domingo, 29 de março de 2026

O amor "exagerado" de Maria de Betânia

Que o perfume da ternura se espalhe na casa!

1035 | Quaresma | Semana Santa | Segunda | João,12,1-11

Seis dias antes da páscoa, Jesus se afasta de Jerusalém e busca acolhida em Betânia (“casa dos Pobres”), entre os amigos Marta, Maria e Lázaro. A casa está tomada pela emoção, pois Lázaro havia voltado à vida, e eles oferecem a Jesus uma agradecida refeição. É neste contexto que Maria realiza um gesto surpreendente, como se quisesse anunciar a passagem de Jesus deste mundo ao Pai: ela busca um frasco de perfume caríssimo, unge os pés de Jesus e os enxuga com os cabelos.

O efeito é inesperado: o perfume enche a casa! Jesus acolhe este gesto de Maria, mas Judas reage protestando contrariado. Nele ressoa a tentação da Igreja diante da novidade desmedida do amor de Jesus, que vem hospedar-se e morar na casa dos pobres. Jesus toma a Palavra para dizer que o gesto de Maria é justo: ela antecipa o embalsamamento do seu corpo e, com isso, aceita e preanuncia sua paixão.

É como se houvesse em Deus uma pobreza, uma necessidade de amor maduro e lúcido da humanidade. Deus busca adoradores em Espírito e verdade, e o cego de nascimento e Maria de Betânia são capazes de tal amor. A sede de amar os homens e mulheres e de ser por eles amado é latente em Jesus, atravessa o evangelho de João e encontrará seu ponto alto na cruz. “Tenho sede”!

O gesto de Maria é um gesto de amor a Jesus, que ela reconhece como enviado do Pai. É gesto de esperança à luz do mistério da paixão que se aproxima. É gesto de fé, dessa fé que deve se espalhar como bom perfume de Cristo nos templos, nas casas e por toda a Casa Comum. Da nossa parte, somos chamados a prolongar o gesto de fé de Maria, a derramar sobre o corpo de Jesus o perfume do nosso cuidado amoroso.

Podemos honrar o corpo de Jesus nas Escrituras, pois a vida cristã é escuta, acolhida e prática da Palavra. Podemos também honrar o corpo de Jesus na Eucaristia, para que ele tome forma em nós e nos transformemos nele. Podemos honrar o corpo de Cristo no corpo eclesial, constituído por aqueles que vivem do Espírito de Cristo. E há o corpo de Cristo que espera nosso serviço no corpo dos pobres, interlocutores da missão, e no corpo da família das criaturas, nossa casa comum.

 

Sugestões para a meditação

O que o gesto aparentemente exagerado de Maria de Betânia diz para a nossa espiritualidade de homens e mulheres adultos e maduros?

Como entender e trazer para nosso contexto atual o argumento falso de Judas e a resposta de Jesus?

Acolhemos realmente o caminho de Jesus como ele nos apresenta: esvaziamento solidário, serviço gratuito, profecia destemida?

Como manifestamos concretamente nosso cuidado agradecido e reverente ao “corpo de Jesus Cristo” hoje?

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito agradecida Dom Itacir pelas ótimas reflexões da Palavra. Bênçãos para sua vida em missão!!