quarta-feira, 1 de abril de 2026

Uma lição formidável

Na Eucaristia, Jesus ensina a lição do servo

1038 | Quaresma | Semana Santa | Quinta | João 13,1-15

Com o lava-pés iniciamos a segunda parte do evangelho de João, que põe em cena a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Este mistério é introduzido pela última ceia, e a narração se estende por cinco capítulos, recheados de diálogos entre Jesus e seus discípulos sobre questões absolutamente centrais na vida cristã. 

Aproxima-se a festa da páscoa, e Jesus sabe que a sua hora chegou. Então, se reúne com seus discípulos numa refeição cálida e amistosa que, no costume judaico, precede a ceia pascal. Jesus tem plena consciência daquilo que está para acontecer. Ele não é um profeta ou um mestre surpreendido por acontecimentos inesperados, mas caminha soberano, consciente e livre para a entrega da própria vida.

Um novo personagem entra em cena e atua em Judas: o diabo. Então o amor de Jesus pela humanidade se torna duro e exigente combate. É neste momento que Jesus se despoja do manto da divindade e se reveste do linho da humanidade para conduzi-la e mantê-la na sua amizade.  O despojamento que se manifestou na encarnação em Belém e em Nazaré se radicaliza na ceia e na cruz em Jerusalém.

Abaixando-se para lavar os pés dos discípulos, Jesus antecipa o movimento da paixão e morte, sua descida “aos infernos”. De certo modo, ele repete o gesto de acolhida que Maria de Betânia havia feito a ele. Jesus se despoja da sua condição divina para nos acolher, e retoma à sua gloria na manhã da ressurreição.

Lavar os pés era um ofício degradante, um trabalho reservado aos escravos pagãos. Jesus lava nossos pés para que participemos da sua vida e missão de servo. Assim, entende-se a resistência insistente de Pedro, que quer manter as coisas na “ordem” de sempre. Mas, diante da insistência de Jesus, Pedro consente, inclusive pedindo com excesso. Mas o faz por obediência a um chefe, não por consciência.

Jesus não quer simplesmente demonstrar humildade. O que ele faz é rejeitar de forma contundente toda forma de superioridade e hierarquia que não valorize a dignidade de cada pessoa e perpetua a desigualdade. O amor e o serviço fraterno, especialmente aos mais vulneráveis, é o ensaio da vida cristã, a “prova dos nove” do amor a Deus. Reivindicar superioridades equivale a colocar-se acima de Deus.

 

Sugestões para a meditação

Acompanhe o gesto de Jesus, permita que ele lave seus pés, e, principalmente, entenda o que ele quer transmitir com isso

Por que Pedro resiste ao gesto de Jesus? Será que ele não quer defender sua própria superioridade e seu futuro lugar na hierarquia?

Por que nos custa tanto reconhecer a dignidade e os direitos humanos, a absoluta igualdade de todos os seres humanos?

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