segunda-feira, 9 de março de 2026

Sinodalidade

Apaixonados e renovados por uma experiência sinodal

Caminhando com a Igreja

Ontem, na abertura da terceira etapa da 14ª Assembleia Diocesana da Ação Evangelizadora trazíamos à memória a recomendação do último Sínodo: Que se realizem assembleias eclesiais a todos os níveis com certa regularidade, pois elas são um modo privilegiado de escuta, consulta e discernimento eclesial (cf. Documento Final, § 107).

Recordávamos também que “as Assembleias sinodais são acontecimentos que celebram a união de Cristo com a sua Igreja através da ação do Espírito. É Ele que assegura a unidade do Corpo eclesial de Cristo, tanto na assembleia eucarística como na assembleia sinodal”. Ambas são espaços para ouvir a Palavra, discernir a vontade de Deus e responder a ela (cf. Idem, § 27).

Nos caminhos de Emaús

No início da manhã de hoje fomos iluminados pelo encontro de Jesus com os discípulos de Emaús. Jesus caminha conosco, e nos pede um olhar retrospectivo sobre a Assembleia: O que esperávamos e não aconteceu?  O que aconteceu que não esperávamos? Sua Palavra mexeu com o nosso coração, e nós abrimos nossas portas trancadas.

Uma vez escancaradas as portas, ele entra e senta à mesa conosco. Mas com ele entra também a Igreja diocesana como um todo, e a tenda da nossa pequena casa se alarga. E todos sentimo-nos acolhidos e hospedados pela Igreja diocesana. Isso é maravilhoso: a Igreja inteira habita e vive em nós, e nós somos plenamente acolhidos na Igreja.

Anunciar e testemunhar o Evangelho

Ontem, São Paulo (cf. 1Cor 9,16-20) nos ajudou a vislumbrar o horizonte que nos atrai, congrega e ilumina: Anunciar e testemunhar a Boa Notícia de Jesus Cristo a todos e sempre. É isso que sonhamos como Igreja diocesana: anunciar o Evangelho com a vida, sendo uma Igreja acolhedora, sinodal, enraizada em Jesus Cristo e na sua Palavra.

Por isso mesmo, fizemos nossa a prioridade pastoral que Jesus indicou ao enviar os apóstolos (cf. Mt 10,5-11): iremos primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel, a quem está mais exposto à vulnerabilidade. E o faremos anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus e multiplicando gratuitamente ações que resgatam a cidadania que lhes é negada.

Renascidos em Jesus

No evangelho de hoje (Mt 20,17-28), Jesus nos antecipa o modo como nos revelará e entregará o amor de Deus: mantendo-se fiel e servidor, mesmo quando isso atraia humilhação despojamento, condenação e zombaria pública dos grandes, entrega plena de si mesmo, confiança absoluta no Pai. E é isso que ele espera daqueles que o seguem, da sua Igreja.

Num contexto terrivelmente assustador, diante de imperadores que impõem taxas e semeiam guerras, que governam como autocratas, proclamam que seus bombardeios são bem-sucedidos se definem sempre como os melhores, Jesus manda claramente: “Entre vocês não seja assim!” O maior é o mais humilde, e o primeiro é aquele que serve.

Atraídos e guiados pelo horizonte

Ao iniciar sua missão, Jesus não disse: “Tenho um programa bem elaborado para vocês!”, mas“O Reino de Deus está próximo, acreditem nessa Boa Notícia!” (cf. Mc 1,15). Dois mil anos depois, Martin Luther King também proclamou aos negros norte-americanos e aos homens e mulheres de boa vontade: “Eu tenho um sonho!”

É isso que desperta consciências adormecidas, atrai discípulos e lhes dá forças para ser eternos peregrinos de esperança. Saint-Exupéry dizia que, se queremos construir um barco, não devemos começar chamando engenheiros, madeireiros e profissionais diversos. É preciso antes ensinar um povo a desejar a misteriosa imensidão do amar.

Queridas irmãs e irmãos! O Plano de Evangelização que nascerá das decisões desta Assembleia será apenas um barco, um meio. Ele não passará de letra morta se não nos apaixonamos pela imensidão bela e libertadora do Reino de Deus. É essa paixão envolvente que nos dará forças e alegria para lançar-nos no trabalho do Senhor.

Partilhemos aquilo que descobrimos

Logo mais estaremos voltando para as comunidades que nos enviaram. Voltaremos como viemos? Os discípulos voltavam para Emaús desolados, sem entender o que estava acontecendo. Era dia, mas tudo lhes parecia escuro. Depois de reconhecer Jesus na partilha do pão, eles voltaram a Jerusalém de noite, e tudo estava claro como o dia.

Oxalá possamos voltar alegres e cheios de esperança, e partilhar com os irmãos e irmãs aquilo que vimos, ouvimos e construímos juntos. E – Quem sabe?! – ouviremos deles algo semelhante àquilo que os dois jovens de Emaús ouviram ao chegar ofegantes em Jerusalém: “O Senhor está vivo de verdade e apareceu a Simão” (cf. Lc 24,34).

+ Itacir Brassiani msf

Homilia na conclusão da Assembleia Diocesana

04 de março de 2026

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