Nossa felicidade
consiste em amar e servir
1066 | Tempo Pascal
| 4ª Semana | Quinta-feira | João 13,16-20
O texto que lemos
ontem está situado antes da cena da ceia e do lava-pés. E o texto que nos ocupa
hoje está sua sequência dessa cena programática e testamentária. É uma espécie
de catequese que retoma os gestos da ceia e do lava-pés e extrai seu sentido
mais profundo, chamando a atenção para a necessidade de leva-los a sério, de
não ficar na exterioridade, como se não passassem de simples ritos.
Jesus havia perguntado aos discípulos
se eles haviam entendido bem seus gestos, e sua pergunta se fazia necessária,
uma vez que tanto Pedro como Judas Iscariotes não concordavam com aquilo que
Jesus fizera. Recorrendo a um provérbio popular (“não queira ensinar a missa ao
padre”), Jesus sublinha que o discípulo não pode fazer diferente do mestre,
dominar em vez de servir, deixar de ser compassivo.
Para Jesus, é uma arrogância, uma
irresponsabilidade e uma traição um discípulo comportar-se como senhor, como
superior em vez de igual. E, para não deixar dúvidas sobre esta lição, afirma
solenemente: “Se sabeis isto, e o puserdes em prática, sereis felizes”. Não se
trata de repetir o rito da ceia e do lava-pés, mas de praticar o amor que
serve, a compaixão que aproxima e faz irmãos.
Comporta-se como Judas o cristão que
pensa que crer em Jesus é apenas algo formal e nominal; é como se comesse o pão
com Jesus, mas não se alimentasse do
seu corpo (vida). Mas quem coloca em prática a atitude global de Jesus,
expressa de modo na ceia e no lava-pés, quem vive o amor que serve, gera uma
nova comunidade humana, realiza-se como pessoa, vive a felicidade sem limites,
alcança a vida eterna.
Discípulo
de Jesus é quem assume sua prática, quem se faz semelhante a ele. Por isso,
quem recebe um discípulo, recebe Jesus. Jesus é o enviado do Pai, e os
discípulos são os enviados de Jesus para viver como ele e ensinar o que ele
ensinou. É assim, vivendo relações que tecem a igualdade, que nos fazem filhos
de Deus. Como fruto disso, quem acolhe um discípulo missionário também se
descobre filho de Deus.
Sugestões para a
meditação
Recomponha
na memória os gestos as palavras no ambiente da última ceia de Jesus com os
seus discípulos
Em
que nós e nossos contemporâneos depositamos a esperança da felicidade: na
atitude de amigo e irmão, ou de superior e chefe?
Por
que a maioria dos cristãos prefere repetir o rito da eucaristia e do lava-pés,
mas resiste em assumir a atitude que ele propõe?
Como
testemunhamos aos homens e mulheres de hoje nossa identificação com Jesus e sua
missão?
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