A medida do amor cristão é amar sem medida
1004 | Quaresma | 1ª Semana | Quarta | Mateus 5,43-48
Na escuta do evangelho de ontem, fomos
provocados a viver uma justiça maior do que a justiça dos fariseus. “Não matar”
não é a medida máxima, mas a medida mínima do amor. Porque nosso próximo, sendo
diferente, e até mesmo divergente de nós, é um dom, um presente, relacionar-se
bem com ele jamais será um peso, uma grande alegria. E o caminho para isso é a
disposição permanente à reconciliação.
No trecho do evangelho que estamos meditando
hoje, Jesus nos oferece um segundo exemplo de uma justiça maior que a justiça
dos fariseus: não basta amar o próximo (aqueles que são iguais, pertencem ao
mesmo sangue, à mesma religião, à mesma ideologia, ao mesmo grupo de
interesses) e cultivar uma olímpica indiferença ou uma belicosa agressividade
com os inimigos (os outros, os diferentes, os adversários, os que não pertencem
aos nossos círculos de relacionamento).
A simples reciprocidade entre amigos e
próximos pode ser sinal de egoísmo de grupo e não ter nada de Evangelho ou de
cristão. “Os pagãos e os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?” O
amor não é espontaneidade, gentileza acomodada que evita a realidade e os
conflitos, nem algo facultativo, que depende da ocasião ou do estado de
espírito. Para os cristãos, o amor é atitude e decisão. E a experiência
demonstra que é mais fácil odiar os inimigos que amar o próximo.
Para Jesus, e para quem segue seu caminho, a
medida do amor é o próprio Deus, que envia o sol e a chuva para maus e bons.
Ele é pai que dá vida de forma indiscriminada e incondicional, por mais que não
gostemos disso. Deus é perfeito no seu amor, e o amor perfeito deve ser pleno e
inclusivo, e não dividido ou condicional. E os filhos devem imitar o Pai, como
os discípulos devem imitar o Mestre.
O amor aos
inimigos, aos que se opõem a nós ou nos perseguem, é o mandamento mais exigente
de Jesus. Amar concretamente e em bitola universal é um desafio que pede
profecia e um estilo de vida alternativo, que não ignora nem protege relações
iníquas e distorcidas. O poeta nos pede para amar como se não houvesse amanhã.
Mas é mais correto dizer: amemos e cuidemos, para que haja amanhã.
Sugestões para a meditação
Que impacto tem
sobre você este ensino de Jesus: não é suficiente amar os próximos, é preciso
amar os inimigos?
Como entender hoje
a contraposição que Jesus faz entre o amor aos iguais (reciprocidade) e o amor
aos inimigos (gratuidade)?
Como você, sua
família e sua comunidade podem concretizar este ensinamento de Jesus de amar e
respeitar os “diferentes”?
Quem são as
pessoas que hoje você vê como ameaça ou como inimigas, ao menos potencialmente?
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