José, esposo de Maria e educador de Jesus
1023 | Solenidade de São José | 19 de março | Lucas 2,41-52
Maria e José levam Jesus,
ainda adolescente, a Jerusalém e, como família, participam, com o povo todo, da
festa que recorda e atualiza a superação da escravidão e a constituição de um
povo solidário e livre. É uma família normal, uma família entre outras famílias
em meio à caravana de romeiros que peregrinam cheios de boas memórias e
dinamizados pela esperança.
Mas nessa peregrinação, José e
Maria descobrem que precisam superar o simples e costumeiro cumprimento das
tradições, por mais relevantes que sejam, assim como o estreito limite da
convivência e da educação familiar. Mesmo sem entender tudo, eles precisam ajudar
o filho a crescer na sua vocação e missão, a se dedicar ao Reino de Deus, às
coisas do seu e nosso Pai.
Unidos pelos laços de um amor
profundamente humano, e dentro do horizonte das tradições do povo que lhes dava
memória e identidade, José e Maria avançam na fé. Como Abraão, eles se lançam
na estrada da fé sem saber claramente onde chegarão. Também eles ousam
acreditar, caminhar orientados apenas pela fé, e isso lhes é creditado como
justiça. Eles não andam a esmo, são peregrinos de esperança.
Nesta peregrinação existencial e
espiritual, Maria e José tiveram que se abrir sempre mais à novidade que Deus
manifestava através do filho que lhes fora confiado. José, o fiel e generoso
esposo de Maria, teve que renunciar aos privilégios que o patriarcalismo
conferia ao pai: o filho deve obedecer mais a Deus que ao pai.
Para a Sagrada Família, depois do
brilho de Jesus no templo, a volta a decisão de “descer” a Nazaré não é algo
casual. É uma escolha de continuar ligado ao “resto de Israel”. Nazaré é o
lugar onde Jesus cresce, se fortalece e adquire a sabedoria do Reino. José e
Maria educam o filho longe do ambiente glorioso e sedutor do templo, e Jesus
cresce na medida em que lança raízes na história do seu povo.
A
sábia e profética escolha de José impede que Jesus se afaste das raízes populares,
do vínculo com os pobres. Significa assumir resolutamente o caminho que leva à
periferia e privilegiar a encarnação no cotidiano que tece a vida normal de
todas as pessoas. Em Nazaré, Jesus absorve a seiva das esperanças do seu povo a
partir da periferia. Aprende a ser Filho do Pai e peregrino de esperança.
Sugestões para a meditação
Releia
e reconstrua a cena da Sagrada Família no templo e no caminho, observe as ações
de Jesus e as reações de Maria, José e dos doutores
Qual
poderia ser o sentido da expressão “por quê me procuravam? Não sabiam que devo
ocupar-me da casa/coisas do meu Pai”?
Em
Jerusalém Jesus brilhou e se distanciou dos pais, mas foi em Nazaré que ele
cresceu: o que isso significa?
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