É preciso levar a sério o Evangelho da Cruz!
1005 | Quaresma | 1ª Semana | Quarta | 17,1-9
Os discípulos haviam dito que reconheciam Jesus
como “o Messias, o Filho do Deus Vivo” (cf. Mt 16,11). Mas discordaram e
resistiram fortemente quando Jesus lhes dissera que seria perseguido e morto
pelas mãos dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei (cf.
16,21-23). E fecharam os ouvidos quando Jesus colocou como condição para
segui-lo tomar a cruz dos excluídos e dar a própria vida (cf. 24-28), um modo
muito particular de “ganhar a vida”. É a condição atual de muitos cristãos:
buscam em Jesus apenas prosperidade e alívio.
A cena audiovisual da transfiguração de Jesus está
ligada a essa situação, e tem como objetivo superar a resistência dos
discípulos e tornar visível a esplendorosa humanidade de Jesus. O protagonista da
cena é o Pai, e a beleza da humanidade de Jesus deixa os discípulos extasiados,
tanto que desejam prolongar essa experiência. Na proposta de fazer três tendas
transparece o medo de prosseguir com Jesus o caminho até Jerusalém. É como se
Pedro dissesse: “É melhor parar por aqui...” Mas essa cena é uma espécie de
chave que abre o sentido da pregação e da paixão de Jesus.
A montanha e a nuvem são sinais que apontam para
uma manifestação divina. Mas essa revelação não acontece no templo de
Jerusalém, nem é dada às elites religiosas, a pessoas que se autoproclamavam
mediadoras de Deus, mas num lugar marginal e a três pessoas pouco relevantes. A
presença de Moisés e de Elias, além de buscar o testemunho da Lei e dos
Profetas em favor daquilo que Jesus faz e ensina, também lembra que os profetas,
como Jesus, são perseguidos. A voz imperativa manda escutar e entender o que
Jesus disse, diz e dirá na sua vida, morte e ressurreição.
Diante da voz que afirma que Jesus é o filho amando do Pai e deve ser
escutado, os três discípulos caem de susto. Reconhecem a presença divina em
Jesus e se assustam com a confirmação do caminho da cruz. Deus faz Pedro calar
(como em 16,23), mas o toque de Jesus cura a falta de fé e encoraja. Eles são
proibidos de falar do que viram porque sua compreensão do mistério de Jesus é
ainda limitada, e devem esperar a paixão de Jesus. O imperativo que vem da voz
de Deus é incontornável: todos devemos escutar atentamente o que diz Jesus.
Quaresma é tempo especial para isso.
Sugestões para a meditação
Procure participar
da cena com sua imaginação: veja o desconforto dos discípulos diante do caminho
proposto por Jesus; os três escolhidos subindo a montanha com ele; o êxtase deles
frente ao brilho da humanidade de Jesus; o medo que os joga no chão quando a
voz pede que eles levem Jesus a sério
Veja o testemunho
de Elias e Moisés, que lembram a incompreensão e a perseguição sofrida pelos
profetas
Ouça a ordem de
escutar o que ele diz, e sinta o toque dele encorajando e curando suas
resistências e sua falta de fé
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