Apaixonados e renovados por uma experiência
sinodal
Caminhando
com a Igreja
Ontem, na abertura da terceira etapa da 14ª Assembleia Diocesana da Ação
Evangelizadora trazíamos à memória a recomendação do último Sínodo: Que se
realizem assembleias eclesiais a todos os níveis com certa regularidade, pois
elas são um modo privilegiado de escuta, consulta e discernimento eclesial (cf.
Documento Final, § 107).
Recordávamos também que “as Assembleias sinodais são
acontecimentos que celebram a união de Cristo com a sua Igreja através da ação
do Espírito. É Ele que assegura a unidade do Corpo eclesial de Cristo, tanto na
assembleia eucarística como na assembleia sinodal”. Ambas são espaços para
ouvir a Palavra, discernir a vontade de Deus e responder a ela (cf. Idem, § 27).
Nos
caminhos de Emaús
No início da manhã de hoje fomos iluminados pelo
encontro de Jesus com os discípulos de Emaús. Jesus caminha conosco, e nos pede
um olhar retrospectivo sobre a Assembleia: O que esperávamos e não
aconteceu? O que aconteceu que não
esperávamos? Sua Palavra mexeu com o nosso coração, e nós abrimos nossas portas
trancadas.
Uma vez escancaradas as portas, ele entra e senta à mesa
conosco. Mas com ele entra também a Igreja diocesana como um todo, e a tenda da
nossa pequena casa se alarga. E todos sentimo-nos acolhidos e hospedados pela
Igreja diocesana. Isso é maravilhoso: a Igreja inteira habita e vive em nós, e
nós somos plenamente acolhidos na Igreja.
Anunciar
e testemunhar o Evangelho
Ontem, São Paulo (cf. 1Cor 9,16-20) nos ajudou a
vislumbrar o horizonte que nos atrai, congrega e ilumina: Anunciar e
testemunhar a Boa Notícia de Jesus Cristo a todos e sempre. É isso que sonhamos
como Igreja diocesana: anunciar o Evangelho com a vida, sendo uma Igreja
acolhedora, sinodal, enraizada em Jesus Cristo e na sua Palavra.
Por isso mesmo, fizemos nossa a prioridade pastoral
que Jesus indicou ao enviar os apóstolos (cf. Mt 10,5-11): iremos primeiro às
ovelhas perdidas da casa de Israel, a quem está mais exposto à vulnerabilidade.
E o faremos anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus e multiplicando
gratuitamente ações que resgatam a cidadania que lhes é negada.
Renascidos
em Jesus
No evangelho de hoje (Mt
20,17-28), Jesus nos antecipa o modo como nos revelará e entregará o amor de
Deus: mantendo-se fiel e servidor, mesmo quando isso atraia humilhação
despojamento, condenação e zombaria pública dos grandes, entrega plena de si
mesmo, confiança absoluta no Pai. E é isso que ele espera daqueles que o
seguem, da sua Igreja.
Num contexto terrivelmente assustador, diante de
imperadores que impõem taxas e semeiam guerras, que governam como autocratas,
proclamam que seus bombardeios são bem-sucedidos se definem sempre como os
melhores, Jesus manda claramente: “Entre vocês não seja assim!” O maior é o
mais humilde, e o primeiro é
aquele que serve.
Atraídos e guiados pelo horizonte
Ao iniciar sua
missão, Jesus não disse: “Tenho um programa bem elaborado para vocês!”, mas“O
Reino de Deus está próximo, acreditem nessa Boa Notícia!” (cf. Mc 1,15). Dois
mil anos depois, Martin Luther King também proclamou aos negros
norte-americanos e aos homens e mulheres de boa vontade: “Eu tenho um sonho!”
É isso que desperta
consciências adormecidas, atrai discípulos e lhes dá forças para ser eternos
peregrinos de esperança. Saint-Exupéry dizia que, se queremos construir um
barco, não devemos começar chamando engenheiros, madeireiros e profissionais
diversos. É preciso antes ensinar um povo a desejar a misteriosa imensidão do
amar.
Queridas irmãs e
irmãos! O Plano de Evangelização que nascerá das decisões desta Assembleia será
apenas um barco, um meio. Ele não passará de letra morta se não nos apaixonamos
pela imensidão bela e libertadora do Reino de Deus. É essa paixão envolvente
que nos dará forças e alegria para lançar-nos no trabalho do Senhor.
Partilhemos aquilo que descobrimos
Logo mais estaremos
voltando para as comunidades que nos enviaram. Voltaremos como viemos? Os
discípulos voltavam para Emaús desolados, sem entender o que estava
acontecendo. Era dia, mas tudo lhes parecia escuro. Depois de reconhecer Jesus na
partilha do pão, eles voltaram a Jerusalém de noite, e tudo estava claro como o
dia.
Oxalá possamos
voltar alegres e cheios de esperança, e partilhar com os irmãos e irmãs aquilo
que vimos, ouvimos e construímos juntos. E – Quem sabe?! – ouviremos deles algo
semelhante àquilo que os dois jovens de Emaús ouviram ao chegar ofegantes em Jerusalém:
“O Senhor está vivo de verdade e apareceu a Simão” (cf. Lc 24,34).
+ Itacir Brassiani msf
Homilia na conclusão da Assembleia
Diocesana
04 de março de 2026
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