sábado, 14 de março de 2026

A verdadeira cegueira

O fruto da luz é bondade, justiça e verdade

1019 | Quaresma | 4ª Semana | Domingo | João 9,1-41

O pessoal do templo havia ameaçado apedrejar Jesus, o que o leva a sair de fininho daquele espaço religioso. Os discípulos vêm um cego mendigando, e perguntam se a desgraça é fruto do pecado, como pensam. O cego representa as pessoas que vivem sob a opressão, sem imaginar que podem sair dela, sem vislumbrar alternativas. Ele não esperava uma cura, nascera privado da condição e dignidade humana e sempre vivera assim. Jesus não pode dar-lhe nada, porque ele não sabe o que é a vida.

Para Jesus, esse limite não é castigo, e Deus não é indiferente a essa condição limitadora. Jesus convoca os discípulos à ação, e assinala a urgência de fazer algo: sua obra é fazer algo em favor da pessoa humana humilhada. Com o barro, Jesus recria o ser humano, acaba a criação desfigurada e incompleta. A piscina está fora da cidade, e o cego deve caminhar, sair livremente, mas ainda sem ver. Assim ele começa a ver e conhecer o que é o ser humano, o mundo, o caminho da fé.

O cego é como um morto que volta à vida, sendo o mesmo, é outro. Antes ele permanecia imóvel, impotente, dependente, e a mudança repentina deixa os vizinhos perplexos. A cura suscita interesse por Jesus no meio popular, esperança e desejo de encontra-lo. Que os cegos vejam, é sinal dos tempos messiânicos. Os fariseus não se interessam pela cura em si, mas sobre como foi feita. Eles não se alegram com a cura, e exigem respeito à lei, que seria a regra da ação de Deus.

O deus dos fariseus não se interessa pela pessoa humana que tem sua vida limitada. Os judeus se refugiam na incredulidade e suspeitam que o homem jamais havia sido cego. Não encaram o fato evidente, pois contradiz suas convicções. Intimidado pelas autoridades, o povo também não pode expressar a alegria espontânea pela cura. Deve submeter-se à opinião dos dirigentes para continuar sobrevivendo.

Os fariseus querem evitar o testemunho do cego sobre Jesus, e pedem que jure lealdade a eles, para que Jesus seja rotulado como pecador. Não podem negar a cura, mas pensam que podem calar a interpelação e a novidade que ela provoca. Para eles, Deus não pode agir contra a lei e a favor do ser humano necessitado. Eles pensam que sua ideologia é mais verdadeira que a experiência, e se refugiam na tradição para negar a realidade e não encarar a mudança possível e necessária.

 

Sugestões para a meditação

Situe-se espiritualmente na cena descrita por João, em cada personagem, naquilo que dizem e fazem

Perceba como a iluminação do cego vai crescendo, e passa da cura física à maturidade espiritual e à iluminação da fé

Quais são as ideologias ou cegueiras das quais necessitamos ser libertados, para que nossa adesão a Jesus seja madura e plena?

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