Punir e condenar não
é coisa de Deus.
1051 | Tempo Pascal
| 2ª Semana | Quarta-feira | João 3,16-21
Estamos ainda no
contexto literário da cena e da catequese que começamos a meditar na
segunda-feira e prosseguimos no dia de ontem. Tendo procurado Jesus à noite,
momento preferido pelos judeus para estudar e acolher a Palavra, Nicodemos
ouviu dos lábios de Jesus que seu saber não servia para nada, que, para ver o
Reino de Deus, ele precisaria desaprender, nascer de novo.
Para um doutor da
Lei, como é o caso de Nicodemos, a palavra de Deus é substancialmente uma Lei
que classifica e separa, condenando uns e absolvendo outros. Por isso, os
fariseus esperavam a vinda de um Messias que, com a Lei na mão, punisse aqueles
que não conseguissem cumpri-la, ou que a própria Lei excluía de toda e qualquer
chance de dignidade e de vida.
Continuando sua
catequese a Nicodemos, Jesus afirma, sem meias-palavras, que a relação de Deus
com o mundo é uma relação de amor, e não de julgamento ou classificação. Deus
envia seu Filho, Jesus de Nazaré, para que as pessoas que o aceitam e aderem ao
seu caminho vivam mais plenamente. Ele não veio em vestes de juiz que julga e
condena, mas em vestes de servo e companheiro cuida da vida.
Jesus é como Luz
que ilumina, e não como Lei que discrimina. Ele nos ensina que a vontade de
Deus é boa, e é boa para toda a humanidade e para as demais criaturas, sem
discriminação. É no seu amor sem medida que brilha o ser e o agir de Deus, e
não na Lei, que coloca as pessoas umas acima das outras, todas distantes,
indiferentes ou competidoras entre si.
Mas
há gente que prefere outra luz e outro saber, que não passam de idiotice
violenta. Há quem chegue a afirmar que a pandemia e as enchentes, que feriram e
mataram tantas pessoas, foram vingança de Deus. Como seu Deus não amasse o
mundo a ponto de dar seu próprio Filho... O amor incondicional de Deus,
manifestado em Jesus, é a verdade. E a prática fiel desse amor é que nos
liberta e nos mantém no caminho que leva à Luz. E nós alcançamos essa luz nós amando-nos uns aos outros, e não armando-nos, como querem alguns setores
amantes da violência.
Sugestões para a
meditação
Leia atentamente, sem pressa, palavra
por palavra, este episódio e este diálogo tenso entre Nicodemos e Jesus
Recite
de memória as palavras de Jesus: Deus amou tanto o mundo; para que o mundo seja
salvo; os homens preferiram as trevas à luz...
O que significa concretamente esta
afirmação: “Deus amou o mundo” (e não apenas as pessoas, as almas)?
E o
que entendemos quando falamos “amor”: é substantivo (coisa) ou é verbo (ação,
relação)? Sentimento ou decisão?
Nenhum comentário:
Postar um comentário