segunda-feira, 23 de março de 2026

A cruz nos atrai

O amor crucificado continua nos atraindo

1028 | Quaresma | 5ª Semana | Terça-feira | João 8,21-30

Depois de fazer a defesa pública da mulher prestes a ser apedrejada pelos defensores da lei, e depois de questionar insistentemente os seus acusadores, o diálogo de Jesus com os fariseus vai ficando difícil e vira confronto aberto. Mais ainda depois de Jesus se apresentar como luz do mundo, aquela que vence as trevas e orienta os homens e mulheres de boa vontade. Ele quer tomar o lugar da Lei!

No texto que refletimos hoje, Jesus fala de um modo enigmático: diz que vai partir, que os fariseus não poderão acompanhá-lo, que eles vão procurá-lo mas não vão encontrá-lo. E faz uma clara advertência: os fariseus não acreditam nele, e, por isso, morrerão no pecado. Na verdade, segundo o evangelho de João, os fariseus e demais lideranças religiosas pertencem ao mundo, têm interesses rasteiros, orientam-se por um deus feito à imagem e semelhança deles.

A má vontade que os impede de compreender Jesus e aderir a ele nasce de um preconceito teológico. Para eles, Deus é aquele que submete e limita a liberdade e a autonomia das pessoas. Fazendo o que faz e ensinando o que ensina, Jesus estaria usurpando o poder de Deus, e isso eles não conseguem tolerar. Eles não percebem nenhuma relação entre Jesus e o deus deles. Mas, para Jesus, Deus é sempre a favor do ser humano, e o prioriza acima das leis.

São duas cosmovisões distintas e contrastantes. Estas lideranças jamais conseguirão aceitar um Messias despojado de poder e crucificado por amor, a vida como dom entregue livremente. Por isso, quando Jesus fala em “partir”, eles ironizam, perguntando se ele vai suicidar-se. Não há preocupação por Jesus. Mas Jesus mostra-se livre e altivo; não se acovarda, pois sabe que não está sozinho.

Se, por um lado, os fariseus se fecham cada vez mais e aceitam cada vez menos Jesus e seu ensino, por outro, acolhendo o testemunho de liberdade, ousadia e generosidade dele, muitos acreditam e aderem à sua proposta. Estes entram na lógica “de cima”, dos valores humanos universais, e abandonaram a lógica dos interesses “baixos”. Para estes, Jesus fala com sabedoria e ensina com amor.

 

Sugestões para a meditação

Nesta última semana da quaresma, o apelo a mudar de olhar e de atitude se torna cada vez mais contundente e urgente

Ao aproximar-se do desfecho da sua vida, decretado pelas próprias autoridades, Jesus fala claramente de “entrega” e cruz

Que imagem de Deus nos orienta e está presente em nossa catequese, nossos cânticos e nossa espiritualidade?

Será que estamos sendo capazes de refazer e corrigir nossa imagem de Deus a partir de Jesus crucificado por amor?

Nenhum comentário: