Não devemos nós também ter compaixão?
1014 | Quaresma | 3ª Semana | Terça | Mateus 18,21-35
Na meditação de ontem vimos que Deus
não está sujeito aos interesses e expectativas de pequenos grupos, pois sua
lógica é diferente: ele prioriza as pessoas e grupos sociais mais necessitados,
aqueles que não contam e não valem aos olhos de quem controla o poder, aqueles
que são “diferentes” e, por isso, menosprezados. Cabe-nos fazer nossa essa
compaixão sem fronteiras que Deus nos revela em Jesus.
Hoje, neste ensino inserido na quarta
“cartilha de formação dos discípulos”, Jesus sublinha a necessidade do perdão
recíproco. Depois de ter falado sobre a “pedagogia evangélica” para corrigir
quem vive fora dos parâmetros e da ética do Reino de Deus, Jesus é interrogado
por Pedro, em nome dos discípulos, e responde com uma parábola e uma declaração
muito incisiva.
A atitude do rei é sempre problemática, e ele
não representa propriamente a ação de Deus, a não ser em um único aspecto. O
rei da parábola é igualzinho aos demais: ele age oprimindo os mais fracos. A
compaixão e o perdão concedidos ao escravo endividado “até o pescoço” não é
incondicional nem definitivo, tanto que foi logo revogado, e o escravo foi
torturado impiedosamente.
Nossa atenção deve focar a atitude do escravo.
Este, tendo sido perdoado e reestabelecido em sua dignidade, mostra-se incapaz
de fazer o mesmo com seu companheiro, cuja dívida é infinitamente menor, age
com crueldade inesperada e acaba provocando a violência do rei, que estava
momentaneamente esquecida. Esta atitude do escravo perdoado, que mostra mais
autoridade e crueldade que o próprio rei, acaba desvelando a “fraqueza” do rei,
e é isso que o irrita e faz voltar atrás.
É apenas nisso –
na intolerância com a falta de perdão e reconciliação entre os iguais – que
Deus se assemelha ao rei. Deus é pai, sua compaixão é eterna e seu perdão é
irrevogável, mas “perde a estribeira” quando seus filhos e filhas se mostram
incapazes de compaixão e perdão, deixando de ser semelhantes a ele. Seu amor
incondicional por nós tem consequências! Numa situação de relações frágeis, o
perdão é absolutamente indispensável.
Sugestões para a meditação
Leia atentamente a descrição desse
episódio, especialmente a parábola com a qual Jesus ilustra seu ensino aos
discípulos
Em que exatamente a atitude permanente e
fundamental de Deus Pai se assemelha ao comportamento do rei?
Por que nos custa tanto perdoar os outros?
Será que falta-nos consciência da enormidade dos débitos que nos são perdoados?
Quem são as pessoas a quem você deve pedir
perdão, e quem são aquelas a quem você deve perdoar hoje?
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