Deus se alegra com cada pessoa recuperada
1011 | Quaresma | 2ª Semana | Sexta | Lucas15,1-3.11-32
Avançando na caminhada quaresmal, a Igreja nos
brinda hoje com uma das mais belas e conhecidas páginas dos evangelhos: a parábola
do filho pródigo, que seria mais justo designar como parábola do pai
misericordioso. Explico: partindo das tensões descritas nos versos 1-3, fica
claro que o personagem central da cena não é o filho mais novo. Os
protagonistas são o pai e o filho mais velho.
Enquanto os publicanos e outros grupos considerados
“pecadores” se aproximam e confraternizam com Jesus, os fariseus o acusam de se
misturar e aliar com gente suspeita. Evidentemente, quem critica e acusa se
sente melhor que os outros, superior, com mais méritos que aqueles que são
acolhidos por Jesus. E a parábola tem exatamente o objetivo de ilustrar como
Deus costuma tratar seus filhos e filhas.
Observemos que o pai tem dois filhos: o filho mais
novo cai na miséria mais extrema, vivendo como estrangeiro e forçado a se
alimentar da ração dada aos porcos (imagem dos publicanos e demais pecadores);
o filho mais velho, cumpridor minucioso das leis e costumes, tem tudo e mais do
que necessita (figura dos fariseus). O primeiro tem a sensação de não ser filho
de Deus; o segundo, se vê cheio de direitos e não aceita a misericórdia.
O pai, que é figura e imagem do Deus do Reino, em
nome de quem Jesus vem e age, trata a ambos como filhos necessitados de
acolhida e amparo, mesmo que não o mereçam. O pai não se interessa pela contrição
do filho, mas pela sua condição miserável. Por isso, nem deixa que ele termine
seu “ato de contrição”. Deus é Pai, e não juiz! Ele não trata ninguém como
empregado, pois todos são seus filhos, e jamais deixam de sê-lo. Ele não aceita
que uns fiquem com tudo e outros fiquem sem nada.
Esta parábola é um chamado contundente à conversão,
mas é dirigido ao filho mais velho! Pois é ele que não reconhece o amor do pai,
não dialoga com o irmão, não o reconhece, nega a fraternidade que torna todos
iguais, e defende a primazia do mérito, que nos separa e nos coloca uns acima
dos outros. O filho mais novo, mais necessitado, entra para a festa. E o filho
mais velho, será capaz de entrar?
Sugestões para a meditação
Leia atentamente essa parábola,
considerando os versículos iniciais e a atitude do pai e do irmão mais velho
Qual é hoje a reação dos cristãos diante
do chamado da Igreja e do Papa a uma fraternidade sem fronteiras?
Como você se sente diante dessa parábola?
Você concorda e aceita tranquilamente a atitude e as palavras do pai?
Com qual dos três personagens você se
sente identificado? Com qual deles precisa se identificar para seguir Jesus de
verdade?
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