Um só é o nosso mestre, e somos todos irmãos!
1007 | Quaresma | 2ª Semana | Terça | Mateus 23,1-12
Esta página do ensino de Jesus, que tem sua origem
na observação crítica da atitude dos fariseus e doutores da lei, ocorre em
Jerusalém, no templo, alguns dias antes da sua prisão e condenação à morte. E
nós a lemos na perspectiva da conversão ao Evangelho, que é o apelo especial e
predominante desse tempo.
Do ponto de vista literário, o episódio vem antes dos sete “ais” dirigidos por Jesus aos fariseus, e
antecipa cinco exemplos do esforço deles para impressionar o povo. Por fim, a
partir do contra-exemplo dos fariseus, cuja imitação os discípulos devem evitar, Jesus
anuncia aos seus discípulos três mandamentos.
É preciso considerar que o objetivo desta cena,
apesar da linguagem polêmica e do recurso aos clichês, não é propriamente
acusar os fariseus e os doutores da lei, mas instruir e prevenir aqueles que
seguem a Jesus. Os interlocutores são membros da comunidade cristã, e Jesus
quer que eles façam uma autocrítica madura e responsável de suas próprias
atitudes.
Jesus pede que seus discípulos escutem o que os
escribas leem e proclamam (leis e profetas), mas não deem crédito à
interpretação que fazem e ensinam, e não imitem suas atitudes. A fé em Deus e a
conversão ao Reino de Deus implica na coerência entre ler, falar e agir. E é
nisso que, segundo Jesus, os escribas e fariseus pecam. E seus discípulos não
podem ceder a essa tentação, em hipótese nenhuma.
A crítica de Jesus aos fariseus se concentra em
três atitudes: eles fazem tudo para serem vistos e causar boa impressão sobre o
povo; multiplicam preceitos e proibições sem levar em conta o peso que
representam para o povo; se recusam a mexer um dedo para ajudar o povo a
carregar os fardos que impõem a eles. Por isso, buscam os primeiros lugares e
querem ser chamados e tratados como mestres, líderes e pais.
Isso não pode ser imitado,
de modo nenhum, pelos discípulos de Jesus! Todos somos irmãos e servidores uns
dos outros, iguais em dignidade, filhos do Pai, guiados e instruídos por Jesus.
A igualdade, a fraternidade, o cuidado, a coerência e o serviço configuram nossa
identidade como discípulos de Jesus. E isso é coisa séria!
Sugestões para a meditação
Leia atentamente, palavra por palavra, a
crítica de Jesus aos escribas e fariseus, assim como o que ele pede dos
discípulos
O que Jesus critica nos fariseus e
escribas? Que exemplos de ambiguidade deles Jesus apresenta?
Será que nós, individualmente e comunitariamente,
não caímos na mesma incoerência e tentação na qual caíram os fariseus?
O que Jesus manda e pede aos seus
discípulos? Como vivemos hoje este tríplice mandamento?
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