Por quê ainda
duvidamos e temos medo?
1045 | Páscoa do
Senhor | Quinta-feira | Lucas 24,35-48
Esta cena ocorre
depois do testemunho das mulheres e da comprovação, por parte de Pedro, que a
sepultura estava vazia; depois da manifestação de Jesus aos dois discípulos na
estrada e depois da partilha do pão; e, finalmente, após a aparição de Jesus a
Pedro. Apesar disso, a presença de Jesus os espanta, e os deixa incrédulos.
A ressurreição de Jesus não é uma espécie
de prêmio que o Pai dá ao Filho obediente e generoso. O que a Igreja afirma com
a ressurreição de Jesus é algo bem mais sério que a simples volta de um cadáver
à vida. O ressuscitado por Deus não é alguém que morreu com idade avançada,
rodeado de familiares e amigos, mas aquele que resgatou a dignidade dos
excluídos e foi condenado por um conluio de autoridades.
Diante do espanto e da perturbação dos
discípulos com a sua presença inesperada, Jesus mostra as chagas nas mãos e nos
pés, e pede que eles as toquem. Com isso, sublinha a continuidade do amor que o
levou a abraçar a cruz, a continuidade entre o profeta de Nazaré e o
ressuscitado. As feridas nas mãos e nos pés são o sinal eloquente de que Jesus
é fiel, e se tornou nosso advogado de defesa.
A ressurreição de Jesus não é fruto da
imaginação dos discípulos. Nela Deus confirma a validade e a justeza da causa
que atraiu a ira e a morte. E, na sua manifestação aos discípulos, Jesus lhes
abre a inteligência para que compreendam as escrituras. Jesus não faz uma longa
e completa catequese bíblica aos discípulos desanimados, mas esclarece a imagem
de Messias: seu caminho se desvia do poder e da impassibilidade, passa pela aceitação
do sofrimento.
Em seu nome,
somos convocados anunciar a conversão e ao perdão dos pecados, sem excluir
ninguém. Não é possível adentrar no sentido da ressurreição de Jesus e nossa se
não nos movemos num horizonte de esperança, se não aceitamos a possibilidade de
uma transformação profunda de todas as coisas, uma mudança radical e integral,
que já está em curso, e que só será concreta se começar por nós.
Sugestões para a
meditação
Leia
atentamente, palavra por palavra, gesto por gesto este episódio situado depois
manifestação de Jesus no caminho
Quais são as razões e as consequências
da não aceitação da cruz e da ressurreição como núcleo essencial da vida e
missão de Jesus?
Qual é a perspectiva da nossa leitura
das escrituras: buscamos milagres e sinais do poder, ou de compaixão e
misericórdia?
Como podemos testemunhar hoje que
Jesus ressuscitou, que sua vida foi validada por Deus, e seu sonho de vida
continua vivo?
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