Mergulhando na
humanidade chegamos a Deus
1059 | Tempo Pascal
| 3ª Semana | Quinta-feira | João 6,44-51
Nesta
quarta parte da catequese sobre o verdadeiro pão, Jesus enfrenta o escândalo
que suas ações e declarações causam nos judeus. Ele volta a comparar-se com o
maná com o qual Deus alimentou o povo hebreu na sua caminhada pelo deserto, mas
aproveita a oportunidade e aborda também a questão do dinamismo da fé, da sua
origem divina e da qualidade das ações que realiza.
Os
“judeus” aos quais se refere o texto de João não são os cidadãos de Israel, mas
aqueles que não reconhecem os sinais de Deus e não aderem a ele, onde quer que
estejam. No deserto, os “judeus” reclamam do maná, qualificando-o de “alimento
nojento”, e não o reconhecem como sinal do amor de Deus. Agora, reclamam de
Jesus, “filho de José”, que, aos olhos deles, não goza de nobreza que julgam necessária
para se apresentar como filho de Deus.
A
busca de Deus e a adesão à sua vontade tem um dinamismo: parte de Deus, que
atrai a ele; supõe nossa disponibilidade e a docilidade. Deus nada faz sem
nossa livre adesão, mas realizamos pouco ou nada de bom se ele não nos atrair.
É o que Jesus experimentou como Filho, e nos revelou. Quem se deixa atrair por
Deus precisa reconhecê-lo em sua condição humana, tal como se manifesta na
compaixão humana do “filho de José”.
O
que Deus mais deseja e faz é encontrar formas de vir ao encontro do ser humano
para fazê-lo mais humano. Essa vontade e esse dinamismo se tornam definitivos e
insuperáveis em Jesus Cristo, em sua paixão e morte. Mas os incrédulos de todos
os tempos querem dissocia-lo da humanidade de Jesus e afastá-lo da condição
humana. Essa falta de fé atesta que não conhecemos a Deus.
A aceitação da condição humana
fragilizada, radicalmente assumida por Jesus, é o único caminho que pode nos
conduzir à vida. Ele, o filho de José, aquele que acolhe pecadores e proscritos,
aquele cuja compaixão é sempre viva e ativa, é pão que desce, sacia nossa fome
de plenitude e plenifica a vida. Sem o reconhecimento e a aceitação dessa
“carne” de Jesus, a vida continua estreita, limitada, precária, “severina”.
Sugestões para a
meditação
Será
que nós fazemos parte do grupo dos “judeus”, dos incrédulos que não aceitam a
condição e a compaixão humana de Jesus?
Este
Jesus, “filho de José”, irmão universal, amor incondicional e rebeldia
profética, é o Deus que nos atrai?
Teríamos
suficiente sinceridade para dizer aquilo que, em Jesus, nos escandaliza e
desestabiliza?
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