quinta-feira, 26 de março de 2026

As ações é que importam

As ações de Jesus revelam o coração de Deus

1031 | Quaresma | 5ª Semana | Sexta-feira | João 10,31-42

Estamos no capítulo 10 do Evangelho de João, no qual Jesus aplica a si mesmo as sugestivas metáforas da porta e do pastor. Um dos momentos mais provocativos é quando Jesus declara que todos os que vieram antes dele são ladrões, assaltantes ou mercenários, e apenas ele é um pastor bom, o único disposto a dar a vida pelo rebanho. A reação das lideranças religiosas foi acusá-lo de estar louco.

Para Jesus, uma pessoa mostra sua personalidade e seu valor nas ações que realiza e nas relações que estabelece. E isso vale também para Deus, que mostra que é justo e bondoso libertando as pessoas mais vulneráveis. Por isso, Jesus não defende sua missão com palavras, mas com o testemunho de suas ações. São elas que mostram que ele é o enviado do Pai por causa da intensidade da compaixão. Jesus não veio revelar Deus em palavras e conceitos, mas em ações que libertam as pessoas.

E quando as lideranças religiosas do templo ameaçam apedrejá-lo, Jesus pergunta pelo motivo da rejeição e do ódio. Se ele é o que demostram suas obras, são elas que devem ser louvadas ou reprovadas, e não suas palavras. “Por quais das minhas ações mereço ser condenado?”, pergunta ele. Mas as elites religiosas fazem questão de divorciar as palavras de Jesus da compaixão que ele demonstra, e querem condená-lo por suas declarações, interpretadas no horizonte da própria ideologia.

Como defensores de uma palavra morta e de uma lei desligada da vida, eles não se interessam pela exploração praticada na sociedade e até dentro do templo, desde que os exploradores tenham o nome de Deus em seus lábios. E acabam traindo a fidelidade às Escrituras, pois silenciam quando elas dizem que todos os que agem de modo semelhante à ação de Deus são deuses (cf. Sl 82). E esquecem que a lei existe para defender a dignidade e a liberdade das vítimas.

Apelando à violência e planejando assassinar Jesus, a elite do templo demonstra que é assassina e perseguidora, e não representa a vontade e a ação de Deus, o Pai de Jesus. É por isso que Jesus sai do templo e do território que se tornara lugar de opressão. Fora do templo, do outro lado do rio Jordão, exatamente onde João viveu sua vocação profética, ele continua atraindo discípulos. E o povo vê nas ações de Jesus a realização da profecia do Batista.

 

Sugestões para a meditação

Releia e perceba o sentido das acusações levantadas contra Jesus e dos argumentos que apresenta para se defender

Será que não somos tentados pelo mesmo pecado das elites do templo: dissociar aquilo que proclamamos daquilo que fazemos?

Sendo verdade que são nossas ações e relações que revelam nosso valor, o que nossas ações estão revelando de nós e nossa Igreja?

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