sexta-feira, 10 de abril de 2026

Sob a força do Espírito

VIVER DA SUA PRESENÇA

O relato de João não poderia ser mais sugestivo e interpelante. Só quando veem Jesus ressuscitado no meio deles é que o grupo de discípulos se transforma. Recuperam a paz, desaparecem os seus medos, enchem-se de uma alegria desconhecida, sentem o sopro de Jesus sobre eles e abrem as portas porque se sentem enviados a viver a mesma missão que ele recebeu.

A crise atual da Igreja, os seus medos e a sua falta de vigor espiritual têm origem num nível profundo. Com frequência, a ideia da ressurreição de Jesus e da sua presença entre nós é mais uma doutrina pensada e pregada do que uma experiência vivida. Tanto faz se há ou não ressurreição.

Cristo ressuscitado está no centro da Igreja, mas a sua presença viva não está enraizada em nós, não está incorporada à substância das nossas comunidades, não alimenta habitualmente os nossos projetos. Após vinte séculos, Jesus não é conhecido nem compreendido na sua originalidade. Não é amado nem seguido como foi pelos seus primeiros discípulos.

Nota-se logo quando um grupo ou uma comunidade cristã se sente habitada por essa presença invisível, mas real e ativa, de Cristo ressuscitado. Não se contentam em seguir as diretrizes que regulam a vida eclesial. Possuem uma sensibilidade especial para escutar, buscar, recordar e aplicar o evangelho de Jesus. São os espaços mais saudáveis e vivos da Igreja.

Nada nem ninguém nos pode oferecer hoje a força, a alegria e a criatividade de que precisamos para enfrentar uma crise sem precedentes como pode fazê-lo a presença viva de Cristo ressuscitado. Privados do seu vigor espiritual, não sairemos da nossa passividade quase inata, continuaremos com as portas fechadas ao mundo moderno, seguiremos fazendo o que está mandado, sem alegria nem convicção. Onde encontraremos a força de que precisamos para recriar e reformar a Igreja?

Temos que reagir. Precisamos de Jesus mais do que nunca. Precisamos viver da sua presença viva, recordar em toda ocasião os seus critérios e o seu Espírito, repensar constantemente a sua vida, permitir que ele inspire as nossas ações. Ele pode transmitir-nos mais luz e mais força do que ninguém. Ele está no meio de nós comunicando-nos a sua paz, a sua alegria e o seu Espírito.

 José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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