Jesus transforma os últimos em primeiros
1010 | Quaresma | 2ª Semana | Sexta | Mateus 21,33-46
Voltamos ao enfrentamento entre Jesus e a elite
religiosa, no templo. O trecho de hoje explicita a tensão crescente inconciliável
entre esta elite e a pessoa e o ensino de Jesus. Também neste caso, a parábola dispensa
uma nova narração. No final, com sua habilidade, Jesus leva seus adversários a
pronunciar a própria autocondenação.
Jesus sublinha as consequências fatais da
indiferença ou da rejeição de sua pessoa e missão, visceralmente ligadas ao
Reino de Deus. A identidade e a missão de Jesus estão na linha dos grandes
profetas enviados por Deus para defender seus direitos estabelecidos na
aliança, que são os direitos dos mais pobres diante dos prepotentes. Com isso, os
profetas acabam atraindo sobre si mesmos a ira e a violência.
Os chefes dos sacerdotes e outras lideranças
políticas e religiosas de Jerusalém agem como se fossem senhores da vida e da
morte do povo, e como se fossem os únicos mediadores e intérpretes autorizados
da vontade de Deus. Eles receberam uma uma missão, mas agem em causa própria,
torcem a vontade de Deus, legitimam as violências perpetradas contra os pobres
e indefesos, e eliminam quem ousa criticá-los. E Jesus percebe que será
certamente a próxima vítima.
Jesus denuncia e deslegitima os “vinhateiros” e
“doutores” que se apossaram da vinha e se assentaram na cátedra de Moisés.
Rejeitando Jesus e interpondo dificuldades à vida dos pobres, eles descartam o
próprio Deus e sacralizam o que lhes assegura vantagens. A advertência é clara:
Deus não se deixa enganar por uma adesão puramente externa, e, menos ainda, por
uma pretensa “supremacia” étnica. A lógica de Deus é transformar os excluídos e
descartados em cidadãos plenos.
São os próprios líderes criticados que se
qualificam como “canalhas” e “perversos”, e afirmam não serem dignos de
confiança. A insistência de Jesus numa fé que produza frutos de misericórdia e
justiça enfatiza que a autenticidade da fé não consiste na estética (gestos, ritos e palavras bonitas e corretas) e não é étnica (pertencer a um povo específico
ou a uma “raça superior”), mas essencialmente ética: produzir frutos de diálogo, de misericórdia, de solidariedade
e de acolhida.
Sugestões para a meditação
Leia atentamente
essa parábola, com atenção aos vários enviados pelo dono e às ações típicas e
perversas dos vinhateiros
Observe o
julgamento que os próprios líderes religiosos fazem sobre os vinhateiros, sem dar-se
conta de que se autocondenam
Qual é a sentença
de Jesus sobre eles? Que sentido tem o que Jesus diz? Que sentença você daria?
Qual é a base que
sustenta e legitima sua fé em Jesus? Uma pertença apenas exterior e por
tradição? Que frutos você produz?
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