Deus ressuscitou
Jesus, e disso somos testemunhas
1042 | Páscoa do
Senhor | Domingo | Mateus 28,8-15
Crer na ressurreição
de Jesus Cristo não é um ato de submissão intelectual. Crer é caminhar, e crer
em Jesus crucificado e ressuscitado significa percorrer com ele os caminhos do
Reino de Deus, tornando-se semente que não teme desfazer-se no ventre da terra,
em gestos e sinais sempre frágeis, mas potentes e eloquentes.
As mulheres da
aurora não viram um anjo rolando a pedra em meio a um terremoto que derrubou os
guardas, mas souberem que a sepultura não reteve Jesus e que ele ia à frente
delas para a Galileia. Mas já antes de
iniciarem a volta para o lugar onde começaram a seguir Jesus, ele se manifesta
e confere a elas um mandato: “Vão avisar meus irmãos que se dirijam para a
Galileia. Aí eles me verão”.
Em clara oposição
a esta notícia e percurso do centro à periferia, os guardas vão à chefia do
templo. E lá selam a mentira que acompanhou o processo contra Jesus: a elite
suborna os guardas para que divulguem a falsa notícia de que Jesus continua
morto e que seu corpo foi roubado pelos discípulos. Mas a memória viva de Jesus
havia “tomado corpo” no testemunho corajoso dos discípulos.
Aquelas duas
mulheres madrugadoras haviam intuído os dois pilares fundamentais da fé em
Jesus Cristo: ele não faz parte do clube dos mortos, eliminados e anulados
pelos poderosos; ele se deixa encontrar nas periferias e nas fronteiras, onde a
dominação assume mil formas e os sinais do Reino de Deus avançam de forma
discreta e, ao mesmo tempo, irreversível.
Os discípulos e discípulas de Jesus não se deixam intimidar nem
derrotar pela execução patrocinada pelos poderes estabelecidos, enquanto estes
tremem, mentem e subornam para não aceitar a reviravolta. Contra tudo e contra
todos, estas mulheres, sustentadas pelos sutis fios da esperança, confiam
plenamente naquilo que ouvem, e se tornam peregrinas e alegres testemunhas,
reúnem os discípulos e “refundam” a Igreja dispersa.
Sugestões para a
meditação
Por que elas, os fios mais frágeis do
tecido social e eclesial, são as primeiras a saber, a ver e a anunciar a
ressurreição?
Terá o corpo masculino da Igreja caído
sob a influência dos “podres poderes”, esquecido a força criadora e desconfiado
delas?
Como podemos resgatar hoje o papel
essencial das mulheres no testemunho da ressurreição e na reconstrução da
Igreja?
O que significa hoje afirmar que Jesus
“vai à nossa frente” e poderemos vê-lo na Galileia, onde iniciara sua missão?
Nenhum comentário:
Postar um comentário