segunda-feira, 9 de março de 2026

A compaixão e o perdão

Não devemos nós também ter compaixão?

1014 | Quaresma | 3ª Semana | Terça | Mateus 18,21-35

Na meditação de ontem vimos que Deus não está sujeito aos interesses e expectativas de pequenos grupos, pois sua lógica é diferente: ele prioriza as pessoas e grupos sociais mais necessitados, aqueles que não contam e não valem aos olhos de quem controla o poder, aqueles que são “diferentes” e, por isso, menosprezados. Cabe-nos fazer nossa essa compaixão sem fronteiras que Deus nos revela em Jesus.

Hoje, neste ensino inserido na quarta “cartilha de formação dos discípulos”, Jesus sublinha a necessidade do perdão recíproco. Depois de ter falado sobre a “pedagogia evangélica” para corrigir quem vive fora dos parâmetros e da ética do Reino de Deus, Jesus é interrogado por Pedro, em nome dos discípulos, e responde com uma parábola e uma declaração muito incisiva.

A atitude do rei é sempre problemática, e ele não representa propriamente a ação de Deus, a não ser em um único aspecto. O rei da parábola é igualzinho aos demais: ele age oprimindo os mais fracos. A compaixão e o perdão concedidos ao escravo endividado “até o pescoço” não é incondicional nem definitivo, tanto que foi logo revogado, e o escravo foi torturado impiedosamente.

Nossa atenção deve focar a atitude do escravo. Este, tendo sido perdoado e reestabelecido em sua dignidade, mostra-se incapaz de fazer o mesmo com seu companheiro, cuja dívida é infinitamente menor, age com crueldade inesperada e acaba provocando a violência do rei, que estava momentaneamente esquecida. Esta atitude do escravo perdoado, que mostra mais autoridade e crueldade que o próprio rei, acaba desvelando a “fraqueza” do rei, e é isso que o irrita e faz voltar atrás.

É apenas nisso – na intolerância com a falta de perdão e reconciliação entre os iguais – que Deus se assemelha ao rei. Deus é pai, sua compaixão é eterna e seu perdão é irrevogável, mas “perde a estribeira” quando seus filhos e filhas se mostram incapazes de compaixão e perdão, deixando de ser semelhantes a ele. Seu amor incondicional por nós tem consequências! Numa situação de relações frágeis, o perdão é absolutamente indispensável.

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente a descrição desse episódio, especialmente a parábola com a qual Jesus ilustra seu ensino aos discípulos

Em que exatamente a atitude permanente e fundamental de Deus Pai se assemelha ao comportamento do rei?

Por que nos custa tanto perdoar os outros? Será que falta-nos consciência da enormidade dos débitos que nos são perdoados?

Quem são as pessoas a quem você deve pedir perdão, e quem são aquelas a quem você deve perdoar hoje?

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