sexta-feira, 6 de março de 2026

O pai e seus dois filhos

Deus se alegra com cada pessoa recuperada

1011 | Quaresma | 2ª Semana | Sexta  | Lucas15,1-3.11-32

Avançando na caminhada quaresmal, a Igreja nos brinda hoje com uma das mais belas e conhecidas páginas dos evangelhos: a parábola do filho pródigo, que seria mais justo designar como parábola do pai misericordioso. Explico: partindo das tensões descritas nos versos 1-3, fica claro que o personagem central da cena não é o filho mais novo. Os protagonistas são o pai e o filho mais velho.

Enquanto os publicanos e outros grupos considerados “pecadores” se aproximam e confraternizam com Jesus, os fariseus o acusam de se misturar e aliar com gente suspeita. Evidentemente, quem critica e acusa se sente melhor que os outros, superior, com mais méritos que aqueles que são acolhidos por Jesus. E a parábola tem exatamente o objetivo de ilustrar como Deus costuma tratar seus filhos e filhas.

Observemos que o pai tem dois filhos: o filho mais novo cai na miséria mais extrema, vivendo como estrangeiro e forçado a se alimentar da ração dada aos porcos (imagem dos publicanos e demais pecadores); o filho mais velho, cumpridor minucioso das leis e costumes, tem tudo e mais do que necessita (figura dos fariseus). O primeiro tem a sensação de não ser filho de Deus; o segundo, se vê cheio de direitos e não aceita a misericórdia.

O pai, que é figura e imagem do Deus do Reino, em nome de quem Jesus vem e age, trata a ambos como filhos necessitados de acolhida e amparo, mesmo que não o mereçam. O pai não se interessa pela contrição do filho, mas pela sua condição miserável. Por isso, nem deixa que ele termine seu “ato de contrição”. Deus é Pai, e não juiz! Ele não trata ninguém como empregado, pois todos são seus filhos, e jamais deixam de sê-lo. Ele não aceita que uns fiquem com tudo e outros fiquem sem nada.

Esta parábola é um chamado contundente à conversão, mas é dirigido ao filho mais velho! Pois é ele que não reconhece o amor do pai, não dialoga com o irmão, não o reconhece, nega a fraternidade que torna todos iguais, e defende a primazia do mérito, que nos separa e nos coloca uns acima dos outros. O filho mais novo, mais necessitado, entra para a festa. E o filho mais velho, será capaz de entrar?

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente essa parábola, considerando os versículos iniciais e a atitude do pai e do irmão mais velho

Qual é hoje a reação dos cristãos diante do chamado da Igreja e do Papa a uma fraternidade sem fronteiras?

Como você se sente diante dessa parábola? Você concorda e aceita tranquilamente a atitude e as palavras do pai?

Com qual dos três personagens você se sente identificado? Com qual deles precisa se identificar para seguir Jesus de verdade?

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