Haverá mensagem mais bela que o Evangelho?
1025 | Quaresma | 4ª Semana | Sábado | João 7,40-53
O contexto existencial e social no
qual se situa o episódio de hoje é especialmente difícil e conflituoso para
Jesus. Seus parentes querem que ele vá a Jerusalém para se tornar famoso. Eles
parecem indiferentes e resistentes ao caminho de despojamento e solidariedade
que Jesus estava propondo e vivendo. João diz que nem sua própria família
acreditava nele (cf. Jo 7,1-15).
Jesus vai a Jerusalém para a Festa das Tendas,
que celebrava a difícil e longa travessia do povo pelo deserto, fugindo da
escravidão de Egito e buscando uma terra livre e partilhada. Mas vai meio
sozinho, discretamente. Mesmo assim, sua fala chama a atenção. “Ninguém jamais
falou como este homem”, dizem os policiais do templo, para escândalo dos
fariseus. Mas as opiniões se dividem e se contrapõem.
A chefia do templo já havia decidido prender
Jesus, mas até os guardas ficam impressionados ao ouvi-lo. E muita gente se
pergunta se ele não seria o Profeta ou o Messias esperado. Mas o preconceito do
povo da capital contra as pessoas oriundas da Galileia é uma catarata que os
impede de ver. E esse preconceito se volta também contra os pobres e pouco
letrados que se deixam atrair por Jesus. “Essa gente que não conhece a lei é
maldita”, dizem os fariseus, ecoando o preconceito de todos.
Sobram críticas e ataques pouco fraternos até
para Nicodemos, simpatizante discreto de Jesus que desfruta de uma posição de
liderança entre os fariseus. Quando ele lembra aos seus pares que a Lei que
eles defendem e ensinam proíbe julgar alguém antes de ouvi-lo, é taxado de
analfabeto em relação às escrituras e acusado de fazer parte da massa presumivelmente
iludida por Jesus. Faltou dizer, como repetem alguns patriotas pouco afeitos à
pátria que dizem amar e aos direitos humanos: “Você gosta dele? Vai com ele
para Cuba ou Venezuela!”
O preconceito
sempre distorce a visão de quem se julga melhor e superior. O medo faz com que
vejamos demônios e terror por todo lado. A intolerância nos fecha no estreito
círculo da “nossa verdade”, que geralmente não tem sustentação na realidade, e
impossibilita a fraternidade e a conversão ao Evangelho de Jesus. Precisamos
levar Jesus realmente a sério, pois ele revela nossa verdade e nos conduz à
autêntica liberdade. Ele veio morar entre nós, e quer abrir nossos olhos ao
drama da moradia que tira o sono e aborta o futuro de muitos irmãos e irmãs.
Sugestões para a meditação
Situe-se
no coração deste debate sobre Jesus, escute com atenção as opiniões divergentes
que diferentes grupos têm sobre ele, e note a intolerância e o fechamento ao
diálogo
Em
que medida nossos preconceitos nos impedem de ver e reconhecer hoje a dignidade
dos “diferentes” (migrantes, evangélicos, negros, indígenas, ateus, LGBTIQ+)?
Será
que o medo, o fechamento e o preconceito não estão levando alguns grupos
religiosos a negar com suas práticas o Evangelho que anunciam com suas
palavras?
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