Por que caminhamos
tristes e preocupados?
1055 | Tempo Pascal
| 3ª Semana | Domingo | Lucas 24,13-35
Os evangelhos não escondem a lentidão dos
discípulos e discípulas para reconhecer a ressurreição de Jesus Cristo e
assumi-la como caminho. Nisso, o episódio de hoje é paradigmático. Os
discípulos estão desolados, e caminham como cegos. Para eles, o fracasso de
Jesus fora completo e arrasador. Eles não conseguem conciliar a esperança
suscitada por Jesus com ele pregado na cruz.
Mas o próprio Jesus se aproxima deles,
discretamente, e puxa conversa. Começa perguntando pelo assunto sobre o qual
falam e pelo motivo da tristeza. Com a sabedoria de mestre, Jesus conduz os
discípulos ao coração da própria dor e ao aspecto central dos acontecimentos. E
faz isso caminhando, voltando ao passado, ao secreto e misterioso lugar onde
dormiam as esperanças deles.
Caminhando e dialogando com os discípulos,
Jesus provoca neles a abertura a uma imagem de Deus despida de poder e de saber.
E sua catequese paciente e lúcida acaba abrindo algumas pequenas brechas na
terra seca dos pensamentos e sentimentos deles. Eles percebem que é tarde, e
que um caminho sem esperanças não leva a lugar nenhum. E convidam o inesperado
companheiro a desfrutar da hospitalidade e a dividir com eles o pão seco da
dor.
A sede de companhia, somada ao desejo de
partilhar o pouco que lhes resta, acaba abrindo-lhes portas e acendendo luzes.
Acolhendo o “forasteiro” na própria casa e partilhando com ele a vida e o pão,
os discípulos passam da cegueira à visão, da frustração à alegria, da escuridão
à luz. E isso ocorre no mesmo momento em que Jesus deixa de ser visível a eles.
Quando a luz da fé começa a brilhar, dispensamos o apoio de algumas
experiências demasiadamente sensíveis.
A hospitalidade e
a partilha abrem aos discípulos frustrados a possibilidade de fazer uma
releitura daquilo que viveram, compreender melhor o que sentem e descobrir o
significado daquilo que acontecera. Só então eles dão atenção ao que sentiam na
estrada: “Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo
caminho?” Que o Evangelho de Jesus aqueça, também hoje, nosso coração!
Sugestões para a
meditação
Leia atentamente, sem pressa e com todos
os sentidos, palavra por palavra, gesto por gesto, esta cena dos discípulos de
Emaús
Preste atenção na atitude de Jesus,
nas perguntas que faz, na sua forma de conduzir ao entendimento da vida e das
escrituras
Como entender a cegueira e falta de
discernimento para entender a realidade de Jesus por parte dos discípulos de
Emaús e de hoje?
O que significa para nós hoje, voltar
a Jerusalém, mesmo no escuro? Apenas encontrar os irmãos, ou também enfrentar
riscos?
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