Anunciemos aos
desanimados que ele vive
1043 | Páscoa do
Senhor | Domingo | João 20,11-18
Junto à sepultura
de Jesus, Maria Madalena chora sua pena e sua desorientação. Para ela, a única
coisa certa e palpável é a morte de Jesus. Está disposta a levá-lo consigo,
mesmo morto. Vê anjos que a interrogam sobre a dor. Não pronuncia ao Jardineiro
o nome de Jesus, e o chama de Senhor. Não reconhece Jesus pela voz, nem pela
aparência. A tumba vazia é insuficiente para sustentar a fé na ressurreição de
Jesus.
As vestes brancas e a pergunta dos
anjos insinuam que não há motivo para o luto. Mas é somente quando Jesus chama
Madalena pelo nome, quando ela se volta a ele e deixa de olhar para a tumba que
seus olhos se abrem. É a voz do Pastor que caminha à frente e é reconhecido
pelas ovelhas, que chama pelo nome a acolhe cada pessoa, nas suas dores e nos
seus sonhos. Madalena se vê esposa da nova aliança.
Esta experiência de Maria de Magdala é
apenas o começo da missão, do testemunho aos irmãos, à comunidade dos iguais
instituída na ceia e no lava-pés. Depois de tê-lo desejado, buscado, conhecido,
seguido e amado em vida, ela precisa se inclinar para dentro de si mesma, para
a profundidade do próprio desejo, para reconhecê-lo e amá-lo sem retê-lo. Sem
isso, seus olhos continuariam fechados à novidade.
É no movimento de voltar-nos para
nossa interioridade mais profunda, de superar um certo realismo ou cinismo
desmobilizador, que identificamos os sinais de vida e encontramos Jesus vivo e
chamando-nos pelo nome. Crer em Jesus crucificado e ressuscitado é mais que
constatar que a sepultura está vazia. Significa encontrá-lo, reconhece-lo,
escutá-lo e segui-lo de modo pessoal e renovado na missão.
Que
o Espírito Santo abra os nossos olhos e nos ajude a ver a presença escondida,
solidária e transformadora de Jesus neste mundo tão contraditório. E possamos
reconhecer, com o olhar lúcido e apaixonado da fé, que ele está em comunhão
conosco, com o amado Papa Francisco e todos os que partiram, com todos os
sofredores e vítimas, dialogando, chamando e enviando.
Sugestões para a
meditação
Preste atenção nas palavras de envio
de Maria aos discípulos. Com que palavra Jesus se refere àqueles que o
abandonaram?
Como entender a aparente cegueira e
falta de discernimento de Maria, incapaz de reconhecer Jesus que está vivo e
lhe fala?
O que faz com que tantos cristãos não
vivam a fé na ressurreição de Jesus como imperativo para continuar sua missão
libertadora?
O testemunho que damos com nossa vida
é ajuda ou empecilho para que as pessoas de hoje acreditem na ressurreição de
Jesus?
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