Escutemos hoje o que nos diz o Senhor!
1016 | Quaresma | 3ª Semana | Quinta | Lucas 11,14-23
Jesus acabara de ensinar os discípulos
a rezar, sublinhando a necessidade de pedir com confiança, pois Deus é pai. Mas
isso não livra Jesus de reações diversas e contraditórias frente à sua pessoa e
às suas ações. Enquanto as multidões ficam admiradas com seu ensino, as
autoridades religiosas questionam suas credenciais. E pedem com insistência que
diga em nome de quem ele vive, prega e age.
Por ocasião da libertação de uma pessoa do
domínio do demônio, os questionamentos viram acusação curta e grossa: “É pelo
chefe dos demônios que ele expulsa os demônios”. É a mais grave acusação que
pode ser dirigida a uma pessoa: a acusação de ser aliado do demônio. Partindo
dessa acusação, Jesus discorre sobre o sentido do que ele faz, questiona as
práticas do judaísmo e alerta seus discípulos.
Quando liberta uma pessoa de algo que limita
sua personalidade, Jesus não age como quem realiza sinais espetaculares para
impressionar, nem recorre a poderes mágicos. As curas e libertações que opera,
sempre em benefício de pessoas vulneráveis e necessitadas, são sinais eficazes
do dinamismo do Reino de Deus que está ativo no mundo. Ele não é enviado ou
parceiro do diabo, mas filho e enviado de Deus.
Para refutar a grave acusação que lhe dirigem,
Jesus recorre a duas experiências familiares aos seus ouvintes: um reino
dividido prepara a própria ruína; quando a casa de um homem forte e bem armado
é atacada e dominada por outro homem mais forte ainda, o dono acaba sendo expulso
e seus bens mudam de dono. Jesus é esse homem mais forte, que restituiu a
liberdade a todas as pessoas vítimas dos agentes do mal e expulsa o “dominador”.
Por fim, Jesus
faz uma advertência a todos os que foram acolhidos e justificados por ele:
ninguém pode se sentir imunizado e melhor que os outros, nem considerar a
salvação como adquirida e merecida. Nossa liberdade se mantém e se renova na
luta pela liberdade dos outros. Nossa condição de filhos, irmãos e herdeiros é
sempre precária, e precisa ser reassumida diariamente. A necessária celebração
da vitória não pode esconder a continuidade da luta.
Sugestões para a meditação
Leia atentamente
esta breve, tensa e complexa discussão de Jesus com seus acusadores, que são
lideranças religiosas do judaísmo
Acusações
semelhantes àquela feita contra Jesus não estão sendo feitas hoje aos cristãos,
igrejas e organizações mais progressistas?
O que significam
as críticas desrespeitosas que alguns grupos católicos dirigem contra a Conferência
dos Bispos do Brasil e contra o Papa?
O que dizer das
pessoas e grupos que se julgam superiores, mais puras e ortodoxas que o próprio
Papa e a Conferência dos Bispos?
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