O encontro com Jesus
nos fortalece e liberta
985 | Tempo Comum | 4ª Semana | Marcos 6,53-56
O sexto capítulo de Marcos começa com
o escândalo dos familiares e conterrâneos de Jesus, prossegue na compaixão que
o leva a buscar alimento para a multidão faminta, continua com a tumultuada
travessia do mar e termina com a cena de hoje: a multidão que o procura e
encontra do outro lado do mar, como último porto para não desfalecer de
necessidade e desespero.
Em todas as cenas transparece uma grande
tensão: mesmo tendo sido chamados, tendo recebido uma formação especial e tendo
ensaiado uma participação na missão de Jesus, os discípulos e discípulas não
conseguem reconhecer nele os traços do Messias esperado e assimilar sua prática.
Por outro lado, a multidão, cansada e sem pastor, busca e encontra em Jesus
aquilo que já havia desistido de esperar.
Os discípulos não conseguem entender o
significado do gesto do pão partilhado para os famintos no deserto, mas um mar
de gente miserável se lança sobre Jesus! Este capítulo termina sem relato de
qualquer gesto particular de Jesus em favor das pessoas, mas nos apresenta uma
espécie de sumário ou resumo do seu ministério em todas as esferas sociais: nos
mercados, nas aldeias, nos campos e nas cidades. Para Jesus, a sinagoga e o
espaço religioso não esgotam os sinais do Reino de Deus!
Este sumário é comovente: reconhecendo Jesus
imediatamente, as pessoas o buscavam em qualquer lugar, carregando seus doentes
pelas estradas e campos; colocando seus doentes nas praças das cidades;
contentando-se até com apenas um toque na barra do seu manto. “E todos os que
tocavam nele eram salvos”, diz Marcos. Tudo isso aumenta o contraste com a
atitude dos doutores da lei, descrita logo em seguida: eles estão mais
interessados com a impureza das mãos dos discípulos de Jesus que com sua imensa
compaixão.
Todos somos encorajados a buscar e encontrar
em Jesus o conforto que necessitamos, e isso é legítimo. Mas somos também
convocados a assimilar e viver sua divina compaixão, sem agenda e sem mapa, com
o próximo esquecido e necessitado. Esperar de Jesus benefícios pessoas e não
imitá-lo nos gestos de amor é incoerência.
Sugestões para a meditação
Releia
o texto, prestando atenção à comoção que se esconde atrás das palavras desse
resumo da missão de Jesus
Perceba
como Jesus não estabelece horário ou lugar para a compaixão, e como o povo põe
nele sua última esperança
Será
que nós, homens e mulheres que separam fé e ciência, cremos de fato que o
encontro com Jesus pode nos curar e salvar?
O
que você espera de Jesus: um benefício pessoal, ou um caminho que o/a torne
mais humano e solidário?
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