele também não a condena, e pede que a mulher não volte a pecar.

Jesus não defende o laxismo nem rigorismo, mas a misericórdia, que não legitima o pecado, mas também se recusa a reduzir e identificar a pessoa com seu pecado.  A pessoa jamais pode ser reduzida aos seus atos!  Diante de Deus todos temos chance. Não é verdade que para conhecer e experimentar Deus não podemos ser pecadores! Ser pecador é uma chance para conhecer o coração de Deus! É porque ele nos ama e perdoa incondicionalmente que precisamos viver cada vez melhor.

 

Sugestões para a meditação

Retome esta cena atentamente, situando-se entre os três personagens: os fariseus, a mulher e Jesus

Tome como dirigidas a você as palavras de Jesus: “Eu também não te condeno... Vai em paz e não tornes a pecar...”

Por que nos custa tanto superar a atitude de acusadores e assumir, de verdade, nossa realidade de pecadores e iguais?


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