sábado, 18 de abril de 2026

Fica conosco, Senhor!

Por que caminhamos tristes e preocupados?

1055 | Tempo Pascal | 3ª Semana | Domingo | Lucas 24,13-35

Os evangelhos não escondem a lentidão dos discípulos e discípulas para reconhecer a ressurreição de Jesus Cristo e assumi-la como caminho. Nisso, o episódio de hoje é paradigmático. Os discípulos estão desolados, e caminham como cegos. Para eles, o fracasso de Jesus fora completo e arrasador. Eles não conseguem conciliar a esperança suscitada por Jesus com ele pregado na cruz.

Mas o próprio Jesus se aproxima deles, discretamente, e puxa conversa. Começa perguntando pelo assunto sobre o qual falam e pelo motivo da tristeza. Com a sabedoria de mestre, Jesus conduz os discípulos ao coração da própria dor e ao aspecto central dos acontecimentos. E faz isso caminhando, voltando ao passado, ao secreto e misterioso lugar onde dormiam as esperanças deles.

Caminhando e dialogando com os discípulos, Jesus provoca neles a abertura a uma imagem de Deus despida de poder e de saber. E sua catequese paciente e lúcida acaba abrindo algumas pequenas brechas na terra seca dos pensamentos e sentimentos deles. Eles percebem que é tarde, e que um caminho sem esperanças não leva a lugar nenhum. E convidam o inesperado companheiro a desfrutar da hospitalidade e a dividir com eles o pão seco da dor.

A sede de companhia, somada ao desejo de partilhar o pouco que lhes resta, acaba abrindo-lhes portas e acendendo luzes. Acolhendo o “forasteiro” na própria casa e partilhando com ele a vida e o pão, os discípulos passam da cegueira à visão, da frustração à alegria, da escuridão à luz. E isso ocorre no mesmo momento em que Jesus deixa de ser visível a eles. Quando a luz da fé começa a brilhar, dispensamos o apoio de algumas experiências demasiadamente sensíveis.

A hospitalidade e a partilha abrem aos discípulos frustrados a possibilidade de fazer uma releitura daquilo que viveram, compreender melhor o que sentem e descobrir o significado daquilo que acontecera. Só então eles dão atenção ao que sentiam na estrada: “Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho?” Que o Evangelho de Jesus aqueça, também hoje, nosso coração!

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente, sem pressa e com todos os sentidos, palavra por palavra, gesto por gesto, esta cena dos discípulos de Emaús

Preste atenção na atitude de Jesus, nas perguntas que faz, na sua forma de conduzir ao entendimento da vida e das escrituras

Como entender a cegueira e falta de discernimento para entender a realidade de Jesus por parte dos discípulos de Emaús e de hoje?

O que significa para nós hoje, voltar a Jerusalém, mesmo no escuro? Apenas encontrar os irmãos, ou também enfrentar riscos?

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