Quem assimila o Evangelho vence a morte
1030 | Quaresma | 5ª Semana | Quinta-feira | João 8,51-59
Jesus havia afirmado que as lideranças
do templo eram filhos da mentira, e elas reagiram de forma violenta: acusam
Jesus de ser samaritano e estar possuído pelo demônio. Quando Jesus insiste que
seu ensino ilumina e conduz à vida e à liberdade, que quem o segue não será
envolvido pelas trevas da morte, esse “pessoal do templo” pensa ter encontrado
uma prova da sua loucura.
Eles se baseiam na experiência
universal de que a morte colhe todos os homens e mulheres, inclusive Abraão e
os profetas. Mas o fato é que eles não conhecem nem reconhecem senão a vida mortal
e a morte amarga. Eles não conseguem entender que a vida pode ser vazia e
tediosa, ou intensa e indestrutível. A simples possibilidade de uma vida terna
e eterna lhes causa desestabilização.
A discussão entre Jesus e o pessoal do
templo é permeada pela ironia, tanto da parte deles como de Jesus. Isso aparece
tanto nas perguntas como nas respostas de ambos os lados: “Quem pretendes
ser? Acaso és maior que nosso pai
Abraão?” “Não tens 50 anos e vistes Abraão?” Mas a ironia não esquece nem se
afasta do conteúdo em discussão: Quem de fato conhece a Deus e realiza suas
ações?
Jesus não recorre a títulos para falar
de si mesmo. Ele conhece a Deus como Pai, e demonstra que é seu Filho e seu Enviado
porque participa da ação de Deus em defesa do ser humano. Tomando distância até
do próprio Abraão, e afirmando que ele é pai “de vocês” (e não “nosso” pai),
Jesus escapa das apertadas amarras de raça e de nação. Deus, enquanto Pai, está
para além do “cercadinho” ou da “bolha” do gênero, raça e nação, e estende
nossos laços de fraternidade a toda a humanidade.
Por fim, Jesus
diz que Abraão exultou e se alegrou ao visualizar “o meu dia”. Não é Jesus que
viu Abraão, mas Abraão que previu em Jesus o Enviado de Deus e o início dos tempos
messiânicos. Quando Jesus afirma “antes que Abraão existisse, eu sou”, a taça
da raiva do “pessoal do templo" transborda: eles pegam em pedras para
executar Jesus, comprovando que são assassinos e que o templo deixou de ser
casa de Deus e se tornou lugar de comércio, violência e morte.
Sugestões para a meditação
Releia o texto atentamente, participe do debate, interaja com
os protagonistas, perceba o que está em jogo
Qual é a imagem que fazemos de Deus, e em que medida essa
imagem nos emancipa e nos torna solidários e libertadores?
Nossa imagem de Deus está preso a ideologias como o machismo,
o nacionalismo, o patriarcalismo, o liberalismo?
Em que medida, para defender nossa ideia de Deus e nossa
religião, somos capazes de usar de violência contra os outros?
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