O fruto da luz é bondade, justiça e verdade
1019 | Quaresma | 4ª Semana | Domingo | João 9,1-41
O pessoal do templo havia ameaçado
apedrejar Jesus, o que o leva a sair de fininho daquele espaço religioso. Os
discípulos vêm um cego mendigando, e perguntam se a desgraça é fruto do pecado,
como pensam. O cego representa as pessoas que vivem sob a opressão, sem
imaginar que podem sair dela, sem vislumbrar alternativas. Ele não esperava uma
cura, nascera privado da condição e dignidade humana e sempre vivera assim.
Jesus não pode dar-lhe nada, porque ele não sabe o que é a vida.
Para Jesus, esse limite não é castigo, e Deus
não é indiferente a essa condição limitadora. Jesus convoca os discípulos à
ação, e assinala a urgência de fazer algo: sua obra é fazer algo em favor da
pessoa humana humilhada. Com o barro, Jesus recria o ser humano, acaba a
criação desfigurada e incompleta. A piscina está fora da cidade, e o cego deve
caminhar, sair livremente, mas ainda sem ver. Assim ele começa a ver e conhecer
o que é o ser humano, o mundo, o caminho da fé.
O cego é como um morto que volta à vida, sendo
o mesmo, é outro. Antes ele permanecia imóvel, impotente, dependente, e a
mudança repentina deixa os vizinhos perplexos. A cura suscita interesse por
Jesus no meio popular, esperança e desejo de encontra-lo. Que os cegos vejam, é
sinal dos tempos messiânicos. Os fariseus não se interessam pela cura em si,
mas sobre como foi feita. Eles não se alegram com a cura, e exigem respeito à
lei, que seria a regra da ação de Deus.
O deus dos fariseus não se interessa pela
pessoa humana que tem sua vida limitada. Os judeus se refugiam na incredulidade
e suspeitam que o homem jamais havia sido cego. Não encaram o fato evidente,
pois contradiz suas convicções. Intimidado pelas autoridades, o povo também não
pode expressar a alegria espontânea pela cura. Deve submeter-se à opinião dos
dirigentes para continuar sobrevivendo.
Os fariseus
querem evitar o testemunho do cego sobre Jesus, e pedem que jure lealdade a
eles, para que Jesus seja rotulado como pecador. Não podem negar a cura, mas
pensam que podem calar a interpelação e a novidade que ela provoca. Para eles,
Deus não pode agir contra a lei e a favor do ser humano necessitado. Eles
pensam que sua ideologia é mais verdadeira que a experiência, e se refugiam na
tradição para negar a realidade e não encarar a mudança possível e necessária.
Sugestões para a meditação
Situe-se
espiritualmente na cena descrita por João, em cada personagem, naquilo que
dizem e fazem
Perceba
como a iluminação do cego vai crescendo, e passa da cura física à maturidade
espiritual e à iluminação da fé
Quais
são as ideologias ou cegueiras das quais necessitamos ser libertados, para que
nossa adesão a Jesus seja madura e plena?
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