Jesus é a porta
aberta para o bem viver
1062 | Tempo Pascal
| 4ª Semana | Domingo | João 10,1-10
Jesus entra em
nossa casa e nos conduz para fora. O Bom Pastor não quer isolar seu rebanho
dentro de um redil e conservá-lo seguro, mesmo que este redil se chame Igreja.
Ele não quer reduzir a vida dos discípulos ao ambiente doméstico, indiferente
ao mundo exterior. Ele chama pelo nome e conduz aqueles que o ouvem para fora
de si mesmos e para fora de um sistema que anestesia, separa, hierarquiza e
aprisiona as pessoas. Não é possível ser discípulo de Jesus e viver na a
auto-referencialidade.
Jesus, o Bom Pastor, chama pelo nome e
manda sair às periferias. Neste percurso, ele mesmo caminha à nossa frente,
livre e solidário. Ele não considera suficiente despertar os homens e mulheres,
e mostrar-lhes um caminho. Ele se faz caminho e companheiro de caminhada, um
pouco à frente para dissipar medos e incertezas, sempre próximo para curar as
feridas e fortalecer nos tropeços. No fim, ele é porta aberta em forma de cruz,
passagem-páscoa para a liberdade solidária e plena.
Além de manter uma relação
personalizada com cada discípulo, Jesus também reúne um rebanho, uma
comunidade. Àqueles que ele congrega, também aponta um caminho de saída, um
estilo de vida comunitário, solidário. Somos ovelhas do seu rebanho, membros de
um povo solidário. Recebemos o bônus e o ônus de estarmos ligados a um povo e a
um mundo que caminha para a liberdade tropeçando nos próprios pés, mas com o
olhar fixo naquele que vai à sua frente.
O
sonho de Deus é ver a vida florescendo em todas as dimensões e para todos os
seus filhos e filhas. Não se trata de uma vida miúda, apertada e resignada, mas
de uma vida abundante, transbordante. A festa da vida preparada por Deus não
pode ser reservada a uma meia dúzia de privilegiados. É entrando e saindo do
redil de Jesus, vivendo nossa vida como dom, que encontramos pastagem. É na
ousadia de ir além dos limites e muros erguidos por ideologias mesquinhas que
encontraremos o alimento que sustenta esta vida tão sonhada.
Sugestões para a
meditação
Como
a imagem da porta pode nos ajudar a entender a identidade e a missão da
comunidade cristã e da Igreja de hoje?
Nossas
comunidades se parecem mais com portas abertas, que ajudam a entrar e sair, ou
com redis ou currais fechados?
Em
tempos de indiferença doentia e de proliferação de Igrejas, o que significa
entrar por Jesus, sair e encontrar pastagem?
Num
contexto de crescente distância entre ricos e pobres, como e através de quem
Jesus concede vida abundante a todos?
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