segunda-feira, 2 de março de 2026

Todos são iguais

Um só é o nosso mestre, e somos todos irmãos!

1007 | Quaresma | 2ª Semana | Terça  | Mateus 23,1-12

Esta página do ensino de Jesus, que tem sua origem na observação crítica da atitude dos fariseus e doutores da lei, ocorre em Jerusalém, no templo, alguns dias antes da sua prisão e condenação à morte. E nós a lemos na perspectiva da conversão ao Evangelho, que é o apelo especial e predominante desse tempo.

Do ponto de vista literário, o episódio vem antes dos sete “ais” dirigidos por Jesus aos fariseus, e antecipa cinco exemplos do esforço deles para impressionar o povo. Por fim, a partir do contra-exemplo dos fariseus, cuja imitação os discípulos devem evitar, Jesus anuncia aos seus discípulos três mandamentos.

É preciso considerar que o objetivo desta cena, apesar da linguagem polêmica e do recurso aos clichês, não é propriamente acusar os fariseus e os doutores da lei, mas instruir e prevenir aqueles que seguem a Jesus. Os interlocutores são membros da comunidade cristã, e Jesus quer que eles façam uma autocrítica madura e responsável de suas próprias atitudes.

Jesus pede que seus discípulos escutem o que os escribas leem e proclamam (leis e profetas), mas não deem crédito à interpretação que fazem e ensinam, e não imitem suas atitudes. A fé em Deus e a conversão ao Reino de Deus implica na coerência entre ler, falar e agir. E é nisso que, segundo Jesus, os escribas e fariseus pecam. E seus discípulos não podem ceder a essa tentação, em hipótese nenhuma.

A crítica de Jesus aos fariseus se concentra em três atitudes: eles fazem tudo para serem vistos e causar boa impressão sobre o povo; multiplicam preceitos e proibições sem levar em conta o peso que representam para o povo; se recusam a mexer um dedo para ajudar o povo a carregar os fardos que impõem a eles. Por isso, buscam os primeiros lugares e querem ser chamados e tratados como mestres, líderes e pais.

Isso não pode ser imitado, de modo nenhum, pelos discípulos de Jesus! Todos somos irmãos e servidores uns dos outros, iguais em dignidade, filhos do Pai, guiados e instruídos por Jesus. A igualdade, a fraternidade, o cuidado, a coerência e o serviço configuram nossa identidade como discípulos de Jesus. E isso é coisa séria!

 

Sugestões para a meditação

Leia atentamente, palavra por palavra, a crítica de Jesus aos escribas e fariseus, assim como o que ele pede dos discípulos

O que Jesus critica nos fariseus e escribas? Que exemplos de ambiguidade deles Jesus apresenta?

Será que nós, individualmente e comunitariamente, não caímos na mesma incoerência e tentação na qual caíram os fariseus?

O que Jesus manda e pede aos seus discípulos? Como vivemos hoje este tríplice mandamento?


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