Será que ele estará conosco na Páscoa?!
1033 | Quaresma | 5ª Semana | Sábado | João 11,45-56
Na meditação de
ontem, Jesus concluía o debate com as lideranças do templo reafirmando sua
filiação divina – suas ações mostram que ele é parecido com o Pai – e que a
elite religiosa é filha da idolatria (que a tradição chama de prostituição),
pois rejeita, persegue e quer matar Jesus, assim como os discípulos fiéis a
ele.
Na cena de hoje,
que está situada depois da ressurreição de Lázaro, estas mesmas “autoridades” confirmam
a decisão de eliminar Jesus, dispensando um processo legal. Diante da crescente
adesão do povo a Jesus, elas sentem estar perdendo a influência, e reúnem o
“conselho superior” (o Sinédrio) para tomar uma decisão.
As lideranças do
templo não toleram pessoas livres e revolucionárias. Como Jesus desperta a sede
de liberdade, reúnem-se os que pretendem representar os “interesses de Deus”,
seja pelo cargo que exercem, seja pelo saber que administram. Reunidos, fazem
uma leitura negativa e tendenciosa dos acontecimentos, não conseguem ver nada
de bom e tão somente ameaça naquilo que Jesus faz.
Pode parecer
incrível, mas esses líderes religiosos não estão interessados no cumprimento da
vontade de Deus e na defesa do povo, mas apenas no risco de perder a “clientela
religiosa” para Jesus. Porém, disfarçam, e justificam sua decisão assassina
acenando para o risco de que Jesus, agitando as esperanças do povo, viesse a
provocar uma represália romana. Em outras palavras, apelam à “lei de segurança
nacional” para defender seus interesses pouco nacionalistas.
Ironicamente,
Caifás, em nome do conselho e como chefe que encarna a instituição, se opõe à
ação de Deus em Jesus para “salvar” o “lugar de Deus”, que é o templo. Isso faz
com que Jesus se afaste do templo e se esconda, onde atrai mais discípulos e se
dedica à última etapa de formação deles antes de ser levado à morte. Mas, com a
morte na cruz, Jesus acaba decretando o fim da identificação do povo de Deus
com a nação judaica, pois abre as portas para os “filhos de Deus dispersos”.
Sugestões para a meditação
Qual é o verdadeiro motivo da reunião do Conselho
do Sinédrio, e o que seus membros temem a respeito de Jesus?
Que tipo de “leitura da realidade” eles fazem? O
que dizem de Jesus? Isso que eles dizem é verdadeiro?
Como entender que as ações emancipadoras e
restauradoras de Jesus provoquem tanta indignação e violência nas lideranças
religiosas?
Elas podem se arrogar a autoridade de
representantes de Deus? O que isso significa para as autoridades e lideranças
cristãs de hoje?
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