segunda-feira, 30 de março de 2026

A tragédia de Judas

Que o Senhor sustente a nossa fidelidade!

1036 | Quaresma | Semana Santa | Terça | João 13,21-38

A cena faz parte da ceia de despedida de Jesus, depois do lava-pés. Na caminhada da semana santa, porém, o episódio vem antes da ceia do Senhor, e está focalizado na possibilidade da traição e da negação que nos ronda a todos. Jesus estremece ao manifestar a certeza de que está sendo traído por um dos seus seguidores mais próximos. E fala isso ainda à mesa, onde dissera que daria a vida pelos seus.

A cena, como de todo o episódio da ceia de Jesus, está marcada por um clima de suspeita, medo, negação e traição. Jesus fala aos seus discípulos: “Um de vós me entregará”. Como eles não sabem a quem Jesus se refere, todos se olham com suspeita. Somente o discípulo amigo de Jesus fica sabendo quem é, mas Jesus não o anuncia publicamente, preservando, o quanto possível, a honra do traidor.

Sendo um dos apóstolos, Judas recebe das mãos de Jesus um “pedaço da sua vida” e a leva aos inimigos de Jesus. Toma a decisão de repudiar e entregar Jesus, não come do pão e não bebe do vinho, embora tenha permitido que ele lavasse seus pés. Assim, Judas faz sua opção definitiva contra Jesus (é o que significa dizer que Satanás entrou nele). Ele não pode mais ficar com Jesus e se perde na escuridão da noite.

Outro personagem que recebe destaque na cena é Pedro. Ele não é leviano, mas ainda não tinha aceitado Jesus e seu Evangelho de encarnação, serviço e despojamento. Pedro mostra-se arrogante e obstinado, mas tenta esconder sua fraqueza e sua decepção. Trata Jesus como líder, e diz estar disposto a dar a vida por ele, mas dá a impressão de querer separar Jesus dos demais seres humanos.

Jesus não pede para dar a vida por ele, mas com ele, pelo ser humano fragilizado. Por isso, Jesus ironiza a declaração afoita e arrogante de Pedro. Quando Pedro nega Jesus, o canto do galo na escuridão da noite expressa o canto de vitória do diabo, aquele que divide os discípulos e se alegra com essa divisão.

 

Sugestões para a meditação

Participamos, sempre que possível, da mesa eucarística, mas o aceitamos plenamente, e ao seu caminho de serviço solidário?

Como Pedro, prometemos emalto e bom tom seguir Jesus por onde quer que ele vá, mas isso é pra valer?

O que nos custa mais, ou até consideramos inadmissível, no caminho que Jesus propõe a quem deseja segui-lo?

Até que ponto temos consciência das fraquezas, negações e traições ao caminho de vida percorrido e proposto por Jesus?

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