Nenhuma mulher e nenhum
homem a menos!
1041 | Páscoa do
Senhor | Domingo | João 20,1-9
A cena da paixão
e morte de Jesus que meditamos na sexta-feira terminou laconicamente: ele morre
abandonado pelos discípulos, e acompanhado somente por dois outros executados
com ele; José de Arimatéia, numa ação ambígua, compra um lençol, enrola nele e
corpo sem vida de Jesus, deposita-o num túmulo e fecha o túmulo com uma grande
pedra, como que dizendo que tudo estava terminado.
Na cena de hoje, Maria Madalena faz algo
diferente de José de Arimatéia: sai de casa de madrugada e vai ao túmulo,
movida pela inconformidade com o destino imposto pelos dirigentes do judaísmo a
Jesus de Nazaré, com a conivência criminosa de Pilatos. Caminhando com essa
dor, Maria dá-se conta de que a pedra fora rolada e que a sepultura estava
aberta. Assustada, ela dá meia-volta e vai correndo ao encontro de Pedro e de
João, dizendo que alguém havia tirado Jesus do túmulo.
Eles dão crédito ao anúncio de
Madalena, mas partem correndo em direção à sepultura. João chega primeiro e
espera Pedro. Olha para dentro da sepultura aberta, vê os panos da mortalha no
chão, mas não entra. Pedro chega depois, entra na sepultura e vê o pano que
cobrira o rosto de Jesus cuidadosamente dobrado. Os sinais apontam para algo
inusitado, e não para uma fuga apressada ou um roubo do corpo.
Mais tarde, João também entra na
sepultura, “vê e acredita”. Vê o quê, e a credita em que? Vê o vazio da
sepultura, a impotência das autoridades que se impõem pela força e pela
violência, a invencibilidade das causas mais nobres e mobilizadoras. E acredita
na Palavra de Jesus, acredita que o amor é mais forte que as águas impetuosas;
que o amor não pode ser limitado ou derrotado pela morte, não pode ser comprado
ou vendido, mas oferecido incondicionalmente (cf. Ct 8,6-7).
A
cena termina com uma nota estranha: “Então, os discípulos voltaram para casa”
(v. 10). Como assim? Acreditam na ressurreição e seguem como se nada relevante
tivesse acontecido? É a mesma Madalena, aquela que fora ao encontro dos
discípulos desolados, que permanece teimosamente próxima ao sepulcro. Ela
suspeita que um amor tão generoso e uma dor tão pungente não podem terminar
assim.
Sugestões para a
meditação
Observe a teimosa inconformidade de
Maria Madalena, suas buscas, suas intuições, mas também sua dependência do
passado
Observe com atenção os movimentos,
gestos e atitudes de João e de Pedro, e procure entender o que eles dizem
Que forças e que atitudes a
ressurreição de Jesus desperta em você hoje? É possível crer na ressurreição e
viver indiferente à causa que o levou à morte?
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