sexta-feira, 10 de abril de 2026

Sejam minhas testemunhas!

Superamos o medo pela fé na Ressurreição?

1047 | Oitava da Páscoa | Sábado | Marcos 16,9-15

Entre o primeiro relato de Marcos sobre a ressurreição de Jesus (16,1-7) e o relato de hoje (16,9-15), há um versículo problemático, omitido pela liturgia pascal: “Saindo, (as Marias) fugiram, pois estavam tomadas de tremor e espanto. E não contaram nada a ninguém, pois tinham medo”. Como entender este medo e este silêncio?

Marcos faz questão de não romancear o papel dos primeiros apóstolos. A aventura de Jesus não tem um final feliz, como as narrativas imperiais e de Hollywood. A narrativa de Marcos termina com uma pergunta não expressa, mas envolvente, dirigida aos leitores e discípulos: vocês e aquelas mulheres superaram o medo e recomeçaram o seguimento de Jesus na Galileia, para onde ele foi, à nossa frente?

Isso ressoa como uma advertência para não cairmos em leituras facilitadoras, como reabilitar a primazia do papel masculino; imaginar Jesus como um profeta poderoso; tirar Jesus da terra e instalá-lo “no alto dos céus”. No evangelho de Marcos, Jesus oferece poucas respostas, mais ainda se fazemos as perguntas erradas. Mas ele nos chama a tomar uma posição. E Marcos nos apresenta apenas Jesus “no alto” da cruz e caminhando à nossa frente, esperando-nos nas “periferias”.

O epílogo de hoje (v. 9-15) faz parte de uma releitura do texto original de Marcos. De qualquer modo, as mulheres testemunham aos apóstolos aquilo que viram, mas não dão crédito às mulheres, e nem a dois outros discípulos que diziam ter encontrado Jesus no caminho. Por isso, recebem uma advertência de Jesus, “por causa da falta de fé e da dureza de coração”, por não acreditarem nas testemunhas.

O texto, o último de Marcos, termina com um novo mandato missionário. A experiência que brota da fé na ressurreição de Jesus nos leva a recomeçar o caminho do discipulado na periferia das “galileias”, e nos envia a percorrer o mundo e viver anunciando o Evangelho do Deus compassivo e crucificado pela humanidade a todos os povos e criaturas.

 

Sugestões para a meditação

Como entender que as pessoas mais “confiáveis” e próximas de Jesus resistam tanto em aceitar sua ressurreição?

Será que nós também corremos o risco de desviar a atenção e tomar distância de Jesus crucificado e do chamado a voltar à Galileia?

Temos consciência de que a afirmação da ressurreição de Jesus não nos livra da morte e confirma num caminho pleno de riscos?

Preferimos um Jesus que “sobe aos céus” ou um Jesus que é “elevado na cruz”, “desce aos infernos” e nos precede nas “periferias”?

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