quinta-feira, 5 de março de 2026

Pedras e pessoas descartadas

Jesus transforma os últimos em primeiros

1010 | Quaresma | 2ª Semana | Sexta  | Mateus 21,33-46

Voltamos ao enfrentamento entre Jesus e a elite religiosa, no templo. O trecho de hoje explicita a tensão crescente inconciliável entre esta elite e a pessoa e o ensino de Jesus. Também neste caso, a parábola dispensa uma nova narração. No final, com sua habilidade, Jesus leva seus adversários a pronunciar a própria autocondenação.

Jesus sublinha as consequências fatais da indiferença ou da rejeição de sua pessoa e missão, visceralmente ligadas ao Reino de Deus. A identidade e a missão de Jesus estão na linha dos grandes profetas enviados por Deus para defender seus direitos estabelecidos na aliança, que são os direitos dos mais pobres diante dos prepotentes. Com isso, os profetas acabam atraindo sobre si mesmos a ira e a violência.

Os chefes dos sacerdotes e outras lideranças políticas e religiosas de Jerusalém agem como se fossem senhores da vida e da morte do povo, e como se fossem os únicos mediadores e intérpretes autorizados da vontade de Deus. Eles receberam uma uma missão, mas agem em causa própria, torcem a vontade de Deus, legitimam as violências perpetradas contra os pobres e indefesos, e eliminam quem ousa criticá-los. E Jesus percebe que será certamente a próxima vítima.

Jesus denuncia e deslegitima os “vinhateiros” e “doutores” que se apossaram da vinha e se assentaram na cátedra de Moisés. Rejeitando Jesus e interpondo dificuldades à vida dos pobres, eles descartam o próprio Deus e sacralizam o que lhes assegura vantagens. A advertência é clara: Deus não se deixa enganar por uma adesão puramente externa, e, menos ainda, por uma pretensa “supremacia” étnica. A lógica de Deus é transformar os excluídos e descartados em cidadãos plenos.

São os próprios líderes criticados que se qualificam como “canalhas” e “perversos”, e afirmam não serem dignos de confiança. A insistência de Jesus numa fé que produza frutos de misericórdia e justiça enfatiza que a autenticidade da fé não consiste na estética (gestos, ritos e palavras bonitas e corretas) e não é étnica (pertencer a um povo específico ou a uma “raça superior”), mas essencialmente ética: produzir frutos de diálogo, de misericórdia, de solidariedade e de acolhida.

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente essa parábola, com atenção aos vários enviados pelo dono e às ações típicas e perversas dos vinhateiros

Observe o julgamento que os próprios líderes religiosos fazem sobre os vinhateiros, sem dar-se conta de que se autocondenam

Qual é a sentença de Jesus sobre eles? Que sentido tem o que Jesus diz? Que sentença você daria?

Qual é a base que sustenta e legitima sua fé em Jesus? Uma pertença apenas exterior e por tradição? Que frutos você produz?

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