Amar os próximos de amanhã como os de hoje!
Vivemos tempos de frequentes eventos climáticos extremos.
Todos sentimos isso na pele, mas nem todos querem abrir os olhos à realidade
que nos cerca e atravessa. O negacionismo climático ainda seduz a muita gente. Sob
o governo Trump, os EUA, responsáveis pela emissão de mais 25% dos gases que
poluem a atmosfera do planeta, se recusam a assinar compromissos para reduzir a
emissão destes venenos. O argumento é simplesmente simplório: não causar prejuízos
à economia norte-americana.
Como cristãos, somos desafiados a compreender a gravidade da
questão ambiental na encruzilhada histórica que vivemos. Passou o tempo em que
se podia acusar meia dúzia de ambientalistas exagerados pela disseminação de
inverdades acerca dos riscos ambientais. Entidades e academias reconhecidamente
sérias acumulam informações e divulgam dados que não podem mais ser ignorados. Jesus
curou os surdos para que ouvissem, e os cegos para que pudessem ver as coisas
como são.
Como cristãos, precisamos também levar a sério o mandamento
de amar o próximo. Este amor implica, certamente, o esforço inteligente,
perseverante e organizado para garantir condições de vida, de liberdade e de
justiça para os irmãos e irmãs que estão ao nosso lado, e para os 2/3 da
humanidade que são “invisíveis” para as elites que “habitam os andares
superiores” e só têm olhos para si mesmos e seus lucros.
Mas creio que o amor ao próximo hoje exige mais que isso. Ele
pede de nós a capacidade de amar os próximos
que ainda virão: preservar boas
condições ambientais para que as próximas gerações possam viver. É ilusão pensar
que fazemos nossa parte lutando e defendendo o direito dos pobres que hoje nos rodeiam e interpelam. Não
podemos “salvar” os pobres de hoje colocando
em risco aqueles que deverão viver amanhã.
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