Jesus quer celebrar a páscoa em nossa casa!
1037 | Quaresma | Semana Santa | Quarta | Mateus 26,14-25
No evangelho de
Mateus, do qual é extraída a cena de hoje, a ceia de despedida de Jesus é
precedida pelo anúncio da traição. O fato é também narrado por João, mas com
nuances bastante diferentes, e depois da ceia. Em todos os casos, ao celebrar a
ceia pascal e assinar sua aliança, Jesus está consciente das traições que o
cercam.
Jesus pede que a
ceia seja celebrada numa casa, no ambiente “profano” e íntimo das pessoas que
compartilham o sangue e o destino. É neste ambiente de intimidade e memória do
evento fundador do povo de Deus, neste acontecimento da aliança nova e eterna
de Deus com a humanidade, que a traição se desenvolve. Por isso, a ação de
Judas é também uma traição do espírito da comunidade e da ceia eucarística.
Mateus nos relata
um fato estranho: é Judas, um dos Doze, que procura a elite religiosa do templo
para entregar Jesus a eles. Os dirigentes não precisavam dessa ajuda, pois
sabiam muito bem quem era ele e por onde ele andava. A ação de Judas contrasta
com a atitude de gratidão de uma mulher na casa do leproso que fora curado por
Jesus, um pouco antes: enquanto Judas entrega Jesus, a mulher o acolhe.
Judas acerta com
os sacerdotes o pagamento pelo seu “serviço sujo”: um mês de trabalho de um
pastor, a indenização que deveria ser paga por um escravo ferido por um boi. Na
verdade, a iniciativa estranha de Judas revela uma tendência geral de
desistência, negação, traição e ruptura com Jesus e seu Evangelho. Mas isso não
muda a decisão de Jesus, e ele se mostra consciente daquilo que estava
ocorrendo.
Quando
Jesus fala que um dos Doze haveria de traí-lo, todos ficam aflitos e perguntam se
seriam eles, esperando uma resposta negativa. Então o foco da cena faz
convergir a nossa atenção para a figura de Judas, que faz a mesma pergunta e
também espera uma resposta negativa, como que para encobrir ou disfarçar aquilo
que o aproximava dos hipócritas que controlavam a religião e o templo. E ele
não chama Jesus de Senhor, mas de mestre, desobedecendo a proibição explícita
de Jesus.
Sugestões para a meditação
Leia
atentamente a narração de Mateus, e perceba o clima de tensão e as contradições
que envolvem todos os discípulos
É
possível perceber, por traz da traição, a ruptura de Judas com Jesus e sua
proposta de comunhão do reino de Deus?
Será
que a tentação de resistir, desistir, amaciar ou desviar do evangelho do
diálogo e da acolhida não está nos rondando?
O
que significa lembrar que a traição acontece na mesa da eucaristia e envolve os
mais próximos de Jesus?
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