quarta-feira, 22 de abril de 2026

A "carne" de Deus

Mergulhando na humanidade chegamos a Deus

1059 | Tempo Pascal | 3ª Semana | Quinta-feira | João 6,44-51

Nesta quarta parte da catequese sobre o verdadeiro pão, Jesus enfrenta o escândalo que suas ações e declarações causam nos judeus. Ele volta a comparar-se com o maná com o qual Deus alimentou o povo hebreu na sua caminhada pelo deserto, mas aproveita a oportunidade e aborda também a questão do dinamismo da fé, da sua origem divina e da qualidade das ações que realiza.

Os “judeus” aos quais se refere o texto de João não são os cidadãos de Israel, mas aqueles que não reconhecem os sinais de Deus e não aderem a ele, onde quer que estejam. No deserto, os “judeus” reclamam do maná, qualificando-o de “alimento nojento”, e não o reconhecem como sinal do amor de Deus. Agora, reclamam de Jesus, “filho de José”, que, aos olhos deles, não goza de nobreza que julgam necessária para se apresentar como filho de Deus.

A busca de Deus e a adesão à sua vontade tem um dinamismo: parte de Deus, que atrai a ele; supõe nossa disponibilidade e a docilidade. Deus nada faz sem nossa livre adesão, mas realizamos pouco ou nada de bom se ele não nos atrair. É o que Jesus experimentou como Filho, e nos revelou. Quem se deixa atrair por Deus precisa reconhecê-lo em sua condição humana, tal como se manifesta na compaixão humana do “filho de José”.

O que Deus mais deseja e faz é encontrar formas de vir ao encontro do ser humano para fazê-lo mais humano. Essa vontade e esse dinamismo se tornam definitivos e insuperáveis em Jesus Cristo, em sua paixão e morte. Mas os incrédulos de todos os tempos querem dissocia-lo da humanidade de Jesus e afastá-lo da condição humana. Essa falta de fé atesta que não conhecemos a Deus.

A aceitação da condição humana fragilizada, radicalmente assumida por Jesus, é o único caminho que pode nos conduzir à vida. Ele, o filho de José, aquele que acolhe pecadores e proscritos, aquele cuja compaixão é sempre viva e ativa, é pão que desce, sacia nossa fome de plenitude e plenifica a vida. Sem o reconhecimento e a aceitação dessa “carne” de Jesus, a vida continua estreita, limitada, precária, “severina”.

 

Sugestões para a meditação

Será que nós fazemos parte do grupo dos “judeus”, dos incrédulos que não aceitam a condição e a compaixão humana de Jesus?

Este Jesus, “filho de José”, irmão universal, amor incondicional e rebeldia profética, é o Deus que nos atrai?

Teríamos suficiente sinceridade para dizer aquilo que, em Jesus, nos escandaliza e desestabiliza?

Nenhum comentário: