terça-feira, 14 de abril de 2026

Deus não pode não amar

Punir e condenar não é coisa de Deus.

1051 | Tempo Pascal | 2ª Semana | Quarta-feira | João 3,16-21

Estamos ainda no contexto literário da cena e da catequese que começamos a meditar na segunda-feira e prosseguimos no dia de ontem. Tendo procurado Jesus à noite, momento preferido pelos judeus para estudar e acolher a Palavra, Nicodemos ouviu dos lábios de Jesus que seu saber não servia para nada, que, para ver o Reino de Deus, ele precisaria desaprender, nascer de novo.

Para um doutor da Lei, como é o caso de Nicodemos, a palavra de Deus é substancialmente uma Lei que classifica e separa, condenando uns e absolvendo outros. Por isso, os fariseus esperavam a vinda de um Messias que, com a Lei na mão, punisse aqueles que não conseguissem cumpri-la, ou que a própria Lei excluía de toda e qualquer chance de dignidade e de vida.

Continuando sua catequese a Nicodemos, Jesus afirma, sem meias-palavras, que a relação de Deus com o mundo é uma relação de amor, e não de julgamento ou classificação. Deus envia seu Filho, Jesus de Nazaré, para que as pessoas que o aceitam e aderem ao seu caminho vivam mais plenamente. Ele não veio em vestes de juiz que julga e condena, mas em vestes de servo e companheiro cuida da vida.

Jesus é como Luz que ilumina, e não como Lei que discrimina. Ele nos ensina que a vontade de Deus é boa, e é boa para toda a humanidade e para as demais criaturas, sem discriminação. É no seu amor sem medida que brilha o ser e o agir de Deus, e não na Lei, que coloca as pessoas umas acima das outras, todas distantes, indiferentes ou competidoras entre si.

Mas há gente que prefere outra luz e outro saber, que não passam de idiotice violenta. Há quem chegue a afirmar que a pandemia e as enchentes, que feriram e mataram tantas pessoas, foram vingança de Deus. Como seu Deus não amasse o mundo a ponto de dar seu próprio Filho... O amor incondicional de Deus, manifestado em Jesus, é a verdade. E a prática fiel desse amor é que nos liberta e nos mantém no caminho que leva à Luz. E nós alcançamos essa luz nós amando-nos uns aos outros, e não armando-nos, como querem alguns setores amantes da violência.

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente, sem pressa, palavra por palavra, este episódio e este diálogo tenso entre Nicodemos e Jesus

Recite de memória as palavras de Jesus: Deus amou tanto o mundo; para que o mundo seja salvo; os homens preferiram as trevas à luz...

O que significa concretamente esta afirmação: “Deus amou o mundo” (e não apenas as pessoas, as almas)?

E o que entendemos quando falamos “amor”: é substantivo (coisa) ou é verbo (ação, relação)? Sentimento ou decisão?

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