As ações de Jesus revelam o coração de Deus
1031 | Quaresma | 5ª Semana | Sexta-feira | João 10,31-42
Estamos no capítulo 10 do Evangelho de
João, no qual Jesus aplica a si mesmo as sugestivas metáforas da porta e do
pastor. Um dos momentos mais provocativos é quando Jesus declara que todos os
que vieram antes dele são ladrões, assaltantes ou mercenários, e apenas ele é
um pastor bom, o único disposto a dar a vida pelo rebanho. A reação das
lideranças religiosas foi acusá-lo de estar louco.
Para Jesus, uma pessoa mostra sua
personalidade e seu valor nas ações que realiza e nas relações que estabelece. E
isso vale também para Deus, que mostra que é justo e bondoso libertando as
pessoas mais vulneráveis. Por isso, Jesus não defende sua missão com palavras,
mas com o testemunho de suas ações. São elas que mostram que ele é o enviado do
Pai por causa da intensidade da compaixão. Jesus não veio revelar Deus em palavras
e conceitos, mas em ações que libertam as pessoas.
E quando as lideranças religiosas do
templo ameaçam apedrejá-lo, Jesus pergunta pelo motivo da rejeição e do ódio.
Se ele é o que demostram suas obras, são elas que devem ser louvadas ou
reprovadas, e não suas palavras. “Por quais das minhas ações mereço ser
condenado?”, pergunta ele. Mas as elites religiosas fazem questão de divorciar
as palavras de Jesus da compaixão que ele demonstra, e querem condená-lo por
suas declarações, interpretadas no horizonte da própria ideologia.
Como defensores de uma palavra morta e
de uma lei desligada da vida, eles não se interessam pela exploração praticada na
sociedade e até dentro do templo, desde que os exploradores tenham o nome de
Deus em seus lábios. E acabam traindo a fidelidade às Escrituras, pois
silenciam quando elas dizem que todos os que agem de modo semelhante à ação de
Deus são deuses (cf. Sl 82). E esquecem que a lei existe para defender a
dignidade e a liberdade das vítimas.
Apelando à
violência e planejando assassinar Jesus, a elite do templo demonstra que é
assassina e perseguidora, e não representa a vontade e a ação de Deus, o Pai de
Jesus. É por isso que Jesus sai do templo e do território que se tornara lugar
de opressão. Fora do templo, do outro lado do rio Jordão, exatamente onde João
viveu sua vocação profética, ele continua atraindo discípulos. E o povo vê nas
ações de Jesus a realização da profecia do Batista.
Sugestões para a meditação
Releia e perceba o sentido das acusações levantadas contra
Jesus e dos argumentos que apresenta para se defender
Será que não somos tentados pelo mesmo pecado das elites do
templo: dissociar aquilo que proclamamos daquilo que fazemos?
Sendo verdade que são nossas ações e relações que revelam
nosso valor, o que nossas ações estão revelando de nós e nossa Igreja?
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