domingo, 15 de março de 2026

A força da Palavra

Senhor, tua palavra tem força para curar-me!

1020 | Quaresma | 4ª Semana | Segunda | João 4,43-54

Esta cena está literariamente situada logo após a cena do encontro e diálogo de Jesus com uma mulher samaritana à beira do poço de Jacó. E nós a contemplamos e acolhemos sua mensagem no contexto litúrgico e espiritual da adesão à Boa Notícia do Reino de Deus e da conversão a ela, como sublinha o tempo quaresmal. Converter-se é acreditar no Evangelho e assumi-lo como regra.

Jesus está voltando para a região onde se criara, passando pela complicada região da Samaria. Era um povo marcado pelo desprezo que recebia do pessoal da Judeia, e era tentado a devolver na mesma moeda. Mesmo sabendo que os profetas são desprezados em sua própria terra, Jesus é recebido pelos seus conterrâneos com boa disposição, pois eles haviam sido informados das ações de Jesus na capital.

Informado sobre os sinais que Jesus realizara no templo (expulsara os vendedores), um funcionário do rei busca em Jesus uma ajuda para seu filho, que está gravemente enfermo. Quer que Jesus o cure, ao que parece, preferencialmente com um milagre grandioso e espetacular. Quem é habituado aos corredores do poder, age como tal e espera que Deus também intervenha no mundo com gestos de poder.

O funcionário se dá conta que imagina Jesus apenas como uma autoridade corajosa, poderosa e reformista, e pede a Jesus que ele “desça”. Esse verbo diz mais que um movimento físico, e alude à descida ao nível humano. Jesus não vai a Cafarnaum, mas “desce”: não realiza um gesto de poder, mas um gesto humano, tão humano que revela sua divindade. Jesus declara que o filho dele vive, e não que ele está curado. O funcionário do rei reconhece a força da Palavra de Jesus e obedece a ela.

É a Palavra de Jesus que devolve a vida. O funcionário precisa ir e ver, mas não há nenhum gesto grandioso. Ele não deve tratar o filho como dependente (“menino”) mas como filho. Jesus atende o pedido desse homem pagão e próximo ao poder sem pedir nada em troca, pois está disposto a ajudar a todos. Mas tudo acontece quando Jesus e o funcionário “descem” da esfera das relações pragmáticas ou de poder à esfera das relações autenticamente humanas, onde todos somos iguais.

 

Sugestões para a meditação

Situe-se no interior da cena, observe a atitude do funcionário do rei, assim como a postura e as palavras de Jesus

Você percebe como o funcionário real demonstra pensar, falar e agir segundo a lógica das funções de poder?

Em que medida também nós esperamos de Jesus gestos e ações espetaculares, que dispensem nossa colaboração?

Que mudanças em nosso modo de pensar e de agir esta cena pede de nós, enquanto caminhamos para a páscoa?

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