Que o perfume da ternura se espalhe na casa!
1035 | Quaresma | Semana Santa | Segunda | João,12,1-11
Seis dias antes da páscoa, Jesus se
afasta de Jerusalém e busca acolhida em Betânia (“casa dos Pobres”), entre os
amigos Marta, Maria e Lázaro. A casa está tomada pela emoção, pois Lázaro havia
voltado à vida, e eles oferecem a Jesus uma agradecida refeição. É neste
contexto que Maria realiza um gesto surpreendente, como se quisesse anunciar a
passagem de Jesus deste mundo ao Pai: ela busca um frasco de perfume caríssimo,
unge os pés de Jesus e os enxuga com os cabelos.
O efeito é inesperado: o perfume enche
a casa! Jesus acolhe este gesto de Maria, mas Judas reage protestando contrariado.
Nele ressoa a tentação da Igreja diante da novidade desmedida do amor de Jesus,
que vem hospedar-se e morar na casa dos pobres. Jesus toma a Palavra para dizer
que o gesto de Maria é justo: ela antecipa o embalsamamento do seu corpo e, com
isso, aceita e preanuncia sua paixão.
É como se houvesse em Deus uma
pobreza, uma necessidade de amor maduro e lúcido da humanidade. Deus busca
adoradores em Espírito e verdade, e o cego de nascimento e Maria de Betânia são
capazes de tal amor. A sede de amar os homens e mulheres e de ser por eles
amado é latente em Jesus, atravessa o evangelho de João e encontrará seu ponto
alto na cruz. “Tenho sede”!
O gesto de Maria é um gesto de amor a Jesus,
que ela reconhece como enviado do Pai. É gesto de esperança à luz do mistério
da paixão que se aproxima. É gesto de fé, dessa fé que deve se espalhar como
bom perfume de Cristo nos templos, nas casas e por toda a Casa Comum. Da nossa
parte, somos chamados a prolongar o gesto de fé de Maria, a derramar sobre o
corpo de Jesus o perfume do nosso cuidado amoroso.
Podemos honrar o
corpo de Jesus nas Escrituras, pois a vida cristã é escuta, acolhida e prática
da Palavra. Podemos também honrar o corpo de Jesus na Eucaristia, para que ele tome
forma em nós e nos transformemos nele. Podemos honrar o corpo de Cristo no
corpo eclesial, constituído por aqueles que vivem do Espírito de Cristo. E há o
corpo de Cristo que espera nosso serviço no corpo dos pobres, interlocutores da
missão, e no corpo da família das criaturas, nossa casa comum.
Sugestões para a meditação
O que o gesto aparentemente exagerado de Maria de
Betânia diz para a nossa espiritualidade de homens e mulheres adultos e maduros?
Como entender e trazer para nosso contexto atual o
argumento falso de Judas e a resposta de Jesus?
Acolhemos realmente o caminho de Jesus como ele nos
apresenta: esvaziamento solidário, serviço gratuito, profecia destemida?
Como manifestamos concretamente nosso cuidado
agradecido e reverente ao “corpo de Jesus Cristo” hoje?
Um comentário:
Muito agradecida Dom Itacir pelas ótimas reflexões da Palavra. Bênçãos para sua vida em missão!!
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