segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Interesses restritos & Evangelho

Nada pode impedir o socorro a quem o necessita

986 | Tempo Comum | 5ª Semana | Marcos 7,1-13

Vindo de Jerusalém e representando os interesses do templo, um grupo de doutores da lei faz cerco a Jesus e questiona seu ensino na prática pouco ortodoxa dos discípulos. Como sabemos, os escribas, ou doutores da lei, defendem o cumprimento rigoroso dos preceitos para garantir a identidade, a separação e a influência do grupo. O núcleo do conflito não é espiritual ou prático, mas doutrinário, e só será solucionado nos versículos que prosseguem o texto de hoje. Aqui, Jesus apenas ataca, desmascara e desqualifica as práticas defendidas pelos doutores da lei.

Os doutores da lei criticam os discípulos de Jesus por, segundo eles, desrespeitarem reiteradamente as tradições tomando os alimentos sem lavar as mãos. E a crítica fundamental que Jesus faz a eles (que também se estende aos fariseus) é que, defendendo falsamente a tradição e colocando toda a atenção nos ritos exteriores de purificação, eles vivem uma piedade e uma religiosidade apenas aparente: lavar mãos, copos, pratos e vasos, e assim por diante.

Jesus vai a fundo na sua crítica aos doutores da lei e na defesa da nova prática do reino de Deus. Para ele, os defensores da tradição do templo já teriam sido denunciados pelo profeta Isaías, que diz que eles fazem de conta que honram a Deus com os lábios, mas suas práticas e decisões passam bem longe da vontade de Deus. Mais ainda, Jesus diz que eles esvaziam a lei de Deus e a substituem pelas suas próprias tradições pouco inspiradas em Deus.

E Jesus dá um exemplo: segundo o ensino dos doutores da lei, os bens que os filhos devem destinar ao cuidado e sustento dos pais idosos podem ser oferecidos ao templo e, assim, ficarem sob o controle e administração deles mesmos. Ocorre que, agindo assim, eles fazem com que a lei e a tradição, que, segundo a vontade de Deus, devem proteger os mais fracos, acabam explorando os mais vulneráveis em nome de Deus. E o ensino de Deus, para salvar a vida dos fracos, acaba virando descarga de consciência e preceito interesseiro a serviço de alguns.

Assim, podemos dizer que “o feitiço virou contra o feiticeiro”: a crítica dos doutores da lei a Jesus virou crítica de Jesus contra os doutores da lei: não é Jesus que desrespeita a Palavra de Deus; aqueles que deviam vive-la e ensiná-la, na verdade a esvaziam e manipulam, mesmo quando dizem fazer isso em nome de Deus. 

 

Sugestões para a meditação

Leia com atenção e procure compreender a crítica de Jesus aos escribas, e o exemplo de como eles esvaziam a Palavra de Deus

Você percebe também hoje a tentação de esvaziar a Palavra de Deus e substitui-la por interesses mesquinhos?

Foi realmente entre nós a tentação de “torcer” o Evangelho e transformá-lo em pedras que jogamos contra as pessoas que consideramos culpadas?

Nenhum comentário: