O amor crucificado continua nos atraindo
1028 | Quaresma | 5ª Semana | Terça-feira | João 8,21-30
Depois de fazer a defesa pública da
mulher prestes a ser apedrejada pelos defensores da lei, e depois de questionar
insistentemente os seus acusadores, o diálogo de Jesus com os fariseus vai
ficando difícil e vira confronto aberto. Mais ainda depois de Jesus se
apresentar como luz do mundo, aquela que vence as trevas e orienta os homens e
mulheres de boa vontade. Ele quer tomar o lugar da Lei!
No texto que refletimos hoje, Jesus
fala de um modo enigmático: diz que vai partir, que os fariseus não poderão acompanhá-lo,
que eles vão procurá-lo mas não vão encontrá-lo. E faz uma clara advertência:
os fariseus não acreditam nele, e, por isso, morrerão no pecado. Na verdade, segundo
o evangelho de João, os fariseus e demais lideranças religiosas pertencem ao
mundo, têm interesses rasteiros, orientam-se por um deus feito à imagem e
semelhança deles.
A má vontade que os impede de
compreender Jesus e aderir a ele nasce de um preconceito teológico. Para eles,
Deus é aquele que submete e limita a liberdade e a autonomia das pessoas. Fazendo
o que faz e ensinando o que ensina, Jesus estaria usurpando o poder de Deus, e
isso eles não conseguem tolerar. Eles não percebem nenhuma relação entre Jesus
e o deus deles. Mas, para Jesus, Deus é sempre a favor do ser humano, e o
prioriza acima das leis.
São duas cosmovisões distintas e
contrastantes. Estas lideranças jamais conseguirão aceitar um Messias despojado
de poder e crucificado por amor, a vida como dom entregue livremente. Por isso,
quando Jesus fala em “partir”, eles ironizam, perguntando se ele vai
suicidar-se. Não há preocupação por Jesus. Mas Jesus mostra-se livre e altivo;
não se acovarda, pois sabe que não está sozinho.
Se, por um lado,
os fariseus se fecham cada vez mais e aceitam cada vez menos Jesus e seu
ensino, por outro, acolhendo o testemunho de liberdade, ousadia e generosidade
dele, muitos acreditam e aderem à sua proposta. Estes entram na lógica “de
cima”, dos valores humanos universais, e abandonaram a lógica dos interesses
“baixos”. Para estes, Jesus fala com sabedoria e ensina com amor.
Sugestões para a meditação
Nesta última semana da
quaresma, o apelo a mudar de olhar e de atitude se torna cada vez mais
contundente e urgente
Ao
aproximar-se do desfecho da sua vida, decretado pelas próprias autoridades,
Jesus fala claramente de “entrega” e cruz
Que
imagem de Deus nos orienta e está presente em nossa catequese, nossos cânticos
e nossa espiritualidade?
Será
que estamos sendo capazes de refazer e corrigir nossa imagem de Deus a partir
de Jesus crucificado por amor?
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