sábado, 21 de março de 2026

Vem para fora!

OS NOSSOS MORTOS VIVEM!

A despedida definitiva de um ser muito querido mergulha-nos inevitavelmente na dor e na impotência. É como se toda a vida ficasse destruída. Não há palavras nem argumentos que nos possam consolar. Em que se pode esperar?

O relato de João não tem apenas como objetivo narrar a ressurreição de Lázaro, mas sobretudo despertar a fé, não para que acreditemos na ressurreição como um acontecimento distante que ocorrerá no fim do mundo, mas para que vejamos desde já que Deus está a infundir vida àqueles que enterrámos.

Jesus chega profundamente comovido, ou soluçando, ao túmulo do seu amigo Lázaro. O evangelista diz que está coberto com uma laje. Essa laje fria fecha-nos o caminho. Não sabemos nada dos nossos amigos mortos. Uma laje separa o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Só nos resta esperar o dia final para ver se algo acontece.

Esta é a fé judaica de Marta: «Sei que o meu irmão ressuscitará na ressurreição do último dia». A Jesus isso não basta. «Tirai a laje». Vamos ver o que acontece com aquele que enterraram. Marta pede a Jesus que seja realista. O morto já começou a decompor-se e cheira mal. Jesus responde: «Se creres, verás a glória de Deus». Se em Marta despertar a fé, poderá ver que Deus está a dar vida ao seu irmão.

Tiram a laje e Jesus levanta os olhos ao alto, convidando todos a elevar o olhar até Deus, antes de penetrar com fé no mistério da morte. Ele deixa de soluçar e dá graças ao Pai porque ele sempre o escuta. O que ele deseja é que os que o rodeiam acreditem que é o Enviado do Pai para introduzir no mundo uma nova esperança.

Depois, Jesus grita com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” Quer que ele saia para mostrar a todos que está vivo. A cena é impactante. Lázaro tem «os pés e as mãos atados com ligaduras» e «o rosto envolto em um sudário». Lázaro traz os sinais e as ataduras da morte. No entanto, «o morto sai» por si mesmo. Ele está vivo!

Esta é a fé de quem acredita em Jesus: os que enterramos e deixamos na morte entre lágrimas vivem. Deus não os abandona. Afastemos a laje com fé. Chamemos os nossos mortos para fora, pois eles estão vivos!

 José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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