Você
acredita em vida após o nascimento?
No próximo domingo, as comunidades cristãs meditarão sobre o capítulo 11
do evangelho segundo João. Ele nos apresenta o drama da morte de Lázaro, amigo querido
de Jesus e irmão das amigas Marta e Maria. Este texto não fala propriamente sobre
a nossa ressurreição, mas sobre o dinamismo da fé em Jesus e a amizade dele
conosco.
Entretanto, a cena nos é
proposta enquanto caminhamos para a Páscoa, e a Páscoa tem a ver com a
ressurreição de Jesus. A fé na ressurreição não significa “passar panos
quentes” na tragédia da morte, mas afirmar com vigor e proclamar com eloquência
a força da Vida. À medida em que se faz dom, a Vida é como a semente que cai na
terra e germina.
Sei que a ressurreição é
vista como algo insólito por uma cultura que canoniza o presente, o sensível e
o rentável e nega ou considera desprezível tudo o que não cabe nestes estreitos
limites. Talvez se possa dizer que, na pós-modernidade liberal, a religião e o
monoteísmo não desapareceram, mas foram substituídos pelo “moneyteísmo”.
A propósito da ressurreição dos que
morrem, recordo uma conhecida parábola. No ventre de uma mulher grávida estavam
dois bebês gêmeos: Fidélis e Nilo. Nilo perguntou se Fidélis acreditava em “vida
após o nascimento”, ao que ele respondeu: “Certamente! Algo tem que haver após
o nascimento. Talvez a vida aqui nesse lugar apertado e escuro seja apenas uma
preparação para o que seremos mais tarde...”
Em tom irônico, Nilo perguntou se o
irmão saberia dizer como seria a outra vida, e Fidélis respondeu: “Eu não sei
exatamente como será essa outra vida, mas acho que nela haverá mais luz e
espaço do que aqui. Nessa nova fase da vida talvez caminhemos com nossos
próprios pés, nos alimentemos pela boca e possamos conhecer muitas outras pessoas...”
Nilo gritou que isso tudo é absurdo,
que caminhar é coisa impossível, que o cordão umbilical é o único modo de se
alimentar e que ninguém voltou depois do parto para dizer como é essa suposta vida.
E completou: “O parto encerra a vida, e ponto final. A vida é apenas uma
angústia prolongada numa escuridão sem sentido e sem fim”.
Mas Fidélis prosseguiu: “Não sei bem
como será a vida depois do nascimento. Mas eu acho que veremos o rosto da nossa
Mamãe, e ela cuidará de nós. Sei que você não acredita em Mamãe, mas ela nos
envolve e nos sustenta. É nela e através dela que vivemos. No silêncio já podemos
ouvi-la cantando e senti-la afagando nosso pequeno mundo...”
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