terça-feira, 31 de março de 2026

A páscoa em nossa casa

Jesus quer celebrar a páscoa em nossa casa!

1037 | Quaresma | Semana Santa | Quarta | Mateus 26,14-25

No evangelho de Mateus, do qual é extraída a cena de hoje, a ceia de despedida de Jesus é precedida pelo anúncio da traição. O fato é também narrado por João, mas com nuances bastante diferentes, e depois da ceia. Em todos os casos, ao celebrar a ceia pascal e assinar sua aliança, Jesus está consciente das traições que o cercam.

Jesus pede que a ceia seja celebrada numa casa, no ambiente “profano” e íntimo das pessoas que compartilham o sangue e o destino. É neste ambiente de intimidade e memória do evento fundador do povo de Deus, neste acontecimento da aliança nova e eterna de Deus com a humanidade, que a traição se desenvolve. Por isso, a ação de Judas é também uma traição do espírito da comunidade e da ceia eucarística.

Mateus nos relata um fato estranho: é Judas, um dos Doze, que procura a elite religiosa do templo para entregar Jesus a eles. Os dirigentes não precisavam dessa ajuda, pois sabiam muito bem quem era ele e por onde ele andava. A ação de Judas contrasta com a atitude de gratidão de uma mulher na casa do leproso que fora curado por Jesus, um pouco antes: enquanto Judas entrega Jesus, a mulher o acolhe.

Judas acerta com os sacerdotes o pagamento pelo seu “serviço sujo”: um mês de trabalho de um pastor, a indenização que deveria ser paga por um escravo ferido por um boi. Na verdade, a iniciativa estranha de Judas revela uma tendência geral de desistência, negação, traição e ruptura com Jesus e seu Evangelho. Mas isso não muda a decisão de Jesus, e ele se mostra consciente daquilo que estava ocorrendo.

Quando Jesus fala que um dos Doze haveria de traí-lo, todos ficam aflitos e perguntam se seriam eles, esperando uma resposta negativa. Então o foco da cena faz convergir a nossa atenção para a figura de Judas, que faz a mesma pergunta e também espera uma resposta negativa, como que para encobrir ou disfarçar aquilo que o aproximava dos hipócritas que controlavam a religião e o templo. E ele não chama Jesus de Senhor, mas de mestre, desobedecendo a proibição explícita de Jesus.

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente a narração de Mateus, e perceba o clima de tensão e as contradições que envolvem todos os discípulos

É possível perceber, por traz da traição, a ruptura de Judas com Jesus e sua proposta de comunhão do reino de Deus?

Será que a tentação de resistir, desistir, amaciar ou desviar do evangelho do diálogo e da acolhida não está nos rondando?

O que significa lembrar que a traição acontece na mesa da eucaristia e envolve os mais próximos de Jesus?

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