sábado, 4 de abril de 2026

Ressurreição já!

Nenhuma mulher e nenhum homem a menos!

1041 | Páscoa do Senhor | Domingo | João 20,1-9

A cena da paixão e morte de Jesus que meditamos na sexta-feira terminou laconicamente: ele morre abandonado pelos discípulos, e acompanhado somente por dois outros executados com ele; José de Arimatéia, numa ação ambígua, compra um lençol, enrola nele e corpo sem vida de Jesus, deposita-o num túmulo e fecha o túmulo com uma grande pedra, como que dizendo que tudo estava terminado.

Na cena de hoje, Maria Madalena faz algo diferente de José de Arimatéia: sai de casa de madrugada e vai ao túmulo, movida pela inconformidade com o destino imposto pelos dirigentes do judaísmo a Jesus de Nazaré, com a conivência criminosa de Pilatos. Caminhando com essa dor, Maria dá-se conta de que a pedra fora rolada e que a sepultura estava aberta. Assustada, ela dá meia-volta e vai correndo ao encontro de Pedro e de João, dizendo que alguém havia tirado Jesus do túmulo.

Eles dão crédito ao anúncio de Madalena, mas partem correndo em direção à sepultura. João chega primeiro e espera Pedro. Olha para dentro da sepultura aberta, vê os panos da mortalha no chão, mas não entra. Pedro chega depois, entra na sepultura e vê o pano que cobrira o rosto de Jesus cuidadosamente dobrado. Os sinais apontam para algo inusitado, e não para uma fuga apressada ou um roubo do corpo.

Mais tarde, João também entra na sepultura, “vê e acredita”. Vê o quê, e a credita em que? Vê o vazio da sepultura, a impotência das autoridades que se impõem pela força e pela violência, a invencibilidade das causas mais nobres e mobilizadoras. E acredita na Palavra de Jesus, acredita que o amor é mais forte que as águas impetuosas; que o amor não pode ser limitado ou derrotado pela morte, não pode ser comprado ou vendido, mas oferecido incondicionalmente (cf. Ct 8,6-7).

A cena termina com uma nota estranha: “Então, os discípulos voltaram para casa” (v. 10). Como assim? Acreditam na ressurreição e seguem como se nada relevante tivesse acontecido? É a mesma Madalena, aquela que fora ao encontro dos discípulos desolados, que permanece teimosamente próxima ao sepulcro. Ela suspeita que um amor tão generoso e uma dor tão pungente não podem terminar assim.

 

Sugestões para a meditação

Observe a teimosa inconformidade de Maria Madalena, suas buscas, suas intuições, mas também sua dependência do passado

Observe com atenção os movimentos, gestos e atitudes de João e de Pedro, e procure entender o que eles dizem

Que forças e que atitudes a ressurreição de Jesus desperta em você hoje? É possível crer na ressurreição e viver indiferente à causa que o levou à morte?

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