O encontro vivo com Jesus liberta e emancipa
1021 | Quaresma | 4ª Semana | Terça-feira | João 5,1-16
Segundo o evangelho de João, esta é a
segunda viagem de Jesus a Jerusalém, mas desta vez não se diz se ele foi ao
templo. João também não diz qual era a festa que se celebrava naquele momento.
Mas isso não importa, porque Jesus relativiza tanto o templo como as festas
religiosas. O templo não é mais o lugar da memória e da fé.
A piscina conhecida como “casa da misericórdia”
(Betesda) não promove misericórdia nenhuma. Em torno dela temos um retrato da
multidão de gente excluída que se amontoa em Jerusalém. Somente os “puros”, os
“bons” podem entrar no templo, e é o próprio templo que impõe a lei segundo a
qual somente “os primeiros” seriam beneficiados com a esperada cura.
O homem paralisado há trinta e oito anos é
figura da maioria do povo: excluídos sem piedade do templo e das suas festas.
No templo vigora a competição que exclui e a perseguição que mata, como
comprovará Jesus. Assim como o templo e suas festas não servem para nada,
também a água da piscina, como a água do poço de Jacó, só consolidam e aumentam
a discriminação.
Jesus visita Jerusalém sem chamar a atenção, e
nem sequer se apresenta à multidão excluída e ao homem paralisado que esperam
em torno da piscina. Ele também não dá a mínima importância para o templo e
suas leis. Jesus sabe que as festas são ocasionais e que a exclusão é
permanente. Sabe também que a Lei e o Templo não libertam ninguém, pois são os
próprios causadores da prostração e da exclusão do povo.
Jesus não mergulha o paralítico na água, nem o
manda lançar-se na piscina. Ele simplesmente ordena que ele se levante e
caminhe por si mesmo, libertando-o das amarras e fardos da lei. A cama na qual
estava preso é exatamente o símbolo da Lei! Estimulado por Jesus, o homem, agora
emancipado, não leva mais a Lei em conta e se torna um peregrino de esperança.
Por isso, Jesus vai
buscar (e não “encontrar”) o homem curado no templo e o tira para fora. Ser
libertado à margem da Lei e contra as regras do templo e continuar submisso a
elas significaria recair no pecado ou cair na escravidão voluntária. Na Lei e
no Templo ninguém encontra confirmação de sua liberdade ou da sua dignidade,
mas apenas discriminação, perseguição e morte.
Sugestões para a meditação
Situe-se
no interior da cena, observe a atitude de Jesus em meio à multidão que se
acotovelava para conseguir “uma vaga” na água
Você
consegue perceber como o episódio é uma denúncia forte contra o uso das leis e
cultos para manter as pessoas dominadas?
O
que a palavra e a prática de Jesus nos ensina sobre o uso abusivo da religião
para premiar alguns e submeter multidões?
Nenhum comentário:
Postar um comentário