A indiferença é caminho aberto para a ruína
1009 | Quaresma | 2ª Semana | Quinta | Lucas 16,19-31
No capítulo 15 do evangelho, Lucas nos apresenta o
elogio de Jesus a uma mulher que “desperdiça” tempo procurando uma moeda, a um
pastor que “esbanja” cuidado com uma ovelha e deixa as outras noventa e nove de
lado, e a um pai que “gasta” seus bens para festejar o retorno do filho. O
próprio Jesus é uma espécie de “filho pródigo” que abre a festa do Reino a
todos os que eram dela excluídos.
No início do capítulo 16, no qual se encontra a
parábola de hoje, Jesus elogia um administrador que usa o dinheiro do seu
patrão para criar vínculos de amizade e fraternidade, e, ao mesmo tempo, critica
os fariseus, porque preferem ser “amigos do dinheiro”. A parábola do rico e do
pobre Lázaro está neste contexto de busca e acolhida solidária dos marginalizados
e do uso correto dos bens materiais.
A parábola é bem conhecida, o que torna
desnecessário descrevê-la. Ela apresenta dois personagens que não estabelecem
nenhuma relação um com o outro: estão próximos – o pobre Lázaro está à porta da
casa do rico! – mas não têm nada em comum. Na verdade, a indiferença do rico
cavou um abismo que os separa, apesar da proximidade física. Apenas a
experiência da morte os atinge por igual.
O foco da parábola é a urgência da conversão, e a
atenção ao presente. A polêmica que Jesus levanta não se dirige apenas contra os
ricos, mas ressoa como alerta a todos aqueles que seguem Jesus. Jesus chama a
atenção para o lugar que a posse e o uso bens ocupa no Reino de Deus. Não é sábio
desfrutar dos bens de forma egoísta vivendo uma olímpica indiferença. Não é
prudente esperar um milagre para se converter. Não é cristão viver de qualquer
jeito, “de olho” na vida eterna.
E não há como ignorar o papel que a Palavra de Deus
ocupa na orientação da nossa vida e do processo de conversão. Quando muitos
deliram com milagres ostentados como espetáculo ao vivo e a cores, ou esperam
desesperadamente um grande sinal, Jesus diz que o alerta das Escrituras é
suficiente. Não há milagre capaz de mudar a vida de quem não se abre à Palavra
de Deus, não exercita o diálogo, vive indiferente a tudo e a todos, e se recusa
a acolher o outro como irmão.
Sugestões para a meditação
Leia atentamente as duas cenas dessa
parábola, percebendo as características de cada um dos dois personagens
Evite resvalar para a tentação de
interpretar essa parábola como uma ilustração de como será a vida depois da
morte
Como você se comporta em relação aos
pobres e necessitados, especialmente aos que se organizam e lutam por seus
direitos?
Por que os cristãos de hoje, mesmo tendo
as escrituras e o testemunho de Jesus, não levamos a sério a solidariedade?
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