A vontade do Pai é
que nenhum filho se perca
1058 | Tempo Pascal
| 3ª Semana | Quarta-feira | João 6,35-40
Na
terceira parte da catequese sobre o verdadeiro pão, Jesus convida enfaticamente
à fé, ao reconhecimento de que ele – o galileu, o carpinteiro, o filho de José
e de Maria – é o enviado de Deus, o pão vivo e verdadeiro que desceu do céu. E
pede aos seus interlocutores uma confiança fundamental nele e no seu Evangelho.
Trata-se de crer que Deus está nele e age nele, de aderir a ele e seguir seus passos.
Mas
essa adesão a Jesus não é um ato voluntarista ou ritual. É uma decisão que tem
uma base e um dinamismo: a vontade do Pai, e essa vontade é que nenhum filho
seu se perca, que ninguém perca as condições materiais para viver, nem o
sentido da vida. A vontade do Pai é clara: que toda pessoa que vê o Filho e
nele crê tenha vida eterna. É para tornar isso possível e palpável que o Filho
“desceu”.
Jesus
é doador e fonte de vida, não um limitador da vida ou um juiz pronto a
identificar e punir culpados. Ele é o pão da vida, e quem vai a ele não terá
outra fome. Mas é preciso ir ao encontro dele, aceitar seu caminho, entender a
convocação que se esconde em cada sinal que ele realiza. Porém, Jesus constata
um pouco desolado: “Vós me vistes, mas não acreditais...”
Jesus
afirma com clareza que não afasta nem trata com descaso ou dureza aqueles que o
Pai confia a ele e o procuram, aqueles que decidem percorrer seu caminho e fazer
parte do seu povo. Estes não perderão nada, nem se perderão; ao contrário,
ganharão tudo. Jesus promete que ressuscitará estes seguidores “no último dia”,
ou seja: no sétimo dia da criação, o ápice da criação saída do coração de Deus.
A expressão “no último dia” é também uma referência à
sexta-feira, ao dia da doação total e radical de Jesus na cruz. É do alto da
cruz, em meio a outras vítimas com as quais se solidariza, que Jesus revela até
onde vai o amor do Pai, perdoa os seus próprios assassinos e, por isso, pode
declarar: “Tudo está consumado!” Ele é a criação consumada, o ser humano maduro
e libertado, o doador da vida no qual todos renascemos. É em gestos semelhantes
a esse que nos tornamos semelhantes a Deus
Sugestões para a
meditação
Releia atentamente essa dura e exigente
“catequese” de Jesus, evitando concluir sem mais que ele fala simplesmente da
eucaristia
Será que não estamos entre aqueles que viram,
mas não acreditam, que não permitem que Jesus e seu Evangelho guie suas opções?
Será que não corremos o risco de evitar o
renascimento no amor incondicional e sem medidas, e transformamos o “último
dia” na última coisa que seríamos capazes de aceitar?
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