quinta-feira, 12 de março de 2026

O maior mandamento

O amor a Deus e ao próximo está acima do culto

1017 | Quaresma | 3ª Semana | Sexta | Marcos 12,28-34

A cena oferecida à nossa leitura neste sexta-feira da segunda semana da quaresma, mesmo parecendo bastante tranquila e isenta de provocações, faz parte das armadilhas que os chefes do judaísmo colocam a Jesus com a intenção de acusá-lo e das tensas disputas teológicas e políticas com ele. Não esqueçamos que elas ocorrem no ambiente do templo, do qual Jesus já havia expulsado os comerciantes. Este é o último confronto de Jesus antes de ser preso, condenado, torturado e crucificado.

No centro da disputa está a questão do primeiro ou principal mandamento da ética religiosa judaica. Quem questiona e chama ao debate é um mestre da lei, que disfarça sua intenção ardilosa falando num tom simpático. Ele pergunta pelo “primeiro de todos os mandamentos”. Jesus responde no horizonte com cautela, mas se atreve a juntar ao mandamento de amar a Deus (cf. Dt 6,4-13), conhecido e aceito, o de amar ao próximo (cf. Lv 19,18). “Não existe outro mandamento maior que estes!”

É importante perceber ainda que, no primeiro testamento, o mandamento “ame ao seu próximo como a si mesmo” não vem isolado, mas situado num conjunto de normas que se opõem às práticas de indiferença e opressão dos mais pobres das tribos de Javé (cf. Lv 19,9-18). Jesus já havia dito que estas normas são violadas pelos escribas. Para Jesus, o céu precisa vir à terra, e a terra é o único caminho para o céu. Não há lugar para escapismos e espiritualismos de qualquer espécie.

O texto termina dizendo que ninguém mais se atrevia a apresentar armadilhas a Jesus. Ele venceu todos os seus opositores: expulsou os comerciantes do templo, enfrentou as ciladas de fariseus e saduceus sem cair nelas, questionou a legitimidade e os privilégios dos chefes, assumiu seu papel de mestre. Em síntese, “amarrou o homem forte e reconquistou sua casa”, como refletíamos ontem (cf. Mc 3,27).

No caminho da conversão precisamos decidir quem manda em nós: Jesus e seu evangelho da fraternidade, ou o Mercado, que incensa o consumismo individualista e predatório, que trata tudo – as pessoas e todas as demais criaturas – como se fossem bens dos quais pode se apropriar e desfrutar.

 

Sugestões para a meditação

Situe-se no interior da cena, no templo, diante de Jesus e do escriba, especialista nos mandamentos da lei de Deus

O escriba parece candidato a discípulo, seu tom é simpático, mas, em verdade, é ardiloso e enganador, como os outros

Estaríamos nós também comprometidos com a manutenção das relações de dominação e legitimando-as com falsa ortodoxia?

Perceba a novidade corajosa de Jesus: ele une o amor a Deus e o amor ao próximo, e faz dos dois um só mandamento

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