“Assim como o Pai me
enviou, eu envio vocês!”
1048 | Tempo Pascal
| 2ª Semana | Domingo | João 20,19-31
Era noite, e as
portas estavam muito bem fechadas. Os discípulos estavam desanimados,
envergonhados, amedrontados, sem perspectivas. Ao medo da possível perseguição
por parte das autoridades judaicas se juntava a frustração pela imagem terrível
e pesada de um Messias crucificado, sem poder, abandonado por todos, e até,
aparentemente, por Deus.
Mas os muros do remorso e do medo não
impedem a manifestação de Jesus, e ele se faz presente não obstante as portas
trancadas. E a sua primeira palavra é de acolhida e pacificação: “A paz esteja
com vocês!” E lhes mostra as feridas nas mãos e no lado esquerdo, assegurando
com isso que sua história concreta é importante, que sua presença não é mera
fantasia e que seu amor fiel e solidário continua na história.
A alegria pascal não brota apenas da
certeza na nossa ressurreição futura, mas também da experiência atual de não
sermos condenados, de sermos aceitos como amigos de Jesus de Nazaré. Mas a fé
na ressurreição esconde um risco: podemos ficar tão extasiados com as imagens
de anjos, pelas palavras de paz, pela visão de um Cristo exaltado, que esquecemos
que nossa missão está apenas começando.
Por isso, depois de entregar sua paz,
Jesus confere aos discípulos uma missão: “Assim como o Pai me enviou, eu também
envio vocês”. Trata-se de continuar seu próprio trabalho de carregar nas costas
pecado estruturado no pecado. E essa missão urge, não pode ser adiada para
quando tivermos tempo. O pecado que não eliminarmos permanecerá aqui,
diminuindo e ferindo a vida de muita gente.
O
pecado é a cumplicidade com a injustiça, e perdoar os pecados significa
dissolver os laços que vinculam as pessoas a essa cumplicidade. Abraçar a fé em
Jesus Cristo crucificado e ressuscitado nos vincula aos irmãos e irmãs, à
partilha dos bens “conforme a necessidade de cada um”, à alegria radiante, à
simplicidade profunda e cordial. Faz de nós uma Igreja sinodal, solidária e em
saída às periferias.
Sugestões para a
meditação
As portas e janelas fechadas não
impedem a presença do Senhor ressuscitado; será que ocorre o mesmo com o
fechamento mental?
Qual é o maior obstáculo para
reconhecer a presença de Jesus ressuscitado e prosseguir sua missão de tirar o
pecado do mundo?
Segundo sua experiência, somente quem
vê pode crer, ou será que somente quem crê consegue ver corretamente o que é
essencial?
Você se sente incluído nessa
bem-aventurança de Jesus: Felizes aqueles que creram sem terem visto?
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