Jesus nos revela todos os ‘segredos’ de Deus
1024 | Quaresma | 4ª Semana | Sexta-feira | João 7,1-30
A proposta litúrgica da Quaresma não
obedece à sequência literária nem ao progresso temporal dos textos dos
evangelhos. Segue uma lógica temática, enfatizando o progresso na conversão
pessoal e social. O texto de hoje está localizado em plena ação apostólica de
Jesus, num momento especialmente crítico.
Estando na Galileia, Jesus é abordado por seus
familiares, que fazem pressão para que ele suba a Jerusalém para ampliar sua
influência sobre o povo e aumentar sua fama. Isso revela que seus parentes
esperam usufruir das vantagens de ter um familiar famoso. Este não é o projeto
de Jesus, e nem seus familiares acreditam nele.
Diante da recusa de Jesus, seus parentes sobem
sozinhos a Jerusalém para a festa das tendas, que celebra a memória da
travessia do deserto. Jesus mais tarde, discreto e, ao mesmo tempo,
absolutamente convicto de que o templo e suas instituições não têm nada a dizer
sobre os novos tempos do Reino de Deus que ele inaugurava com suas ações,
anunciava com sua pregação e explicava com sua catequese.
Mas a discrição de Jesus não impede que sua
presença seja percebida. E as pessoas se questionam, já que ele não apresenta
nenhum traço especial que o identifique com o profeta esperado, a não ser suas
ações de emancipação e libertação. Aliás, estas ações são fortemente
questionadas pelas lideranças religiosas. E os peregrinos se perguntam por que
as autoridades não o prendem.
Os cidadãos de Jerusalém, mergulhados na
ideologia veiculada pelo templo e seus ministros, refutam a identidade
messiânica de Jesus e afirmam que sabem de onde ele vem: seu sotaque indica que
é galileu, mas a tradição ensinava que ninguém saberia de onde viria o Messias.
Mas Jesus responde a eles com ironia e coragem: eles não sabem de onde virá o
Messias, e também não conhecem Aquele que o envia.
Na verdade, Jesus
questiona o saber usado como muro protetivo contra as surpresas de Deus e como
álibi para evitar a necessária conversão. Não podemos falar de Deus ou
imaginá-lo passando ao largo de Jesus, seu filho amado e enviado. Ninguém chega
ao Pai sem passar por Jesus Crucificado, presente nos pobres e nas vítimas.
Sugestões para a meditação
Situe-se
no coração do debate entre Jesus, seus familiares e os cidadãos da capital,
lendo o texto inteiro
Você
conhece pessoas, grupos ou igrejas que “usam” o nome de Jesus para levar algum
tipo de vantagem?
Você
é capaz de perceber o alcance político e social da pregação e da prática de
Jesus, ou vê nele apenas um líder espiritualista?
Você
tem levado a sério Jesus (seu ensino e sua prática) para fazer uma ideia de
Deus e falar dele?
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